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Por suspeita de propina, cônsul da Grécia está proibido de sair do Brasil

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Konstantinos Kotronakis, honorário no Rio, é alvo da Operação Sem Fronteiras, nova etapa da Lava Jato, por suspeita de propinas em contratos de fretamento de navios por armadores gregos

O juiz federal Sérgio Moro proibiu o cônsul honorário da Grécia no Rio, Konstantinos Georgios Kotronakis, alvo da Operação Sem Fronteiras – deflagrada nesta sexta-feira, 18 -, de deixar entregar o passaporte. O magistrado determinou que a Delegacia da Polícia Federal de Fronteiras anote a proibição imposta a Konstantinos de deixar o país.

O cônsul é investigado na Operação Lava Jato. A força-tarefa apura uma suposta facilitação da contratação de armadores gregos para o fretamento de navios, tendo como contrapartida o pagamento de propinas.

O Ministério Público Federal havia pedido a prisão preventiva do cônsul. Moro afirmou que eram ‘cabíveis tanto a prisão preventiva como a temporária’, mas decidiu substituir ‘as medidas mais drásticas por cautelares alternativas’.

Moro determinou que fosse encaminhada à Embaixada da Grécia em Brasília uma cópia da decisão ‘para ciência da restrição, ainda que limitada, imposta ao cônsul honorário’.

O magistrado não autorizou buscas no Consulado da Grécia no Rio de Janeiro, ‘local de trabalho de Konstantinos’. O juiz da Lava Jato expediu ordens judiciais para duas residências do cônsul, em São Paulo e no Rio, e outros quatros endereços ligados ao grego.

Paulo Roberto Costa delatou o cônsul grego

A Sem Fronteiras teve início a partir da delação do ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa e se desenvolveu com a análise de materiais apreendidos na 13ª fase da Lava Jato, de provas obtidas mediante a realização de quebras de sigilo bancário, fiscal, de dados telemáticos e registros telefônicos e de cooperação jurídica internacional.

Segundo o Ministério Público Federal, as apurações apontam que Paulo Roberto ajustou com o cônsul um esquema de facilitação de contratação de navios gregos, mediante o fornecimento de informações privilegiadas e o pagamento de propinas.

Esse esquema, afirma a força-tarefa, era efetivado, num primeiro momento (2008 a 2010), pela intermediação do operador Henry Hoyer de Carvalho, que já havia sido alvo da 13ª fase da Lava Jato, e, posteriormente, por intermédio de uma empresa de brokeragem constituída na Inglaterra e pertencente a Georgios Kotronakis, filho de Konstantinos;

Os grupos Tsakos e Aegean, dos quais Konstantinos Kotronakis é, respectivamente, diretor e sócio-administrador, além das empresas Dynacom Tankers Management, Galbraiths e Dorian Hellas, com as quais o cônsul grego ostenta vínculos indiretos, formalizaram contratos de afretamento com a Petrobrás, entre os anos de 2009 a 2013, em valores que superam US$ 500 milhões.

Leia a reportagem completa de Julia Affonso, Luiz Vassallo e Ricardo Brandt no Estadão

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