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PMDB manda recado a tucanos e ameaça retaliar em 2018

A possibilidade de rompimento do PSDB com o governo Michel Temer, na próxima segunda-feira, levou o comando do PMDB a se reunir nessa  pela manhã e mandar um recado duro para a direção tucana: se houver o desembarque, o PMDB não irá apoiar um candidato do partido em 2018 ou em uma eleição indireta, caso Temer seja afastado em algum momento. Irritada, a cúpula tucana devolveu, avisando que a ameaça “foi um tiro no pé”, “um gol contra” que só irritou ainda mais a bancada de deputados do PSDB que pressiona pelo rompimento.

O fim da aliança PMDB/PSDB deve complicar também o encaminhamento do processo contra o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) no Conselho de Ética do Senado, dominado pelos peemedebistas. Um dos caciques do PMDB disse que Aécio “foi jogado fora por eles” no primeiro dia. “É o jogo por quem sabe jogar”, declarou um dos dirigentes do PMDB após a reunião.

O recado que mais irritou os tucanos foi mandado pelo presidente do PMDB e líder do governo no Senado, Romero Jucá (RR). Em declaração ao jornal “Folha de S. Paulo”, Jucá disse que, “se o PSDB deixar hoje a base, vai ficar muito difícil de o PMDB apoiá-los nas eleições de 2018”. “Política é feita de reciprocidade”, disparou Jucá. A resposta veio horas depois. “Acho que ameaças não ajudam no entendimento entre partidos, ainda mais quando veem do presidente de partido e homem de confiança de Temer”, reagiu o secretário geral do PSDB, deputado federal Silvio Torres (SP).

O PMDB também não está engolindo o fato de os advogados do PSDB continuarem sustentando, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o pedido de cassação de Michel Temer. Coincidentemente, enquanto Jucá mandava o recado da possibilidade de rompimento da aliança em 2018, o advogado tucano José Eduardo Alckmin defendia a inclusão de todas as provas no julgamento do processo, inclusive as delações de executivos da Odebrecht e dos marqueteiros João Santana e Mônica Moura. Essa posição contrária à adotada pela defesa de Michel Temer no TSE.

“Com ameaças, o PMDB está provocando um efeito inverso e irritando ainda mais os deputados e senadores que pregam o desembarque do governo. Estão em pé de guerra. Peemedebistas estão fazendo um gol contra. Essas ameaças não nos atingem. É melhor eles controlarem o Renan (Calheiros). Não conseguem nem ter um líder de partido aliado, vão ameaçar o PSDB? Não conseguem ameaçar ninguém”, devolveu um integrante da Executiva nacional do PSDB com direito a voto na reunião da próxima segunda-feira.

Ele se referiu às críticas abertas que o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), fez contra as reformas que o governo federal tenta aprovar no Congresso. Renan foi “enquadrado” por Temer e recuou no discurso ofensivo, mas, nos bastidores, continua articulando para barrar as reformas da Previdência e trabalhista.

Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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