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Sérgio Côrtes diz que empresário virou ‘contribuinte’ de Cabral e Pezão

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O ex-secretário estadual de saúde de Sérgio Cabral (PMDB), Sérgio Côrtes, disse nesta sexta-feira que um empresário que forneceu contêineres para o governo do Estado do Rio virou “contribuinte” do atual governador, Luiz Fernando Pezão (PMDB), e o ex, Sérgio Cabral (PMDB), atualmente preso em Curitiba. Ele afirmou também que considera “contribuição” propina.

A afirmação aconteceu durante depoimento nesta sexta-feira (2) ao juiz Marcelo Bretas, na Justiça Federal. A audiência faz parte da Operação Fatura Exposta.

Segundo Côrtes, o atual governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) o apresentou a um empresário de Barra do Piraí, cidade de Pezão, para fabricar contêineres de UPAs para a pasta que presidia. Após o fornecimento, disse Côrtes, o empresário chamado Ronald Carvalho teria virado “contribuinte” de Sérgio Cabral e Pezão.

“O Ronald Carvalho virou um contribuinte do (então) governador (Cabral) e do próprio (então) vice-governador (Pezão)”, afirmou.

Ao abrir o interrogatório, Côrtes esclareceu: “Toda vez que eu falar contribuição estou falando de propina”.

O ex-secretário admitiu ter recebido propina, mas nega superfaturamentos. Segundo ele, recebia valores viciando licitações com grandes empresas, que seriam as melhores, e fabricavam em grande escala. Com isso, diz Côrtes, os produtos saíam mais barato.
Na investigação, os procuradores acusam o ex-governador de liderar a organização criminosa que desviou R$ 300 milhões da Saúde. O valor representa 10% de contratos nacionais e internacionais, divididos como propina entre os integrantes da quadrilha. Côrtes e Cabral negam.

Sérgio Cabral ficaria com 5%; Sérgio Côrtes, com 2%. O restante seria dividido entre o subsecretário de saúde, Cesar Romero, e o Tribunal de Contas do Estado (TCE).
Côrtes foi um dos integrantes do grupo que participou do episódio conhecido como “farra dos guardanapos”. Na ocasião, em 2009, outros acusados de envolvimento em esquemas de corrupção foram fotografados em Paris usando guardanapos amarrados na cabeça.
Para o MPF, a “farra dos guardanapos” pode ter sido uma celebração antecipada da organização criminosa com a vitória da Rio-2016, vislumbrando novos desvios de verba pública.

‘Me deixei levar pelo poder’

Em seu depoimento, ele chegou a afirmar que provocou a “maior revolução que teve na área da Saúde” e que houve avanços “ancorados na corrupção”. Por isso, se disse arrependido pelos meios utilizados.

“Me deixei levar pelo poder, pela circunstância e tinha certreza de impunidade. Mas esse dinheiro ilícito que recebi, de alguma maneira, me incomodava”, disse ele.

Alan Alex
Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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