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Saúde pública sempre foi o “calcanhar de Aquiles” dos governantes brasileiros e em Rondônia quem frequenta a rede pública sabe bem das dificuldades. Quando se trata de deslocamentos então, a situação fica ainda mais complicada. Rondônia é um estado com área total de 237.576 km², são distâncias enormes para serem transpostas por terra, ainda mais com as estradas em péssimas condições como as que temos.

Situações de emergência no traslado de pacientes deveriam ser feitas em transporte aéreo, mas os doentes são transportados em ambulâncias na precária malha viária.

Em 5 de fevereiro de 2015, durante uma troca de tiros com bandidos em Cujubim, o cabo da Polícia Militar Sérgio Campos foi baleado e aguardou por mais de três horas a chegada do socorro aéreo, o que não aconteceu. O policial morreu no hospital de Cujubim, uma morte que poderia ter sido evitada se o governo de Rondônia tivesse, de fato, um Grupamento de Operações Aéreas (GOA) que não vivesse no chão. De acordo com a propaganda oficial, já foram investidos mais de R$ 18 milhões no GOA, que conta com 17 pessoas entre pilotos, tripulantes operacionais, mecânicos e enfermeira. Pilotos fizeram cursos nos Estados Unidos, e tiveram seus 5 minutos de fama ao realizar um parto durante o transporte de uma grávida entre Guajará-Mirim e Porto Velho, em abril de 2015. O episódio rendeu até participação em programa de auditório.

Mas quem sempre lucrou com esse foguetório todo foi Confúcio Moura, que chegou ao cúmulo de alugar, por apenas 4 meses, um helicóptero em junho de 2014, em plena campanha de reeleição e foi usado como “reforço as operações policiais em Rondônia”. A aeronave era alugada e retornou ao Piauí, onde opera na Polícia Militar daquele estado.

Aeronave que estava em Rondônia está no Piauí

Em fevereiro de 2016 o Ministério Público do Trabalho doou aos Bombeiros um helicóptero para ajudar nas operações de resgate. Teve festança. com direito a discursos e muitas fotos e vídeos. O problema é que essa aeronave nunca voou, ao menos não em Rondônia. A aeronave de prefixo PT-HMW está em um hangar em Cuiabá (MT) desde então. Em novembro de 2016 o então comandante do Grupamento de Operações Aéreas (GOA), capitão Philipe Rodrigues Maia Leite, disse que a aeronave que atenderia as comunidades ribeirinhas do Estado estava “ainda em manutenção”. E explicou, “a aeronave saiu de Cuiabá e chegou a Porto Velho voando, mas, por medida de segurança e para cumprir as exigências da ANAC, o helicóptero está passando por uma extensa inspeção e manutenção. No dia 13 de setembro de 2016, foi assinado o contrato com a JPA para a recuperação do PT-HMW. A manutenção de uma aeronave não é algo muito simples, pois existem peças que precisam ser enviadas para o Exterior para que sejam inspecionadas as condições das mesmas, por isso é necessário certo tempo para que seja finalizada a manutenção”, justificou o capitão Maia, negando-se a dizer quanto já foi gasto com a tão demorada manutenção que até hoje não foi concluída.

Em julho deste ano, o helicóptero foi fotografado no aeroporto Marechal Rondon, em Cuiabá.

Em agosto de 2015 o então diretor do DER Lioberto Ubirajara Caetano de Souza, foi denunciado ao Ministério Público e Tribunal de Contas pela contratação de dois pilotos, sendo que um deles já mantinha contrato de prestador de serviços pago pelo Fundo Especial do Corpo de Bombeiros (FUNESBOM) e mesmo assim foi nomeado como Coordenador de Operações Aéreas do DER. Foram encaminhados na denúncia, além das nomeações, cópias dos contratos. O DER havia criado meses antes um departamento de operações aéreas, sendo que o órgão nunca teve avião.

Mesmo com todo esse dinheiro público desperdiçado, nenhum dos órgão de fiscalização (Ministério Público, Tribunal de Contas e Assembleia Legislativa) se preocupou em auditar essas operações envolvendo aeronaves e pilotos. E Confúcio Moura é candidato ao Senado federal.

E a população segue nas ambulâncias, estradas afora.

Alan Alex
Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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2 Comments

  1. Candidato é igual buceta, uns gostam demais já outros não, e há aqueles que vão atrás só pelo cheiro, mas ela tá lá, lisa ou cabeluda e quase sempre fedida mas sabe que a maioria gosta.

  2. […] Estado de Rondônia gastou uma verdadeira fortuna, mais de R$ 18 milhões, na compra de aeronaves, treinamentos e implantação de infra-estrutura para o Grupamento de Operações Aéreas que não sai do chão por falta de aeronaves. Um dos casos […]

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