fbpx
Por que mulheres ganham mais do que homens para atuar em filmes pornôs?

Cauê Muraro, do Portal G1, produziu um material bem completo sobre um tema que sempre passa pela cabeça de algumas pessoas, “porque as mulheres ganham mais que os homens para atuar em filmes pornôs?” Ele falou com atrizes, diretores, produtores e atores para saber por que elas faturam mais (em geral, o dobro). Os principais motivos citados foram estes:

  • as atrizes têm exposição muito maior diante das câmeras, com closes constantes etc. Aliás, a palavra “exposição” foi usada por todos os entrevistados;
  • fora das câmeras, a exposição também é maior: atrizes sofrem mais com preconceito da sociedade; por causa do machismo, estão mais sujeitas a constrangimento, como se para elas fazer pornô pegasse mal, ao contrário dos homens;
  • o público desses filmes é predominante masculino, portanto as atrizes são o principal atrativo;
  • é a mesma lógica da indústria da moda e da beleza: as modelos são as grandes estrelas, não os modelos;
  • na gravação das cenas, o desgaste físico das atrizes é maior que o dos atores;
  • para elas, a preparação antes de entrar em cena exige mais, com sessões de maquiagem, de foto, vídeos sensuais, enquanto o trabalho dos homens é, em tese, mais fácil;
  • há mais homens dispostos a trabalhar nesse mercado do que mulheres;
  • os remédios para disfunção erétil, em teoria, facilitam o desempenho dos atores, exigindo menos da performance deles.
    Mas será que essa diferença de salário tem a ver com a ideia de que, para as atrizes, trata-se de um trabalho mesmo, que exige esforço, enquanto para os atores tudo não passaria de diversão?

“Acho que a mulher também carrega um fardo maior, principalmente aqui no Brasil. Então, acho justo uma atriz ser melhor remunerada do que o ator”, afirma Angel Lima, de 27 anos e mais de cem filmes no currículo. Uma das principais atrizes em atividade no país, ela é ganhadora do Prêmio Sexy Hot, o chamado “Oscar pornô brasileiro”.

Outra vencedora do troféu, Fabi Thompson, de 34 anos e também com uma centena de produções, concorda: “É justo, porque neste caso a mulher é muito mais mal vista, em qualquer situação. A exposição maior é totalmente da mulher”.

Emme White nas gravações de ‘Urbex fuckers’ (Foto: Divulgação/Sexy Hot)

Mayanna Rodrigues, de 31 anos e atriz desde 2005, ressalta que “a mulher acaba sendo muito ativa em cena, no caso da atuação”.

“Porque ela tem que fazer várias coisas: oral, vaginal, anal… Então, o desgaste é muito maior, tanto de imagem quanto físico. Isso é aqui no Brasil e lá fora também. É um meio de o mercado manter as coisas equilibradas pela exposição.”

Patrícia Kimberly, de 34 anos e atuando desde 2005 (já apareceu em mais de 50 filmes), conta que “normalmente, os atores ganham metade do cachê das mulheres”. “E as atrizes fazem maquiagem, tem o ‘videozinho’ sensual, fotos. O ator chega lá, faz a cena e acabou.”

Emme White, de 37 anos e que faz filmes há dois, acredita que as atrizes pornôs ganham mais “talvez por um resquício machista, ainda, de achar que a mulher estaria se expondo mais do que o homem”.

Ainda que recebam mais que os parceiros de cena, todas reconhecem que os bons e velhos tempos ficaram para trás. Os entrevistados traçam uma linha do mercado nacional que marca ou auge entre 2004 e 2007, com celebridades participando de filmes e vendas de DVDs em bancas de jornal. Por volta de 2010, a pirataria on-line ganhou força e reduziu drasticamente o número de produtoras e ofertas de trabalho.

Para ler a reportagem completa, CLIQUE AQUI

Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

Deixe uma resposta