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Áudio vazado no final da tarde de segunda-feira, 05, vem criando problemas para governo e legislativo

No final da tarde da última segunda-feira, 5, passou a circular em grupos de Whatsapp, o áudio de uma conversa entre os deputados estaduais Jesuíno Boabaid e o presidente da Assembleia Legislativa Maurão de Carvalho, pré-candidato do MDB ao governo do Estado. O tom do diálogo e o teor da conversa, sugere uma conspiração para pressionar o governador Confúcio Moura (MDB) a não renunciar ao mandato e nem disputar a vaga ao Senado, em troca da não abertura de uma CPI ou pedido de impeachment por supostos crimes de improbidade cometidos por ele em seu mandato.

Na conversa, eles citam dois casos específicos, o pagamento de R$ 30 milhões a uma construtora de Ji-Paraná por uma obra que já havia sido paga e entregue ainda no governo de Ivo Cassol (2002/2010), mas que a empresa alegava faltar um “alinhamento” que já havia sido negado em pareceres do Tribunal de Contas do Estado, do Ministério Público e da própria Procuradoria do governo. Mesmo assim, ano passado, o então diretor do Departamento de Estradas e Rodagens do Estado (DER), Isequiel Neiva, em um acordo na justiça arbitral ( justiça privada), aceitou pagar R$ 30 milhões à construtora. O caso foi levado à público pelo deputado Hermínio Coelho (PDT) que provocou o Ministério Público e na última segunda-feira, 5, o Tribunal de Justiça de Rondônia determinou o bloqueio de até R$ 18 milhões nas contas bancárias da empresa, do ex-diretor do DER e dos membros da Câmara Arbitral envolvidos no acordo. Nesta terça-feira a empresa se manifestou através de um “direito de resposta extrajudicial”.

Outro caso levantado por Maurão e Jesuíno, foi o pagamento superfaturado por uma área de 40 hectares na margem esquerda do Rio Madeira para atender os desabrigados da enchente de 2014. A área originalmente tinha 60 hectares e havia sido comprada 9 meses antes por um auditor fiscal pelo valor de R$ 90 mil. O Estado então desapropriou 40 hectares pagando R$ 4,1 milhões. O caso até agora não foi devidamente investigado nem apurado pelas autoridades.

Extorsão ou jogando conversa fora?

O áudio foi distribuído junto com cinco páginas de transcrição, identificando os interlocutores e demonstrando claramente que a circulação tinha o intento de desqualificar ambos. Na conversa eles falam sobre vários políticos e como funcionaria o impeachment. Ao que tudo indica, o diálogo foi gravado em um fim de semana, pois em determinado ponto da conversa Maurão afirma que “na segunda-feira vai conversar com Confúcio”. O áudio, ao que tudo indica, vazou antes.

O que aconteceu na semana passada

Havia um acordo, pré-estabelecido entre Daniel Pereira, vice-governador e o governador Confúcio Moura para uma transição. Confúcio deu carta branca a Pereira para que fossem feitas nomeações no governo, “as mudanças que Daniel achasse necessárias”. Foram trocados, com aval de Confúcio, o comando geral da Polícia Militar e o diretor do Departamento de Estradas e Rodagens (DER). Na quarta-feira pela manhã Confúcio esteve reunido com Pereira e trataram de alguns assuntos, entre eles, que o governador deixaria o cargo no dia 12 de março, segunda-feira próxima e se dedicaria à campanha eleitoral. No sábado, Daniel esteve em Brasília participando do encontro nacional do PSB e foi surpreendido com a notícia, vazada em primeira mão por um site supostamente ligado ao Chefe da Casa Civil, Emerson Castro, que Confúcio não iria mais renunciar e que ele demitiria os indicados por Pereira, o que de fato aconteceu. Tudo isso, sem nenhum tipo de comunicado oficial ao vice-governador, que acompanhou a movimentação pela imprensa.

Vice-governador Daniel Pereira

Como isso afeta o cenário eleitoral?

