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O primeiro debate entre os candidatos a governo de Rondônia no segundo turno das eleições ficou marcado por uma frase dita pelo candidato tucano Expedito Júnior, ao ser acusado por seu adversário, Marcos Rocha (PSL) de ter sido cassado por compra de votos. Expedito, usando uma versão da chamada “Lei da Semeadura”, (você colhe o que planta), disse em alto e bom som, “aqui se faz, aqui se paga, e a pessoa que tomou meu mandato está presa, e eu nunca respondi a processo por desvio de dinheiro”. Por Expedito ter usado uma versão do versículo, Marcos Rocha tentou distorcer, afirmando que seu adversário “não conhece a Bíblia”. Discussões religiosas à parte, chamou a atenção a armação a qual o tucano se referiu e o que o senador Acir Gurgacz, que está preso em Brasília tem a ver com isso.

Expedito Júnior poucas vezes falou sobre o caso publicamente, exceto quando o processo ainda tramitava. E para entender o caso, precisamos voltar a 2006. Nas eleições daquele ano, Expedito Júnior disputava o senado com Acir Gurgacz. Expedito obteve 267.728 votos, contra 210.351 do segundo colocado, e foi eleito. Porém, antes de ser diplomado, uma denúncia de compra de votos através de funcionários de uma empresa de vigilância que pertencia ao irmão de Expedito, resultou em um processo no Tribunal Regional Eleitoral que cassava o mandato de Expedito e determinava a diplomação de Acir Gurgacz. A defesa recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral e o então ministro à época, Arnaldo Versiane acatou os argumentos e mandou diplomar Expedito Júnior, mas o processo seguiu tramitando.

Operação Garoupa

Durante o processo eleitoral, a Central de Denúncias da Justiça Eleitoral recebeu dezenas de telefonemas anônimos informando que uma empresa de vigilância da família de Expedito Júnior estaria comprando votos de seus funcionários com uma bonificação salarial no valor de R$ 100. A Polícia passou a investigar e deflagrou a “Operação Garoupa”, em alusão a imagem do peixe nas cédulas de R$ 100. A PF se baseou no depoimento de cinco vigilantes da empresa, Diemison das Chagas Cruz, Edmilton Vieira Pimentel, Jayrisson Adriano dos Santos Oliveira, Joelson Picanço Lima e Ednaldo de Souza Mata. Eles forneceram à Polícia Federal cópias de alguns contracheques referentes ao ano de 2006, nos quais não constava a percepção da parcela de R$ 100,00, bem como extrato bancário de suas contas-correntes, em que constava o mencionado depósito.

Houve a confirmação de que 958 funcionários da empresa teriam recebido depósitos bancários de 100 reais dias antes das eleições.

E o que Acir tem a ver com o caso?

Entre os anos de 2006 a 2009, Gurgacz, segundo colocado no pleito, corria com seus advogados para acelerar o julgamento do processo contra Expedito Júnior, que por sua vez sempre que falava sobre o assunto reafirmava que “nunca comprou votos” e que “era uma armação”, mas novos elementos não apareciam para comprovar a tese de “conspiração”. Porém, em junho de 2009, praticamente às vésperas do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral, a defesa de Expedito Júnior conseguiu reunir provas de que os vigilantes que haviam “prestado depoimento” eram pagos pelo grupo Eucatur, à mando de Acir Gurgacz. Uma série de conversas gravadas por um ex-assessor do então deputado Carlão de Oliveira, Rodrigo Balcazar, comprovavam os pagamentos e a relação direta dos vigilantes com Acir.

CLIQUE AQUI PARA ENTENDER O ENVOLVIMENTO DE BALCAZAR NO PROCESSO. ELE ASSUMIU TER RECRUTADO OS VIGILANTES A MANDO DO EX-DEPUTADO CARLÃO DE OLIVEIRA A PEDIDO DE GURGACZ

Mas, as provas chegaram tarde demais. O TSE não aceitou novas evidências no processo, que já estava concluso para sentença, e cassou o mandato de Expedito Júnior em 2009, assumindo o segundo colocado Acir Gurgacz.

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Cassado duas vezes?

Após o debate de quinta-feira, Expedito conversou com PAINEL POLÍTICO sobre sua fala e sobre o processo que cassou seu mandato. Magoado, ele falou sobre a afirmação feita por seu adversário de que teria perdido o mandato de deputado federal em 1987, o que lhe rendeu um direito de resposta da produção da emissora. Em 1986 Expedito foi eleito o deputado federal mais jovem do país. Por força de um recurso do TSE, em favor de um homônimo (pessoa com mesmo nome), ele perdeu o mandato. Mas em 1994 ele voltou à Câmara dos Deputados.

“Aqui se faz, aqui se paga”

Sobre a confusão na frase, o tucano riu e disse que apesar de ter trocado a referência, o sentido é exatamente o mesmo do versículo da Lei da Semeadura, “tenho certeza que vai gerar uns bons memes essa história, mas apesar de não desejar mal a ninguém, sinto que de alguma forma a justiça divina resolve as coisas. E quem me conhece sabe da minha inocência e que sempre lutei muito em minha vida. Nos pouco mais de dois anos que passei no mandato de Senador consegui fazer muito por Rondônia, pela transposição dos servidores, pelos taxistas e mototaxistas de todo o país, e tenho certeza que como governador de meu Estado farei muito mais. Vim para Rondônia em 1981, com apenas 18 anos e fui morar em Rolim de Moura, em uma época de muitas dificuldades no Estado. Nossa candidatura tem propostas para melhorar a vida da população em todas as áreas, e vamos fazer isso, por isso que tenho pedido essa oportunidade”, declarou.

Alan Alex
Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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