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PMs forjaram tiroteio para justificar morte em “legítima defesa”, em GO

OAB suspeita que polícia tenha manipulado a cena do crime; auxiliar de produção e assaltante foram mortos; PM diz que inquérito foi instaurado e apura circunstâncias do fato

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Imagens obtidas pela TV Anhanguera revelam o momento em que o carro em que Tiago Messias Ribeiro, de 31 anos, morto enquanto era feito refém, é abordado pela Polícia Militar, em Senador Canedo, na Região Metropolitana de Goiânia. Câmeras registraram o homem sendo socorrido após ser baleado, e reforçam que um PM entrou no carro roubado e fez vários disparos depois que assaltante já estava morto.

A Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil Seção Goiás (OAB-GO) suspeita que a polícia tenha manipulado a cena do crime, para parecer que disparos foram dados em legítima defesa. De acordo com Danilo Vasconcelos, membro do grupo, o caso vai ser acompanhado pela Ordem.

“Aparentemente é para mostrar que houve uma reação ou uma ação de quem estava dentro do carro. Há uma suspeita grande de que houve uma conduta indevida para simular uma troca de tiros que, aparentemente, não ocorreu”, disse.

Inicialmente, no domingo (26), a Polícia Militar disse que os policiais revidaram, atingindo os ocupantes do carro porque foram recebidos a tiros. Em uma última nota, divulgada na segunda-feira (27), a corporação disse que um inquérito foi aberto na Corregedoria da Polícia Militar, e uma resposta deverá ser dada em 40 dias. O video foi divulgado pelo Bom Dia Brasil, da Rede Globo, nesta terça-feira:

Entenda o caso

Tiago foi abordado pelo suspeito na noite de sábado (25), na chácara onde mora com a família, em Senador Canedo, na Região Metropolitana de Goiânia. Ele foi obrigado a entrar no carro e dirigir para o assaltante, que entrou no banco do passageiro. O tiroteio ocorreu próximo a um posto de gasolina.

Os vídeos são analisadas pela Polícia Civil, que já ouviu um sargento da PM, e deve ouvir os demais envolvidos. As imagens mostram o carro roubado cercado por policiais militares. É possível ouvir dois tiros, mas não dá para identificar de onde eles partiram.

Na sequência, uma viatura da PM encosta próximo ao carro. Por outro ângulo, é possível ver o momento em que Tiago é retirado do carro já baleado e é colocado no porta-malas do carro da polícia.

Enquanto Tiago é socorrido, um outro policial entra no carro roubado pela porta do passageiro, se abaixa e faz vários disparos no para-brisas do veículo.

‘Por que atiraram nele?’

A mulher do auxiliar de produção Tiago Messias Ribeiro afirmou, na segunda-feira, que quer saber o motivo do marido ter sido baleado. A dona de casa Rowena Gonçalves disse que não consegue voltar para casa em que morava com a família e que lembra do terror vivido momentos antes do marido ser levado por um assaltante, que queria levar o carro, mas não conseguiu dirigir e pediu para que Tiago o levasse.

Logo após o rapto, a mulher conta que ligou para o 190 e descreveu a situação. “Eu só quero saber: Por que atiraram nele? Uma vez que eu descrevi claramente como ele era, qual era a situação. Ele levou um tiro no peito. Eu liguei pedindo um socorro, e não para que matassem ele. Eu estou com um filho que não está conseguindo dormir à noite, ele treme a noite inteira. A minha filha está revoltada porque colocaram na mídia que ele era bandido”.

Uma mulher que estava no momento dos tiros revelou, com exclusividade à TV Anhanguera, que a situação já estava normalizada quando um policial fez outros disparos.

“Foi muito tiro, muita gritaria, muito desespero. Fo horrível, muito feio mesmo. Estava muito barulho, muita movimentação, muita gente correndo, gritando. Aí eu identifiquei que era troca de tiros quando eu vi a viatura cruzando na frente do carro. Todo mundo começou a correr, se esconder, e logo em seguida a gente já viu um corpo no chão.”

”Estava todo mundo meio que acalmado com a situação, tentando ver o que tinha acontecido realmente, e aí aconteceram mais disparos”, contou.

O corpo do auxiliar de produção foi enterrado no Cemitério Jardim da Paz, em Aparecida de Goiânia. Além da mulher, ele deixa dois filhos e um enteada.

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