Primeira cidade quando se chega em Rondônia esconde problemas graves na periferia

Quem chega em Rondônia pela BR 364 passa em Vilhena e fica admirado com a entrada da cidade. Avenidas largas, asfaltadas e bem iluminada, parece ser o retrato de uma cidade sem problemas. Mas, não é bem assim. E para verificar isso, basta entrar algumas ruas fora das avenidas principais que a situação começa a se complicar.

Diferente do que pregava a então prefeita Rosani Donadon, que estaria transformando Vilhena em uma cidade-modelo, o mais longe que a então gestora conseguiu ir foi passando máquinas e espalhando cascalho em algumas ruas da periferia, já prevendo sua cassação e consequente participação na eleição suplementar que acontece no próximo dia 3. E estaria tudo bem, exceto pelo fato dela não ter conseguido o registro de candidatura e ainda estar sendo cobrada pela população em função do que não fez.

Na última quarta-feira, uma chuva fina caiu sobre Vilhena, revelando que os problemas são bem mais sérios que aparentam. As ruas alagam com chuvas fracas, quando caem temporais, a situação fica bem mais complicada, deixando moradores ilhados em suas casas. E Vilhena é uma cidade plana, não deveria ter esse tipo de problema.

PAINEL POLÍTICO fez imagens mostrando as ruas de alguns bairros que nem ficam tão distantes assim da região central. A ex-prefeita havia anunciado em fevereiro desse ano “o maior projeto de pavimentação asfáltica do município de Vilhena”, que nunca se concretizou. Foi alardeado na época que seriam feitos 38 quilômetros de asfalto distribuídos na maioria dos bairros do Município, o que não aconteceu.

Chuva fina e rápida alaga as ruas da periferia


Além dos alagamentos na periferia, a cidade sofre com o crescimento desordenado, promovido, segundo empresários locais, “pelos Donadons”. E sequer o distrito industrial escapou disso. Vários lotes onde deveriam estar funcionando empresas foram cedidos para residências e as ruas não contam com asfalto e em alguns trechos, buracos tão grandes colocam em risco as carretas e caminhões que precisam chegar às indústrias para recolher mercadorias.

Distrito Industrial do município foi tomado por residências e as ruas estão sem asfalto

Outro problema grave que vem sendo enfrentado pela população é o desemprego. Dados do comércio apontam que cerca de 16% da população está sem ocupação e isso reflete nas taxas de violência e evasão escolar. A principal queixa das famílias é a falta de creches para crianças de até 5 anos, o que dificulta a vida dos pais que precisam sair para trabalhar e não tem condições de pagar alguém para deixar as crianças em segurança. O município conta atualmente com cerca de 6 mil cadastrados em programas sociais, como o Bolsa Família. Isso representa quase 10% da população da cidade, que é de pouco mais de 68 mil habitantes.

A falta de qualificação e a mecanização agrícola, aliada a redução nos investimentos na agricultura familiar vem sendo os grandes responsáveis por esse cenário. O candidato a prefeito na eleição suplementar, Eduardo Japonês, que é empresário na cidade, disse por telefone que, se for eleito pretende investir em cursos de qualificação para a população, “precisamos capacitar nossos trabalhadores para reduzir os índices de desemprego. Se você for no Sine hoje, vai ver que tem vagas de trabalho, mas falta mão de obra especializada”.

Eduardo Japonês afirma que pretende investir em capacitação da mão de obra para resolver o problema do desemprego

Em 2016 a então candidata Rosani Donadon havia se comprometido a “atrair indústrias para gerar emprego e renda”, e declarou que havia :”desenvolvido seus projetos a respeito do assunto não apenas do ponto de vista macro, mas também direcionado para pessoas que desejam complementar a renda da família. Através dos programas sociais, o poder público auxilia na capacitação profissional. Uma dona de casa, por exemplo, consegue desenvolver atividade remunerada nos seus horários de folga. A venda de seus produtos lhe proporciona bem estar, uma vez que auxilia na autoconfiança, reforça os alimentos consumidos por sua família, além de aumentar o poder de compra desta casa. No final das contas, todo mundo sai ganhando”.

Imagens mostram o Distrito Industrial


O problema é que em 1 ano e meio de mandato, os índices de desemprego em Vilhena só aumentaram. O maior investimento no município foi feito pela Loja Havan, cujas tratativas iniciaram na gestão de José Rover e a loja foi inaugurada na semana passada, quando Rosani já não era mais prefeita, afirmam opositores.

Rosani Donadon administrou o município por pouco mais de 1 ano e 3 meses e não conseguiu cumprir nenhuma promessa da campanha de 2016. Agora tenta liminar para disputar pleito suplementar

No próximo dia 3 a população vai novamente as urnas para escolher o prefeito. Rosani Donadon, que não pode ser candidata recorreu ao Tribunal Regional Eleitoral para tentar uma liminar e correr o risco de novo afastamento pelo Tribunal Superior Eleitoral, caso seja eleita. O entendimento pacificada nas cortes superiores é o de que, candidato que tenha dado causa à nulidade do pleito não pode concorrer na eleição suplementar, foi com base nesse argumento que o Ministério Público Eleitoral pediu o indeferimento do registro de candidatura de Rosani que foi concedido pela justiça eleitoral no município. Enquanto tenta seu recurso, a candidata recorre a artifícios bastante conhecidos como se dizer “perseguida por ser a favor dos pobres” e seus defensores afirmam que “satanás mora na justiça eleitoral”. Rosani é casada com Melki Donadon, que já foi prefeito da cidade e está inelegível.

PAINEL POLÍTICO está tentando gravar entrevista com os dois candidatos, em vídeo. Nos próximos dias voltaremos ao assunto.

Alan Alex

Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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