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Previsão do tempo: Chuvas torrenciais – Fábio Marques

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O aditivo ao Tratado de Petrópolis de 1966 que culminou na construção da BR 425, focalizou as diversas situações municipais à época e visava promover a ocupação e integração de Brasil e Bolívia ao sistema de produção agrícola, fomentar a agroindústria voltada para matérias primas locais, estimular o turismo, fortalecer o comércio de fronteira e consolidar a interligação entre os dois países através de um corredor de exportação.
Hoje, passados 48 anos do acordo bi-lateral, estamos a volta com a mais terrível crise nunca antes vivida. Estamos diante de um flagelo social sem registro na história da cidade. Isolada do restante do Brasil em conseqüência das chuvas torrenciais constantes do inverno, a rodovia que abastecia a cidade com alimentos, energia, transporte de turistas, usuários das empresas de locomoção ou proprietários de automóveis, não existe mais. Não existe mais estrada de rodagem.

A inundação que se apoderou da rodovia e transformou num oceano locais e lugares aonde antes havia florestas e povoados, além de impedir o tráfego entre Guajará-Mirim e Porto Velho, acabou trazendo imensos prejuízos para toda a população.

Guajará está ilhada e com sua população passando miséria e aperreios. A cidade carece de produtos básicos. Está faltando de tudo, desde gêneros essenciais como água potável, até supérfluos como shampoos e amaciantes. A situação é gravísssima e a tendência é que se agrave ainda mais. Segundo técnicos, o tráfego de veículos na BR 425 só vai se normalizar em noventa dias. E na própria cidade a situação de tráfego também não é das melhores. Melhor dizendo, não existem condições de trânsito. As ruas estão repletas de buracos, lamaçais e atoleiros que oferecem perigo constante para pedestres, ciclistas e motoristas.

Afora o espectro mostrado, a cidade ainda vem sofrendo com o arrocho imposto pela Polícia Federal e pela Receita Federal que procuram inibir ao máximo o comércio “formiga” de gêneros que estão faltando na cidade. Todos sabemos que há tempos a prefeitura não oferece apoio e incentivo para o agronegócio familiar. Por isso a maioria das frutas e verduras vendidas no comércio local, são produtos advindos do sul do país. Outras hortaliças como Cebola roxa, alho, batata, feijão, castanha e temperos como cominho, pimenta “locoto” e “chimichurry” são comprados das “collas” bolivianas que trabalham nas cercanias do mercado Municipal.

Mas o pior de tudo é o festival de teorias e especulações que estão tomado conta das conversas, algumas apocalípticas e que colocam pânico na população e outras pautadas pela ignorância e que apelam para fatores bíblicos que anunciam uma nova edição do dilúvio divino como castigo para os maus-tratos do ser humano ao meio ambiente. Puro alarmismo. O fenômeno climático que ora ocorre foi causado pelas avalanches pluviométricas que tomaram de assalto as cabeceiras do Rio Beni e Madre de Dios, ambos em países vizinhos.

Pra terminar, a solução para a catástrofe não depende de rubricas daqueles que ora se anunciam como partícipes da Defesa Civil. O cidadão que paga seus impostos está querendo uma infra-estrutura que garanta socorros em casos de desastres naturais. E isto quem irá lhes garantir nesta situação são os bombeiros, paramédicos e forças armadas e não “metidos a bestas” que elaboram receitas abstratas em conversas nas salas especiais de governos.

Fábio Marques é jornalista em Guajará-Mirim

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