Prisão intensificará atos pró-Lula; militância não descarta protesto no domingo

O pedido de prisão preventiva de Luiz Inácio Lula da Silva pelo Ministério Público do Estado de São Paulo elevou ao máximo o estado de alerta da militância do PT e dos militantes ligados ao Partido dos Trabalhadores, na noite de quinta-feira (10). Lideranças sindicais consultadas pelo iG garantem que os protestos de rua irão se intensifcar como nunca caso a Justiça acate o pedido da promotoria. E não descartam manifestações no próximo domingo (13), quando grupos apoiados pela oposição ao governo federal fazem atos pelo impeachment de Dilma Rousseff da Presidência da República em mais de 350 cidades do País – além de outros 18 eventos no exterior.

Na quinta-feira (10), uma reunião de emergência foi convocada pela Frente Brasil Popular para discutir os próximos passos da militância a partir do momento em que o MP pediu a prisão do maior símbolo do PT por falsidade ideológica relacionada ao apartamento tríplex no litoral paulista com o qual Lula teria sido beneficiado por empreiteiras ligadas à corrupção na Petrobras. Fundado em setembro passado, o grupo reúne 65 entidades sindicais, legendas partidárias e movimentos sociais ligados ao partido de Dilma, incluindo o próprio PT, o PCdoB, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a União Nacional dos Estudantes (UNE).

Ao mesmo tempo, o PT se mantinha em estado de mobilização permanente ao longo da noite, concentrando suas lideranças nos diretórios estaduais do partido em São Paulo e em Brasília para aguardar o desenrolar dos fatos a fim de definir a estratégia para defender o ex-presidente. A orientação, tanto aos militantes do partido quanto a seus aliados, seria definir os rumos coletivamente e evitar possíveis protestos isolados, que podem levar a conflitos com grupos anti-Dilma como os que ocorreram quando Lula foi depor no Fórum da Barra Funda, em 17 de fevereiro, e na última sexta-feira (4), data em que o petista foi obrigado a depor – condução coercitiva – na Polícia Federal.

PM em estado de alerta
O risco de conflitos levou a Polícia Militar de ao menos seis capitais, além do Distrito Federal, a confirmar o reforço do efetivo ao longo de todo o domingo, independente da confirmação de atos pró-PT, que, a princípio, podem ocorrer de forma isolada. Antes mesmo do pedido do MP, o secretário da Segurança Pública de São Paulo, Alexandre de Moraes, já havia anunciado um plano para evitar que houvesse qualquer encontro entre os grupos antagônicos, garantindo que a PM iria isolá-los uns dos outros. As polícias também têm preocupação com a possibilidade de confusões no Recife, Belo Horizonte, Brasília e São Luís, cidades onde seriam realizados atos em defesa do governo federal, subitamente cancelados na quinta-feira sob a justificativa de risco de violência.

Em Porto Alegre, única capital que na noite de quinta-feira ainda confirmava abertamente protesto em defesa do PT para domingo, a Secretaria da Segurança Pública do Rio Grande do Sul afirma que o planejamento para as ações “contempla todas as possibilidades em caso de necessidade de ação”. A Frente Brasil Popular gaúcha admite ter procurado o órgão devido à sua preocupação com os conflito contra seu protesto por parte da militância anti-governo. “Pedimos ao secretário [Wantuir Francisco Brasil Jacini] para que adote providências no sentido de proteger o protesto. Temos de evitar o contato físico dos grupos de qualquer maneira. A possibilidade de confronto é preocupante”, diz Milton Viario, coordenador do grupo no Estado, que aguarda ao menos cinco mil pessoas em seu ato.

Coordenador nacional da Frente Brasil Popular, o sindicalista Raimundo Bonfim avalia que, apesar de a orientação do grupo ser a de evitar as ruas no domingo, o pedido de prisão preventiva de Lula, aliado a declarações do governo paulista ao longo da semana proibindo movimentos pró-PT de se reunirem nos mesmos locais dos contrários ao partido, deve elevar a indignação da militância, que pode protestar mesmo que uma manifestação oficial não seja convocada. Ao longo da semana, a frente emitiu três notas aconselhando seus seguidores a irem às ruas somente na próxima sexta-feira (18), data em que já estava previsto o ato.

“A gente tem controle sobre as entidades, mas não sobre cada pessoa. O indivíduo que não faz parte das organizações e se sentir indignado pode acabar indo aos protestos. Não tem um Estado ou capital que requeira mais cuidado. A preocupação é geral”, aponta o sindicalista. “Enxergamos que essas medidas, com apoio da imprensa, que estão sendo tomadas são pra potencializar o ato dos golpistas no dia 13”, concorda o presidente da CUT de São Paulo, Douglas Izzo.

Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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