Porque precisamos da terceirização no serviço público – Alan Alex

Vivemos uma encruzilhada no Brasil atualmente. A crise nos faz refletir sobre os gastos exagerados da máquina pública. Enquanto empresas reduzem ao máximo suas despesas com cortes de pessoal, o governo vai na contramão, ao propor concursos públicos para as mais diversas áreas com salários altíssimos, o “brazilian dream”. Há pelo menos três gerações que as famílias brasileiras educam seus filhos para que se tornem barnabés e consigam a tão sonhada “estabilidade”. Mas isso vem custando caro ao país e a conta não está mais fechando.

O Brasil precisa terceirizar. Não dá mais para fazer concurso público para “auxiliar de serviços gerais” ou “auxiliar técnico”. Apenas cargos em primeiro escalão, e em alguns casos, deveriam ser por concurso. Um exemplo disso são os ministérios públicos. Bastariam alguns promotores para tocar toda a estrutura, os cargos técnicos (auxiliar, investigação, informática, etc) poderiam (e deveriam) ser terceirizados. Isso representaria uma economia milionária. O funcionário terceirizado é um funcionário de empresa, ele produz ou produz. Me perdoem, mas grande parte do serviço público se torna ineficaz por causa da burocracia, da politicagem salarial, da certeza da estabilidade. No mundo atual, não temos mais espaço para coisas lentas e burocráticas, criam-se dificuldades para vender facilidades.

Em países com os Estados Unidos, tanto a promotoria quanto a defensoria pública são cargos eletivos. O promotor que realiza um bom trabalho normalmente se candidata a outros cargos. Quem, não se lembra de Rudolph Giulianni, que antes de ser prefeito de Nova York foi promotor e graças a sua atuação na função conseguiu projeção para disputar a prefeitura. Nos EUA promotor que mostra serviço é reconhecido pela população. No Brasil apesar de aparente “independência” do MP, estamos nas mãos dos procuradores gerais, que decidem o que vai para a gaveta e o que é investigado.

O judiciário é outro exemplo de gastos exorbitantes, tanto com pessoal quanto com estruturas físicas. E nunca é suficiente, por mais que se contrate, construa ou alugue. Um poder que deveria ser ágil, responder rapidamente aos avanços que a sociedade requer, é engessado não consegue se modernizar. Cerca de 70% dos cargos técnicos poderiam ser extintos e terceirizados.

Um exemplo da problemática enfrentada por estados e municípios são as frotas de veículos e máquinas pesadas. Em estados mais desenvolvidos da região sudeste isso não ocorre (ou acontece com frequência bem menor), mas principalmente no Norte, onde estradas vicinais estão sempre em péssimas condições ou grande parte das cidades ainda não contam com asfalto, esse problema é comum, o sucateamento da frota e e dificuldade em dar manutenção.

Se uma prefeitura aluga equipamento, o valor pago por esse serviço é infinitamente mais em conta (custo/benefício) que comprar; Um trator de esteira, por exemplo, custa digamos, R$ 600 mil. Ele vai operar por seis meses a um ano, daí quebra por algum motivo (normalmente mau uso). O conserto vai custar em torno de R$ 10 a 50 mil, dependendo da peça. O equipamento fica parado durante esse tempo (prejuízo, porque o operador também fica parado recebendo salário). Se o mesmo equipamento for locado, o sistema não para. A empresa tem que resolver, sob pena de responder a uma série de sanções. Comprar carros e maquinário é burrice.

E não, não adianta querer me queimar na fogueira por falar essas coisas. É uma constatação óbvia, nossa máquina é inchada, inoperante e vai continuar dessa forma enquanto o Brasil for um país de servidores públicos. Precisamos ser um país eficiente, só assim poderemos ser, de fato, um país de todos.

É jornalista e editor do site www.painelpolitico.com

Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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