9

Ao contrário do que muitos pensam, eu não tenho pessoalmente nada contra o senador Acir Gurgacz, assim como não tenho contra Confúcio Moura ou qualquer outro que já tenha sido criticado por mim em PAINEL POLÍTICO. Tenho discordâncias em relação a atuação política ou atos criminosos que tenham sido praticados, e meu papel como jornalista é o de informar, e cabe aos leitores (e eleitores) decidirem o futuro político dessas pessoas.

Em relação ao senador Acir Gurgacz minhas discordâncias políticas são pequenas, e o caso dele merece uma reflexão. Acir e sua família geram milhares de empregos no Brasil. Eles integram uma categoria que é taxada de “bandidos”, que é a classe empresarial. Mas ser empresário no Brasil é um desafio hercúleo, e quem já navegou nestas águas sabe bem disso. O Estado é o sócio majoritário, aquele sócio preguiçoso, perdulário, que coloca o outro em apuros para poder fechar as contas no fim do mês.

Para resumir, o crime de Acir Gurgacz foi o de ter sido empresário. Ele foi acusado de ter sido fiador de um empréstimo feito no BASA, uma instituição pública, pela empresa da família. Os valores foram integralmente devolvidos, portanto não houve “desvio de recursos”, ocorreu “desvio de finalidade”. Mas Gurgacz esbarrou em outro problema, o político. Não fosse ele senador, dificilmente estaria preso, já que não houve dolo e o empréstimo foi pago. E também não houve “conspiração” como ele tentou fazer crer durante o processo eleitoral, mas ao tecer críticas públicas a pessoa do ministro Alexandre de Moraes, ele chamou a coisa para o lado pessoal.

Mas, voltando a questão empresarial. Temos no Brasil, e isso não é nenhuma novidade, uma altíssima carga tributária. Se tivéssemos o modelo europeu ou americano de transparência que é dado ao consumidor na hora de comprar um produto, os brasileiros ficariam revoltados, e possivelmente ocorreriam protestos maciços por todo o país. Tanto na Europa quanto EUA, ao comprar um celular por exemplo, vem discriminado na nota o que é imposto federal, estadual, municipal e o valor do produto. Portanto, o consumidor tem clareza do que está pagando.

TAX = IMPOSTO – Alguns estados detalham melhor as notas

A carga tributária obscena a qual os empresários são submetidos ainda tem um agravante, o paternalismo estatal em relação aos trabalhadores. Entenda, se o Estado achacasse menos, os salários poderiam ser bem melhores, assim como as condições de trabalho. O que impede essa melhoria é exatamente a sangria estatal sobre as empresas. Gigantes multinacionais, ou gigantes nacionais sofrem o mesmo problema, mas eles colocam na conta do consumidor todos os prejuízos causados por ações trabalhistas, danos morais e impostos, sem contar que conseguem financiamentos a juros europeus no Brasil. Além disso, contam com um corpo jurídico e contábil vitaminado, que lhes garante saúde financeira e lucros exorbitantes. Já o empresário grande e médio, a depender do setor em que atua, não tem muita margem de manobra, e a saúde da empresa, na maioria das vezes, é frágil. É aquele jovem que brinca, joga bola, mas qualquer vento mais frio o deixa de cama. E se derem duas friagens, ele pega pneumonia e morre. Os empresários brasileiros vivem no limite. E nem vamos entrar na discussão da corrupção praticada por alguns servidores públicos que exigem propinas para “liberar processos”, ou “dar aquele jeitinho”.

Acir Gurgacz é culpado sim. De ter misturado negócios com política. É culpado de não ter entendido isso quando foi alertado. Mas de uma coisa ele não tem culpa, a de ter roubado dinheiro. Esse ele devolveu. E ele também é culpado de ser empresário em um país onde bandidos de verdade roubam recursos públicos sem nunca terem gerado um emprego sequer, ou mesmo de ter trabalhado na vida de verdade.

