Coluna – Compra gigantesca de cal pela prefeitura de Porto Velho levanta suspeitas

E ainda, transposição perto de uma resolução, mas nem tão perto assim

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Recebi algumas mensagens de leitores querendo saber mais sobre o algoritmo usado pela Cambridge Analytica no Facebook, e o que isso representa para o usuário comum. Primeiro é bom esclarecer que não se trata de um “roubo” de informações, afinal você concorda com todas as regras de uso ao criar seu perfil. O grande problema é o uso da ferramenta de forma a manipular a opinião pública. Em síntese, a Cambridge repassa aos clientes um perfil completo sobre determinado público, separado por etnia, faixa etária, localização geográfica, preferências religiosas e sexuais e a partir disso é possível traçar um discurso do jeito que a pessoa quer ouvir, e mais, ela passa a receber em sua timeline informações referentes ao que ela gosta, reafirmando sua opinião, que por vezes ainda não está totalmente formada.

Isso quer dizer

Que, através desse assombroso detalhamento, a opinião pública pode ser manipulada da forma que o cliente da Cambridge quiser. E esse vazamento revelado pela imprensa americana é só a ponta do gigantesco esquema montado por Donald Trump e até onde se sabe, pelos russos, para influenciar a opinião pública daquele país. Isso não quer dizer que Trump não poderia ter vencido de forma, digamos, tradicional, afinal ele é a cara de grande parte da tradicional sociedade americana. Enfim, nesta terça-feira as ações do Facebook tornaram a cair. O problema está na confiança. Zuckberg, cujo caráter foi bem desenhado no filme sobre o início do Facebook, não é lá muito chegado a ética. Vai ser um baque para a empresa.

Enquanto isso

Em Porto Velho uma monstruosa compra de cal pela prefeitura vem chamando a atenção. Tratam-se de 261.880 quilos do produto, isso mesmo, o número não está errado. O município teria comprado isso em novembro de 2017, de uma papelaria. Cópias da compra, com número do empenho circulam em redes sociais, inclusive com algumas informações sobre quem recebeu e para o que serviria o dinheiro. Como onde há fumaça, normalmente tem fogo, é bom alguém dar uma olhada com atenção nessas compras. No passado, a prefeitura de Porto Velho (gestão Sobrinho) fez uma compra milionária de grama e depois descobriu-se que se tratava de um gigantesco desvio de recursos.

É bom olhar de perto

Esse tipo de compra é altamente suspeita, ainda mais pelo volume. Cal é um produto barato, e normalmente é utilizado para pintura de muros e meio-fio. Em conversa com quem entende do ramo, ouvi dizer que “dá para pintar meio-fio de Porto Velho a Cuiabá, dos dois lados da pista”. Não sei, mas não custa o Ministério Público dar um olhada nessas coisas.

Cadê a Câmara?

Os vereadores estão sendo cada vez mais cobrados e apertados pela população para que se tomem providências em relação a gestão de Hildon Chaves. Por enquanto eles estão conseguindo desviar, mas se o prefeito não tomar o controle da situação, de maneira rápida e cirúrgica, corre o risco de perder seu capital político, e pior, ainda arrasta parte de seus apoiadores de primeira hora, como o ex-senador Expedito Júnior e sobra até para Mariana Carvalho.

Perto, mas não muito

A bancada federal comemorou nesta terça-feira a aprovação de 37, das 49 emendas que modificam a transposição, através de uma medida provisória que regulamenta as Emendas Constitucionais 60/2009, 79/2014 e 98/2017, que dispõem sobre as tabelas de salários, vencimentos, soldos e demais vantagens aplicáveis aos servidores civis, aos militares e aos empregados oriundos dos ex-territórios para reintegrar esses trabalhadores aos quadros da União. Apesar do relator, senador Romero Jucá ter aprovado essas modificações, o texto da medida provisória será analisado na Comissão mista e depois precisa ser votado pelos plenários da Câmara dos Deputados e do Senado. Ou seja, se não houver uma grande articulação política, a coisa vai emperrar.

