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Marcos Rocha chegou ao segundo turno graças ao fenômeno Jair Bolsonaro. Isso não se discute. O eleitor, embalado pelo presidenciável, reflete em Rocha a idéia de que o PM aposentado vai resolver todos os problemas do Estado, que não são poucos.

O candidato do PSL local comprovadamente copiou o plano de governo do então candidato à presidência Aécio Neves. Adaptou “Brasil” para “Rondônia” e não consegue apresentar uma solução sequer para questões como o próprio sistema penitenciário, que foi comandado por ele desde 2015. Não tem propostas para educação, planos de cargos e salários, saúde, e sequer sabe como vai pegar as contas do Estado.

“Há, mas ele vai montar uma equipe técnica”. Não vai. Rocha vai se cercar de gente como Evandro Padovani, que será seu secretário de agricultura, de Lioberto Caetano, que deve voltar ao DER, de George Braga e outros que fizeram parte do governo de Confúcio Moura, que jogou Rondônia no buraco em que estamos atualmente.

Não se trata aqui de “falar mal” ou “atacar o candidato”, e sim de cobrar respostas claras sobre os problemas em pauta. Dizer que “é amigo do presidente” não resolve absolutamente nada. Bolsonaro, assim como Rocha, terão que obedecer a legislação, a máquina pública e seus prazos. Fazer chacota de adversário dizendo que ele “não conhece a Bíblia” não é solução. Expedito, por exemplo, é casado com a mesma mulher há mais de 30 anos, tem dois filhos e pode ser chamado de “exemplo de família tradicional brasileira”. Nem nesse quesito Rocha consegue se adequar, já que está em seu segundo casamento, o que fere os preceitos de qualquer igreja evangélica.

Não que isso seja um qualificador curricular, mas passou da hora do eleitor rondoniense ter responsabilidade com o voto. Foi o próprio partido de Expedito, que em 2016 cacifou a candidatura de Hildon Chaves à prefeitura da capital. Eleitores, embalados pelo “oba oba” do discurso outsider, que fala demais mas não mostra serviço, elegeu o ex-promotor que “conhece bandido com dois minutos de conversa”. Percebe-se hoje que tudo não passou de conversa.

Marcos Rocha foi o único secretário de Mauro Nazif a “deixar o cargo”. Nas coxias fala-se que foi demitido por não ter dado conta do problema complexo que é a educação municipal. Em meio a campanha afirmou ter recebido “oferta de propina”, mas não prendeu o corruptor, tampouco informou as autoridades.

Como secretário de Justiça foi mediano. Fugas, rebeliões, obras malfeitas e uma longa lista de denúncias de perseguição contra servidores públicos engordam seu currículo. Esta semana, em entrevista a uma rádio de Porto Velho disse que “que pelo menos dois deputados eleitos podem perder seus mandatos e que, depois da eleição, ele vai processá-los. Chegou a afirmar que “poderá ter gente presa”.  Ao protestar contra ataques que vem recebendo e taxando-os de “mentiras e invenções”. Esse discurso pode até colar em ouvidos desavisados, mas passou da hora desse candidato ser interpelado judicialmente para esclarecer essas denúncias genéricas que ele vem fazendo. Ao dizer que “foi abordado para receber propina” ele coloca em xeque toda a classe empresarial que tem contratos com a prefeitura. Ao dizer que tem “deputado que pode ser preso”, ele enfia no mesmo balaio os 24 parlamentares estaduais.

E voltamos ao início, a falta de clareza em suas propostas. No caso de Expedito, que passa longe de ser o que podemos classificar de “estadista”, mas apresenta soluções plausíveis e detalhadas, bem diferente das genéricas de seu adversário. Se ele consegue cumpri-las ou não em sua totalidade é outra coisa, mas ao menos elas são muito claras.

Alguns eleitores mais esquentados dirão, “é ficha suja, foi cassado, deve na praça”. Não existe pena perpétua, Expedito foi punido com a perda do mandato, ficou inelegível por oito anos e se deve a alguém, não é para seus eleitores. Quem tem o mínimo de responsabilidade com o amanhã desse Estado, precisa questionar o candidato do PSL sobre como ele pretende resolver, por exemplo, o problema do endividamento do Estado, da falta de médicos nos municípios, na ampliação da malha viária, na expansão dos aeroportos, no inchaço da máquina administrativa, nos projetos de infraestrutura, na ampliação da rede escolar, em programas para a agricultura. Mas não vale dizer que “vai resolver com Bolsonaro”. O capitão terá seus próprios problemas para resolver, e não serão poucos.

A grande questão é, não se trata de uma disputa entre “quem é mais honrado, quem deve mais, ou quem conhece a Bíblia melhor” e sim entre quem conhece o Estado e seus problemas e competência e humildade para resolver os problemas.

Alan Alex
Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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