Preso no Brasil tem direito demais, dever de menos e vive como animal

Celas imundas, superlotadas e tempo ocioso fazem parte da rotina; sociedade ignora e aplaude chacinas

Brasília – O tema é antigo e sempre que ocorrem rebeliões volta à pauta e é quando todos lembram dos presos. A fórmula para resolver é relativamente simples e vem daquela máxima, “o trabalho enobrece o homem”, mas ela é sistematicamente ignorada pelo poder público, que insiste em manter os presos ociosos.

Os presídios brasileiros seguem o mesmo padrão, celas superlotadas, presos dominando os pavilhões e uma rotina de ociosidade, violência física, abusos sexuais e psicológicos e claro, uma graduação na vida criminosa. O preso que passa pelo sistema é cooptado por facções criminosas e é inserido em uma sociedade que vive à margem da nossa. Eles pagam por isso e em troca suas famílias recebem todo apoio necessário da parte desse “paraestado”.

Amparados por uma legislação branda, com custos altíssimos para a sociedade, preso no Brasil tem celular na cadeia, drogas, bebidas, cinco refeições diárias com cardápio elaborado por nutricionistas e visitas íntimas. Em um país desigual como o nosso, onde grande parte da população mal consegue fazer três refeições diárias, chega a ser um acinte ver um criminoso que tirou vidas, que estuprou, roubou ter toda essa “mordomia”. Tudo isso, verificado e fiscalizado com rigor por comissões de direitos humanos, entidades religiosas, ONGs e associações que garantem a rotina de alimentação e direitos desses apenados.

Preso no Brasil deveria trabalhar. No mínimo 8 horas por dia, deveriam ser responsáveis por produzir sua própria alimentação, lavar roupas, fazer trabalhos externos como manutenção e limpeza de rodovias e com correntes sim, nos pés. Isso não “fere a dignidade humana”, serve para lembrar o sujeito que ele cometeu um crime, está trabalhando forçado para pagar sua dívida com a sociedade e ajudando a diminuir os custos de sua própria manutenção. O massacre que ocorreu em Manaus serviu para mostrar que a ociosidade é a mão de todo mal, já diziam os antigos, “mente desocupada é oficina do diabo”.

Enquanto o Estado brasileiro não encarar esse problema de frente, tratar preso com dignidade, melhorando a estrutura carcerária e investindo em ressocialização, continuaremos tendo rebeliões e massacres e as organizações criminosas, conhecidas como “facções” crescendo cada vez mais. Estrutura organizada eles já tem, recursos não faltam, falta o Estado criar vergonha na cara e trabalhar por uma reforma no sistema penal brasileiro. Audiência de custódia não vai resolver o problema, o que vai resolver é colocar preso para trabalhar.

A sociedade agradece.

News Reporter
Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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