PT no poder em Rondônia, uma história de corrupção e incompetência

Integrantes da legenda estiveram envolvidos ou protagonizaram os principais escândalos de corrupção no Estado

Durante a gestão do ex-prefeito de Porto Velho Roberto Sobrinho (PT) foram cometidos inúmeros crimes, segundo revelaram investigações do Ministério Público do Estado. Uma verdadeira quadrilha se instalou na prefeitura, alguns se locupletaram em silêncio e foram, digamos, menos gananciosos, como o ex-vice prefeito Emerson Castro, que conseguiu a concessão de explorar serviços de um restaurante no distrito de Nova Mutum, construído pelo consórcio

Emerson Castro era vice de Roberto Sobrinho no segundo mandato
Emerson Castro era vice de Roberto Sobrinho no segundo mandato

das usinas do Madeira, além de outros serviços prestados pela empresa de sua esposa (que por coincidência sempre consegue contratos nas pastas que ele ocupa). Outros foram mais afoitos, fizeram uma verdadeira fortuna, chegaram a ser presos, como o ex-presidente da Empresa de Desenvolvimento Urbano (EMDUR), o ex-vereador Mário Sérgio.

Durante as investigações o Ministério Público também prendeu todo o primeiro escalão de Roberto Sobrinho, inclusive o próprio, que foi denunciado essa semana por crimes de de peculato, dispensa ilegal de licitação e falsidade ideológica. Junto com ele vão responder também o então secretário municipal de obras (Semob), Raimundo Marcelo Ferreira Fernandes; o então Procurador-Geral do Município, Mário Jonas Freitas Guterres e, ainda, os seguintes servidores públicos e empresários: Regina Maria Ribeiro Gonzaga, Otávio Justiniano Moreno, Francisco Gomes de Freitas, Eduardo Nunes de Vasconcelos, Rosemeire Bastos, Neyvando dos Santos Silva, Edvan Sobrinho dos Santos, Glaucimara Cella, Lucídio José Cella, Anízio Rodrigues de Carvalho e Marcos Borges Oliveira.


Mas na gestão de Roberto Sobrinho também foram presos o ex-secretário de Projetos Especiais, responsável pelas obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Israel Xavier e sua adjunta na pasta, Silvana Cavol. Foram duas operações simultâneas, a Vórtice e a Endemia, quando foram presos ainda Jair Ramires (Semusb), Emanuel Néri Piedade (quando foi preso ocupava o cargo de secretário Esportes no Estado, mas foi acusado de favorecer empresas quando estava no município) , Robson Rodrigues da Silva (empresário);  Francisco Edwilson Negreiros (atualmente vereador, mas mantinha contratos com a prefeitura na época) Maria Regina Ribeiro Gonzaga; Erenilson Silva Brito; Bárbara Pereira da Silva;  Francisco Datimar Tavares; João Francisco da Costa Chagas Jr.; David Alencar de Matos;  Neyvando dos Santos Silva; Edvan Sobrinho dos Santos; Mírian Saldaña Peres (Chefe de gabinete do prefeito) Joelcimar Sampaio da Silva (era secretário de administração); João Lima de Araújo; Josiane Beatriz Faustino (CPTD); Otávio Justiniano Moreno; Francisco Gomes de Freitas.

As acusações são as mais diversificadas, de direcionamento à licitações, passando por peculato, recebimento de propinas, corrupção. A gestão de Roberto Sobrinho ficou marcada pelo final melancólico, que deixou a cidade destruída e acabou com a auto-estima dos portovelhenses. Ao ser solto, Sobrinho concedeu uma entrevista e se disse “injustiçado”:

 

Mas, como o PT chegou ao poder?

O PT de Rondônia sobreviveu desde sua fundação nos anos 80, pela compaixão de empresários e profissionais liberais que em função de terem vivido os ‘anos de chumbo’ da ditadura militar, flertavam com movimentos de esquerda. Durante a década de 80 o PT local era aquele partido onde os filiados eram sempre candidatos e tinham votações pífias. Com o aumento da popularidade do PT nacional, o PT local também foi tomando corpo. Quando Lula assumiu o governo, Roberto Sobrinho conseguiu que o então prefeito Carlinhos Camurça o autorizasse a ser o representante do cadastramento dos beneficiários do Bolsa Família, programa do governo federal recém-lançado. Isso catapultou o nome de Sobrinho junto as classes menos favorecidas, que acreditavam ter o petista, um ‘canal aberto’ com Lula, então considerado um ‘herói nacional’. Roberto soube aproveitar o momento e contrariando todas as expectativas, venceu as eleições.