É bom lembrar

Que estamos em ano de eleição e a tendência é o congresso ficar cada vez mais esvaziado no decorrer do ano, com os parlamentares dedicando maior tempo possível às suas bases. O assunto requer pressa porque muita gente está prejudicada e outros ainda criam falsas expectativas em relação a benefícios, vantagens ou desvantagens. Estamos preparando um material bem abrangente sobre o tema que devemos publicar até a próxima quarta-feira, 28.

Falando demais

Redes sociais são um perigo para quem gosta de falar sem a utilização de filtros de controle e ao que tudo indica, a desembargadora Marília Castro Neves, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro está com os dela quebrados. Ela já vai responder ao Conselho Nacional de Justiça sobre a postagem que fez na semana passada sobre a morte da vereadora carioca Marielle, ao afirmar que a mesma “estava engajada com bandidos”. No fim de semana, ela publicou mais uma, dessa vez discriminando uma professora com síndrome de Down.

A pérola

“Ouço que o Brasil é o primeiro em alguma coisa!!! Apuro os ouvidos e ouço a pérola: o Brasil é o primeiro país a ter uma professora portadora de síndrome de Down!!! Poxa, pensei, legal, são os programas de inclusão social… Aí me perguntei: o que será que essa professora ensina a quem???? Esperem um momento que eu fui ali me matar e já volto, tá?”, escreveu. A resposta veio na lata, “não quero bater boca com você! Só quero dizer que tenho síndrome de Down e sou professora auxiliar de crianças em uma escola de Natal (RN)”, começa uma carta de Débora, a professora com Down. A bizarrice completa você pode ler AQUI.

É por essas e por outras

Que a gente começa a perder a fé na humanidade. Evidente que uma desembargadora pode emitir opinião sobre o que bem entender, mas tem coisas que é melhor evitar. Uma postagem desnecessária, altamente discriminatória e fora de contexto em um país com tanta desigualdade. Não sei o que o CNJ vai fazer em relação a esses dois casos envolvendo a mesma magistrada, mas uma aposentadoria compulsória caía bem.

Agora é oficial

Geraldo Alckmin vai disputar a presidência pelo PSDB. Ele anunciou que vai renunciar ao mandato de governador no dia 6 de abril. o anúncio foi feito após reunião da Executiva Nacional na sede do partido, em Brasília. “A partir do dia 7, pretendo percorrer o Brasil do Oiapoque ao Chuí ou, mais modernamente, do Monte Roraima até o Chuí”, disse Alckmin, acrescentando que a campanha será de “resistência” e “curta”, com 45 dias de duração. Ainda não temos a data para Rondônia.

Ser anti social não é um problema

Desde os tempos mais antigos, as pessoas sabem que há uma ligação entre isolamento e foco mental. Afinal de contas, culturas com tradições de ermitões religiosos acreditam que a solidão é importante para alcançar a iluminação. Pesquisas recentes nos deram um entendimento melhor da razão para isso. Um benefício da insociabilidade é que o estado do cérebro de descanso das atividades mentais, o que caminha de mãos dadas com a quietude de ficar só. Quando outra pessoa está junto, seu cérebro não consegue não prestar atenção. Isso pode ser uma distração positiva. Mas ainda assim é uma distração. Sonhar acordado na ausência dessas distrações ativa a conexão predefinida do cérebro. Entre outras funções, essa conexão ajuda a consolidar a memória e entender as emoções dos outros. Dar um terreno livre a uma mente perambulante não apenas ajuda no foco a longo prazo mas também fortalece seu senso próprio e também o dos outros. Paradoxalmente, períodos de solidão podem ajudar na hora de voltar a socializar. E a ausência ocasianal de foco pode ajudar na concentração a longo prazo. Portanto, se a sua personalidade tende para o lado da insociabilidade, você não deveria sentir que precisa mudar. É claro que isso inclui desafios. Mas, contanto que você tenha contatos sociais regulares, esteja escolhendo a solidão em vez de ser forçado a ela, tenha ao menos alguns bons amigos e se sua solidão for boa para seu bem-estar e sua produtividade, não há por que se preocupar em fazer uma personalidade em forma de quadrado caber em um buraco arredondado. Então sinta-se livre para limpar sua agenda social. Está psicologicamente aprovado.

Alan Alex

Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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