Maurão de Carvalho ingressou no MDB ainda em 2016 à convite de Confúcio Moura e do senador Valdir Raupp com a promessa de que seria candidato do partido em 2018 ao governo e desde então ele vem se comportando como tal. Mas, vinha causando estranheza a Maurão e seus aliados, o fato do governador não abraçar publicamente sua campanha, mesmo Maurão aprovando sem nenhum questionamento, todos os projetos encaminhados pelo Executivo à Assembleia. O parlamentar sempre alegou que “não se tratava de questão de partidária, e sim de tentar manter a harmonia entre os poderes”. Por diversas ocasiões Confúcio elogiou a atitude e fidelidade de Maurão em relação a isso.

No fim de novembro do ano passado, Maurão realizou um jantar em sua casa e convidou a cúpula do MDB, inclusive Confúcio, para “bater o martelo em torno de sua candidatura”. Para Maurão estava tudo certo. Mas não para o governador, que tinha como projeto lançar a candidatura do atual secretário de Finanças, Wagner de Freitas a governador pela legenda. Na semana passada, Confúcio sugeriu a Daniel Pereira que aceitasse Wagner como vice, em uma chapa para disputar o governo.

Também na semana passada, a coluna PAINEL POLÍTICO, editada pelo jornalista Alan Alex, sugeriu que Maurão passasse a ser protagonista de sua própria candidatura, e tomasse as rédeas junto à direção do MDB e cobrasse um posicionamento claro de Confúcio Moura. Nos dias posteriores à publicação, Maurão passou a endurecer seu posicionamento em relação ao governo. No dia seguinte à publicação, o Chefe da Casa Civil passou quase duas horas em conversa com Maurão na Assembleia, tentando conciliar um acordo.

Governador Confúcio Moura

E quem gravou?

O áudio sugere que haviam apenas duas pessoas na sala, Maurão e Jesuíno. Em determinado momento, é possível ouvir Maurão entrando em um banheiro, e prosseguindo a conversa. Maurão alega que não se recorda quando foi o diálogo, assim como Jesuíno. Segundo eles, tratava-se apenas de “conversa fiada”. Nesta terça-feira, após a repercussão do áudio, Maurão alegou que pretende abrir uma CPI para investigar a gravação.

O vice-governador, Daniel Pereira, citado várias vezes no áudio, afirmou que vai encaminhar a gravação às autoridades competentes e o pré-candidato ao governo, pelo REDE, Vinicius Raduan afirmou que pretende protocolar um pedido de afastamento de Maurão de Carvalho e Jesuíno Boabaid. Até o momento, atribui-se a gravação ao Chefe da Casa Civil ou ao próprio Jesuíno.

Chefe da Casa Civil Emerson Castro

E as eleições?

O deputado federal Lúcio Mosquini, que integra o grupo de Confúcio Moura dentro do MDB, afirmou a POLÍTICO! que “fica difícil apoiar a candidatura de Maurão no partido, depois que ele tramou um impeachment de Confúcio”. O senador Valdir Raupp, procurado por POLÍTICO! preferiu não se manifestar, “é tudo que ele não quer falar no momento”, declarou um assessor próximo ao parlamentar.

Maurão relata no diálogo que teria apoio de grande parte do MDB, caso resolvesse dar prosseguimento a um afastamento de Confúcio, mas pelo jeito, o apoio que ele tinha, não existe mais. Maurão ainda tem tempo para migrar para outra legenda, caso a situação interna se agrave.

O vice-governador Daniel Pereira afirmou que no sábado seu partido deve realizar um encontro em Vilhena, onde ele pretende colocar seu nome como candidato ao governo, caso o senador Acir Gurgacz (PDT) não seja candidato, “tenho um compromisso com Acir e nunca escondi. Se ele for candidato, eu ajudo na campanha dele, se ele não sair, eu lanço a minha candidatura”. Daniel Pereira é citado por Maurão e Jesuíno como “perigoso, pois está crescendo muito nas pesquisas”.

Alan Alex
Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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