Renan Calheiros pode ser o novo ministro da justiça

Senador, que responde a processos por corrupção no STF pode assumir no lugar de Alexandre Moraes

Brasília – O senador Renan Calheiros deve assumir o Ministério da Justiça, caso se confirme a indicação de Alexandre Moraes ao STF no lugar de Teori Zavascki, que morreu em acidente aéreo em janeiro deste ano.

O senador, que responde processos por crime de corrupção no Supremo Tribunal Federal e é investigado na Operação Lava Jato por usar intermediários para pedir e receber dinheiro da empreiteira Serveng, que tem contratos com a Petrobras, poderá ser responsável pelo desmonte da maior operação contra corrupção no país.

Renan foi denunciado pelo Procurador Geral da República, Rodrigo Janot em dezembro do ano passado.

A denúncia informa que esses valores seguiram do Diretório Nacional do PMDB para o Comitê Financeiro do partido em Alagoas e deste para Renan Calheiros, mediante diversas operações fracionadas, como estratégia de lavagem de dinheiro. O interesse da empreiteira seria de participar de licitações mais importantes na Petrobras, o que foi viabilizado a partir do começo de 2010, segundo a denúncia.

Janot diz que houve o pagamento de vantagem indevida e lavagem de dinheiro mediante doações oficiais da Serveng a Renan, por intermédio de Aníbal Gomes, por causa da influência que eles detinham em razão do apoio político a Paulo Roberto Costa, que agiu em favor da empresa. Embora inicialmente indicado para o cargo de diretor de Abastecimento da Petrobras pelo PP, Paulo Roberto Costa obteve apoio da bancada do PMDB no Senado e, segundo a PGR, “a partir de então, o PMDB passou a receber uma parcela das propinas relativas aos contratos da Petrobras vinculados à Diretoria de Abastecimento”.

A PGR narra que “no dia seguinte ao da primeira doação da Serveng, em agosto de 2010, o Diretório Nacional do PMDB, à época sob a responsabilidade e controle de Michel Temer, com a tesouraria a cargo de Eunício Oliveira” começou a transferir de maneira fracionada o dinheiro para a campanha de Renan.

Segundo a denúncia, os R$ 800 mil “em propina” entregues pela Serveng constituem aproximadamente 14% do total de receitas declaradas pela campanha de Renan Calheiros. Para a PGR, a presença de Renan Calheiros nas reuniões com Aníbal Gomes aliada ao fato de elas se passarem na residência do senador ou no Senado “levaram Paulo Roberto Costa a confirmar que Aníbal Gomes era emissário de Renan, agindo e atuando em comunhão de desígnios em benefício desse último”.

Em outubro do ano passado foi aventada a possibilidade de Renan ocupar a vaga de Ministro da Justiça, o que gerou mal estar entre promotores que respondem pela operação.

Renan Calheiros foi ministro da Justiça na gestão de Fernando Henrique Cardoso.

 

Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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