Ari Otti tinha razão...
Ari Otti tinha razão…

Mas, durante a campanha eleitoral já deu para ter uma prévia do que viria pela frente. O então professor da Universidade Federal de Rondônia (eleito reitor essa semana), Ari Otti, acusou abertamente o então candidato Roberto Sobrinho de ter plagiado uma tese de mestrado. Segundo o professor, Sobrinho deu um “CRT+C/CRT+V” na tese, e isso, disse Ari Otti na ocasião, “comprova que esse senhor não tem caráter, não pode comandar uma prefeitura”. Ari Ott tinha razão.

Os jornalistas Paulo Andreoli e Alan Alex descobriram em 2011 que o prefeito de Porto Velho tinha uma empresa, em seu nome, que prestava serviços para as usinas do Madeira, locando caminhões caçamba que haviam sido financiados no Bradesco, dando como garantia uma cópia do contrato. A sede da empresa V.R. Madeira (V de Vitor, filho do prefeito e R de Roberto) tinha como sede o endereço residencial de Sobrinho, que sem o menor pudor assumiu ser o proprietário dias depois da denúncia ter sido feita.

Mas ter contratos com as usinas não era exclusividade de Roberto. Conforme relatamos no primeiro parágrafo, o ex vice-prefeito, atual chefe da Casa Civil do Governo do Estado, Emerson Castro também conseguiu, além de vários outros políticos. Até o ex-deputado estadual Maurinho fazia negócios com as usinas, ele vendia cortinados tratados com repelente para mosquitos.

O então Procurador Geral Héverton Aguiar comandou as investigações
O então Procurador Geral Héverton Aguiar comandou as investigações

O pior foi o legado deixado por Sobrinho a cidade que acolheu o paulista que migrou para Rondônia em 1983. A cidade ficou revirada, cheia de obras inacabadas e milhões de reais jogados no lixo. Também ficou a certeza que o PT não tem a menor capacidade administrativa e que seus integrantes, na maioria, não consegue resistir a tentação do dinheiro. E isso não vem de agora. Em 2001, quando era deputado estadual, o atual vice-governador de Rondônia Daniel Pereira era a estrela em ascensão do PT. Ele foi denunciado pelos próprios ‘companheiros’ de partido de empregar a então esposa na Assembleia. Devolveu dinheiro e foi expulso do partido. Em 2006, durante a Operação Dominó, três dos quatro deputados do PT na época, Nereu Klosinski, Edésio Marteli, Carlos Bueno (Dr. Carlos) foram acusados no esquema da folha paralela. Nenhum deles foi expulso pela legenda. Em 2011, a então deputada estadual, que havia sido o braço direito de Roberto Sobrinho na prefeitura no primeiro mandato e metade do segundo, Epifânia Barbosa foi acusada de receber dinheiro em troca de apoio político ao então presidente da Assembleia Valter Araújo. O caso foi revelado através da Operação Termópilas, deflagrada pelo Ministério Público, à época comandado por Héverton Aguiar.

Daniel Pereira era deputado estadual pelo PT e foi expulso
Daniel Pereira era deputado estadual pelo PT e foi expulso

Atualmente, a população torce para que a Operação Lava-Jato, que vem desnudando as relações do PT no país, mostre o propinoduto que correu em Rondônia durante as obras das usinas. Dessa história o povo tem uma certeza, além das outras legendas que historicamente se lambuzam no lamaçal da corrupção, o PT vai estar metido até o pescoço.

Odebrecht

Recentemente membros do governo foram acusados de ‘vazar’ as planilhas com nomes de políticos que recebiam propina da Odebrecht ou ‘doações de campanha’. Em um desses documentos aparece o nome da ex-senadora petista Fátima Cleide, anotado à mão ao lado de um valor de R$ 500 mil. A Odebrecht financiou campanhas em todo o país e aqui em Rondônia não foi diferente. Mas além dela, outras empresas envolvidas na Operação Lava-Jato também aparecem nas doações de campanhas petistas, o que confirma a teoria que vem sendo investigada, que o PT é uma organização criminosa que ramificações por todo o país e não mede esforços para se manter no poder.

Fátima Cleide foi senadora por 8 anos
Fátima Cleide foi senadora por 8 anos

O mandato de Fátima como senadora foi pífio. Em 8 anos de mandato não se posicionou sobre questões locais, fez vista grossa à todos os crimes ambientais cometidos pelos consórcios que construíram as usinas e preferiu pautar seu mandato ‘em prol das minorias’. Nunca conseguiu fazer nada que melhorasse a vida desses também. Foi candidata ao governo em 2006 contra Ivo Cassol, que foi reeleito em primeiro turno. Quatro anos mais tarde Cassol também ocuparia a cadeira de Fátima no Senado. Desde então, ela conseguiu um cargo na fundação Perseu Abramo, mantida pelo PT e não foi mais vista em Rondônia.
Já Roberto Sobrinho pretende se candidatar à prefeitura de Porto Velho nas eleições desse ano. Pelo PT.

Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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