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Possível apoio de senador rondoniense à Dilma revolta eleitores nas redes sociais

Acir Gurgacz é o único dos três que ainda não definiu posição. Como candidato recebeu quase R$ 1 milhão da Odebrecht e JBS em 2014

Desde que teve início a discussão sobre o impeachment da presidente Dilma Rousseff que o senador Acir Gurgacz vem ficando em uma situação difícil. Aliado de primeira hora do Partido dos Trabalhadores no Estado, cuja história política se confunde com a dele próprio, Gurgacz vem tentando se manter distante do foco das discussões sobre o tema.

Ainda em novembro de 2015 Acir recebeu a difícil incumbência de relatar as chamadas “pedaladas fiscais” que haviam sido apontadas como “criminosas” pelo Tribunal de Contas da União. Mesmo assim, em 22 de dezembro do ano passado, ele recomendou a aprovação das contas da presidente, contrariando a decisão do TCU. O relatório apresentado pelo senador rondoniense admitia que as “pedaladas fiscais” do governo federal em 2014 (manobras contábeis para atrasar o pagamento de operações do Tesouro com bancos públicos) foram irregularidades, mas ponderou que elas não justificavam a reprovação das contas e nem constituíam crimes de responsabilidade. Ele estava errado. Em 17 de abril deste ano, em votação histórica, a Câmara dos Deputados aprovou o prosseguimento do processo de impeachment contra Dilma Rousseff exatamente por causa dessas pedaladas.

Na ocasião que Gurgacz apresentou o relatório, o deputado Domingos Sávio (PSDB-MG) compareceu à sessão e criticou o texto do senador rondoniense. Para Sávio, a decisão de aprovar as contas presidenciais de 2014 é “repugnante” e prejudica a estabilidade institucional e econômica do Brasil.

— É um desserviço ao país e um serviço ao governo. É algo extremamente grave. Estamos rasgando a Lei de Responsabilidade Fiscal e a Constituição. Para salvar uma presidente, ignoramos o país.

Na segunda feira (18), ao ser questionado pelo jornal Estadão de São Paulo sobre seu posicionamento neste momento decisivo, Gurgacz preferiu não divulgar sua opinião, se colocando entre os 10 senadores que não responderam. Neste “time” também está o Presidente do Senado, Senador Renan Calheiros e o ex-presidente que também sofreu impeachment em 1992, Fernando Collor. De acordo com o referido levantamento, 46 Senadores são a favor da admissibilidade do impeachment, cinco estão em indecisos, 10 não quiseram responder e 20 são totalmente contra.

Senador não respondeu ao Estadão
Senador não respondeu ao Estadão

A indecisão de Gurgacz em relação ao assunto vem gerando cobranças dos eleitores nas redes sociais. Na página pessoal do senador no Facebook, vários já cobram uma definição.

Internauta cobra senador
Internauta cobra senador
Internauta cobra senador
Internauta cobra senador

Gurgacz é um dos possíveis nomes a disputar o governo de Rondônia em 2018. Seu mandato no Senado vai até 2022.

História política

Acir Gurgacz foi prefeito de Ji-Paraná em uma aliança com o Partido dos Trabalhadores em 2000. Foi candidato ao governo em 2002, ficando em terceira colocação. Em 2006 foi candidato ao senado com apoio de última hora do PT e conseguiu ser finalmente eleito em 2014, em uma coligação com os partidos PMDB / PDT / PSB / PTN / PTB / PC do B / PRTB / PSL / PRP, grupo que apoiava a candidatura de Dilma Roussef. Gurgacz recebeu ainda doação de campanha da construtora Norberto Odebrecht no valor de R$ 100 mil e R$ 832 mil do Grupo JBS Friboi, conforme consta na prestação de contas da campanha de 2014.

Gurgacz em publicidade na campanha de 2014 aparece ao lado da presidente Dilma Rousseff
Gurgacz em publicidade na campanha de 2014 aparece ao lado da presidente Dilma Rousseff
Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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