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Prefeitura realiza estudo sobre mobilidade urbana

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A Prefeitura de Porto Velho está realizando um grande estudo sobre mobilidade urbana na cidade, tendo como principais pontos para análise o transporte público, o trânsito, as calçadas e as ciclovias. Cerca de 50 agentes, entre servidores municipais e profissionais da Logitrans, empresa contratada para dar suporte técnico aos trabalhos, estarão envolvidos com levantamentos, entrevistas, pesquisas e análises de dados até o dia 30 de novembro, quando os resultados devem ser encaminhados à Secretaria Municipal de Transportes e Trânsito (Semtran), órgão responsável pela coordenação geral das atividades.  A Logitrans é uma empresa sediada em Curitiba e desde 1997 tem realizado relevantes estudos sobre transporte e mobilidade urbana em mais de duzentas cidades brasileiras.

Seus serviços na Colômbia e no México mereceram grande reconhecido e ela também tem atuado em outros dez países. “A empresa, portanto possui grande experiência nesse ramo”, esclareceu Carlos Guimarães, secretário adjunto da Semtran.

Transporte Público

Na sexta-feira (11) encerrou-se o estudo denominado Interesses de Viagem. Esse tipo de pesquisa é realizada por meio de entrevistas diretas aos usuários com a finalidade de se levantar as  principais linhas de deslocamentos da população. “Os dados serão analisados por meio de um software que transforma as informações numa nuvem de pontos e passa a fazer toda a modelagem das linhas. Ele também calcula o tempo de deslocamentos nos trechos mais importantes segundo os interesses da população. A partir dessas informações serão geradas proposições quanto à criação de novas linhas, formação de novos corredores e necessidades de possíveis aumentos de frota para atender a pontos especificados como de maior interesse”, explicou Ricardo Alexandre, engenheiro residente da Logitrans. Ele também ressaltou que uma nova modalidade de pesquisa se inicia na terça-feira (15) para observar se as empresas de ônibus estão cumprindo seus horários e qual o nível de lotação dos ônibus. Será verificado em quais linhas e horários eles estão mais cheios ou mais vazios e se há quantidade suficiente, insuficiente ou além da medida necessária para aquelas linhas e horários.

Calçamento

Segundo Vinícius Albuquerque, arquiteto e técnico do Departamento de Gestão Urbana da Secretaria Municipal de Planejamento (DGU–Sempla), para os estudos sobre as calçadas estão sendo feitos levantamentos topográficos com o intuito de conhecer os principais tipos de obstáculos. O propósito final é um padrão para as calçadas da cidade em conformidade às Leis Nacionais de Transporte. “Estamos utilizando ferramentas de última geração para fazer o mapeamento das calçadas. Num trecho de rua são identificados postes, bocas de lobo, a curvatura do meio fio, as lixeiras, enfim, os diversos tipos de barreiras que existem. Após as análises, vamos apresentar um projeto para um traçado adequado segundo as divisões corretas em área de serviço, passeio e acesso”, informou o arquiteto, que também explicou que área de serviço é onde ficam aparelhos públicos como postes, orelhões e lixeiras e outros, área de passeio são os espaços em que não pode haver nenhum tipo de obstáculo porque servem para a passagem livre das pessoas e área de acesso são os espaços de ligações dos terrenos com o passeio.

Os estudos sobre as calçadas devem promover grandes mudanças na cidade. O município já dispõe de recursos federais para iniciar as obras de calçamento e também poderá contar com a arrecadação de taxas para o provimento financeiro das obras. “Isso ainda será tratado devidamente pelo prefeito no momento oportuno. De nossa parte, queremos concluir tudo até o dia 30 de novembro, a fim de que os projetos básicos sejam encaminhados. Após isso, a Prefeitura deve entrar na fase de licitação para as obras”, destacou Guimarães.

Ciclovias

Na pesquisa sobre ciclovias, observou-se que a única existente num trecho da Rua José Vieira Caúla entre Guaporé e Mamoré, e que segue pela Mamoré até a Rio de Janeiro, não tem sido utilizada pelos ciclistas. Existem também duas ciclofaixas, uma na Rua Raimundo Cantuária e outra num trecho da Estrada de Santo Antônio, entre o Cemitério e o Residencial Tom Jobim. “A única ciclovia da cidade tem sido vista como se fosse uma extensão da calçada. Entre os 9.800 metros de vias para atender ciclistas, muito pouco têm tido uso adequado. Os estudos estão sendo feitos para que se possa propor a ampliação dessa malha”, ressaltou Albuquerque.

“A observação do perfil de uso é um tipo de levantamento pelo qual se pode perceber como as pessoas utilizam as bicicletas como meio de transporte. Pelo que se percebeu, quase sempre o uso é localizado nas áreas próximas às residências. Não se tem observado muito a utilização delas para idas à área central da cidade. O estudo leva em consideração questões como o clima, a proximidade dos locais de trabalho e das escolas e ainda outros fatores importantes para se pensar numa malha viária apropriada aos padrões de Porto Velho. Tradicionalmente, o trânsito não tem acolhido bem ao ciclista, por isso é preciso pensar também numa educação apropriada para o acolhimento desse público”, frisou o engenheiro da Logitrans.

Trânsito

Nos estudos gerais sobre as condições do trânsito estão sendo levantados os pontos críticos da cidade, os cruzamentos com maior incidência de acidentes e a contagem volumétrica de veículos. Simulações sobre como poderiam ser mudados o sistema semafórico, aplicados sistemas rotatórios ou sobre outras medidas que poderiam ser adotadas são realizadas por meio dos programas disponibilizados no estudo, que também apontam as melhores alternativas.

“Segundo as observações realizadas até este ponto, os maiores entraves para a mobilidade urbana podem ser apontados com a precariedade do transporte público, a obstrução de calçadas e a deficiência de educação no transito. A questão da educação envolve desobediência às leis, comportamento inadequados como parar em filas duplas, fazer ultrapassagens arriscadas enfim, muito dessas atitudes  precisariam ser modificadas para a melhoria geral do trânsito em Porto Velho”, observou Éverton Kemp, coordenador de Trânsito, da Semtran.

Ainda de acordo com as previsões dos técnicos, os estudos devem levantar algumas resistências por envolverem interesses muito diversificados, mas acredita-se que a população deverá apoiar as mudanças assim que começarem a perceber melhoras no conjunto da mobilidade urbana. O prazo de entrega das análises, relatórios, orçamentos parciais e proposições de mudanças é no dia 30 de novembro, quando tudo será  encaminhado definitivamente à Semtran.

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