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Polícia Federal não encontra indícios de terrorismo e liberta paquistanês

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Desde então, familiares e amigos não têm notícias dele. A esposa desmente a versão dada pelo próprio homem a delegado da 6ª DP e diz que ele nunca falou sobre bombas

Depois de quase 24 horas, o paquistanês detido suspeito por terrorismo acabou liberado da Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. No domingo, Rashad Sohail, 32 anos, mobilizou as forças policiais após ser alvo, inicialmente, de uma denúncia de Maria da Penha. Ao ser levado para a delegacia, o homem teria comentado que tinha o objetivo de causar uma explosão no Aeroporto Internacional de Brasília.

A esposa acionou a Polícia Militar e afirmou que o marido estava transtornado. Por esse motivo, estava com medo de entrar na casa em que moram em São Sebastião. Ela, porém, desmente a intenção de um ato terrorista. “Ele estava conturbado, mas não falou de bomba comigo em nenhum momento”, defende a doméstica Antônia Soares de Oliveira, 35, contrariando informações dadas pela polícia.

Rashad foi liberado após a Polícia Federal não identificar qualquer indício que o incrimine como um terrorista. A confirmação veio com depoimentos do casal e de outros parentes. O fato de a Polícia Militar não ter encontrado nenhum artefato na casa do suspeito reforçou a tese, que o homem não tinha envolvimento com algum tipo de crime. De qualquer forma, o aeroporto sofreu uma varredura, e nada foi encontrado.

A PF esclareceu não ter instaurado inquérito policial sobre o caso. Na Polícia Civil, houve o registro de ocorrência de ameaça, com base na Lei Maria da Penha. A vítima, porém, não se apresentou para que a suposta ameaça seja apurada — o que pode ser feito no prazo de seis meses. No depoimento ao delegado Marcelo Portela, da 6ª DP, Rashad afirmou que detonaria explosivos no aeroporto da capital.

O paquistanês reside no Brasil há dois anos, quase o mesmo tempo de casamento. Desde que recebeu a liberação, familiares e amigos não têm noção do paradeiro dele. Dois dias antes de ser detido, o homem teria comprado dois chips de celular. “Ele disse que estava sendo perseguido pela PF. Quando veio aqui, me pareceu bem transtornado. A situação foi estranha. Rashad nunca deu nenhum indício de problemas ou relação com terrorismo”, contou o ex-patrão dele, Ivo Costa, 38 anos, dono de uma oficina em Samambaia.

Segundo o empresário, o homem pediu desligamento em maio, alegando que voltaria para o país de origem. Rashad compareceu no estabelecimento para pegar uma encomenda na quinta-feira. “Estamos surpresos com isso. Ele sempre pareceu tão calmo”, detalhou Ivo.

Segundo a esposa, ele estava com uma viagem agendada na última quinta-feira para São Paulo, de onde seguiria para o Paquistão. “Ele tinha chegado há menos de um dia da capital paulista. Foi lá buscar uma mercadoria no aeroporto. Estava com a intenção de mexer com revenda de aparelhos odontológicos, mas não conseguiu trazer os produtos.

Quando o vi, percebi que estava transtornado. Na quarta-feira, dormi na casa da minha patroa. Na quinta, alertei sobre os horários e ele perdeu o voo”, detalhou Antônia, companheira de Rashad. Com isso, a viagem acabou remarcada para ontem. A partida para o país natal seria hoje, do Aeroporto Internacional de Guarulhos. “Percebi que ele estava conturbado; por isso, fiquei com medo de ir em casa. Como ele já ia viajar, acionei a PM, mas em nenhum momento ele ameaçou me matar”, disse a esposa.

As informações são do Correio Braziliense

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