Polícia do Tocantins afasta quatro PMs por alterar cena de crime

Os policiais envolvidos na operação que resultou na morte do jovem Wilque Romano da Silva, de 19 anos, foram afastados das ruas. A Polícia Militar confirmou que eles vão cumprir funções administrativas até o fim da investigação. Nesta segunda-feira (8) começou a circular um vídeo em que eles aparecem mexendo no corpo de Wilque após os tiros.

Os PMs envolvidos no caso são Rick Bueno de Assis, Rafael Menez Dutra, Leandro Marques de Castro e Aldaires Monteiro da Silva.

As imagens mostram Wilque no chão e um policial militar da Força Tática abaixado. O PM usa luvas descartáveis. Ele pega algo e entrega para o colega que está em pé. É possível ver que tem um terceiro PM atrás.

A filmagem sai deles e quando volta só é possível ver um policial em pé. Logo aparece outro com uma sacola de plástico. Ele se aproxima do corpo e não dá para ver o que faz. Em seguida, caminha para a viatura com a sacola e volta sem nada.

Um perito ouvido pela TV Anhanguera disse que a ação dos PMs da Força Tática pode induzir a perícia ao erro.

A PM apresentou uma arma como sendo do jovem. Para os parentes e amigos dele é preciso esclarecer muita coisa. “Para mim foi tudo armado, tudo combinado, um ato de covardia”, opina uma mulher que preferiu não se identificar.

O caso aconteceu em Formoso do Araguaia, na última quarta-feira (4). A polícia afirma que ele apontou uma arma para a viatura antes de ser baleado, mas a família negou que o jovem fosse dono da pistola. O médico legista João Luis Baris de Lima, que fez o exame no corpo, disse que o tiro foi dado pelas costas.

Wilque Romano foi baleado pelas costas (Foto: Divulgação)

Wilque foi perseguido pela polícia, segundo a família e amigos, depois de empinar uma motocicleta. De acordo com eles, mesmo após o jovem pedir para não atirarem, ele foi atingido pelas costas. O caso deixou muita gente indignada.

“Acho uma covardia porque se queriam prender, prendessem ou fizessem alguma coisa, mas não precisava matar porque ele era um trabalhador”, diz uma mulher que preferiu não se identificar.

Resposta da PM

A PM informou que instaurou um inquérito policial militar para apurar as circunstâncias do fato. Questionada sobre o fato dos policias terem usado luvas para retirar pertences da vítima, disse que se trata de equipamento de proteção individual para evitar que o militar entre em contato com os fluidos corporais de outras pessoas em ocorrências que tenham sangue ou secreções.

Sobre a necessidade de esperar a perícia para mexer no corpo, a PM declarou que quando ainda há vestígios de sinais vitais, o policial deve realizar a verificação inicial e acionar o socorro como foi feito, segundo informaram os militares que atenderam a ocorrência. Ainda de acordo com eles, o corpo foi levado pela ambulância para receber atendimento médico.

Quanto ao exame realizado no IML que indica que o tiro foi dado pelas costas, enquanto PMs alegam que o jovem estava armado e depois de reagir é que foi baleado, a polícia disse que para avaliar a circunstância, deve ser aguardado o laudo oficial da Polícia Científica que será juntado ao Inquérito.

Já sobre o vídeo, a PM afirmou que as imagens farão parte da investigação em andamento e o posicionamento institucional será dado após a conclusão do inquérito.

G1/TO

Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

Deixe uma resposta