Foto: Pedro França / Agência Senado

Alan Alex
Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

Hospitais podem ser obrigados a contratar intérpretes de Libras

Previous article

Rondônia lambe o “Mito” – Professor Nazareno*

Next article

9 Comments

  1. Acho que está tendo um grande equivoco no texto, o motivo da prisão não foi pagar ou não pagar empréstimo, o motivo da prisão foi ter feito um financiamento para comprar ônibus novos, e falsificar a nota fiscal e colocar ônibus velhos com mais de 12 anos de uso como se fossem novos. não tem nada a ver com ser avalista, isso é mentira.
    realmente o empresario brasileiro sofre muito no Brasil, mas nesse caso em questão a prisão é por falsificação de documentos, isso é CRIME em qualquer lugar do mundo.
    Estão querendo é mudar o foco da condenação, a verdade é uma só, houve a falsificação de ônibus velhos se passando por ônibus novos para obter financiamento em banco público, e está provado.

    1. Pra quem não sabe. O motivo da prisão foi ser avalista. Ele nao fez empretismo e muito menos pegou dinheiro público.

  2. Esse POST ganhou o meu respeito, aplauso ao editor. Vale ressaltar que o caso em que o Sr. Acir foi condenado injustamente se equipara aos de milhões de pessoas, se não vejamos: Sabe aquelas pessoas que pegam um financiamento no banco para construir a casa e acabam comprando móveis? Isso também é desvio de finalidade, vocês já viram alguém ser preso por isso? Não! Sabe aquelas empresas que tem o cartão BNDES pra comprar materiais para alavancar a empresa e acabam comprando um carro para uso particular? Isso também é desvio de finalidade, e nunca vi alguém preso por isso! Sabe aqueles produtores rurais que pegam financiamento para comprar gado e acabam fazendo curral? Isso também é desvio de finalidade, e ninguém é preso por isso, sabe porque? Eles pagam, assim como o financiamento que o Sr. Acir foi avalista, está tudo pago, conforme confirmado pelo próprio Basa, ou seja, ninguém foi prejudicado! Lamentável essa situação 😥

    1. Lu, todas as situações que você citou são, em maior ou menor grau, desvios de conduta. Não importa o tamanho do delito, se é irregular está errado! Houve desvios de finalidade nos empréstimos com dinheiro público e isso é crime. Ponto final!

  3. Esse POST ganhou o meu respeito, aplauso ao editor. Vale ressaltar que o caso em que o Sr. Acir foi condenado injustamente se equipara aos de milhões de pessoas, se não vejamos: Sabe aquelas pessoas que pegam um financiamento no banco para construir a casa e acabam comprando móveis? Isso também é desvio de finalidade, vocês já viram alguém ser preso por isso? Não! Sabe aquelas empresas que tem o cartão BNDES pra comprar materiais para alavancar a empresa e acabam comprando um carro para uso particular? Isso também é desvio de finalidade, e nunca vi alguém preso por isso! Sabe aqueles produtores rurais que pegam financiamento para comprar gado e acabam fazendo curral? Isso também é desvio de finalidade, e ninguém é preso por isso, sabe porque? Eles pagam, assim como o financiamento que o Sr. Acir foi avalista, está tudo pago, conforme confirmado pelo próprio Banco, ou seja, ninguém foi prejudicado!
    Onde está o crime se isso é uma prática real no Brasil e todos que fizeram isso não foram presos? 😥

  4. Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais ==>Diário da Amazônia…<==

    Será que essa matéria é imparcial???

    1. Você não conhece o trabalho do site Painel Político ao levantar tal hipótese. Se eu fosse vc, para não passar vergonha, fazia uma pesquisa no Google com os termos – eucatur alan alex acir gurgacz –

  5. Não há condenação sem crime, de uma forma ou outra ele fez um ato ilegal.

  6. Se foi feito um empréstimo e foi sanado essa dívida,qual o crime que o sr Acir cometeu?Um empresário que vem gerando milhares de empregos no nosso Brasil.Governos que são uns verdadeiros parasitas vivem em função de impostos que essas empresas e nós contribuintes somos obrigados a pagar.infelismente o nosso país vive uma inversão de valores,meus parabéns ao editor dessa matéria que de uma forma nobre veio a esclarecer o que realmente aconteceu.A família do seu Acir forca e fé que isso é só mais um atoleiro nessa estrada da vida que vcs sempre venceram.

Participe do debate. Comente!

You may also like

More in Capa