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Resenha: Paulo Queiroz não concordaria com prêmio usando seu nome por esse governo

Submersa

Depois das alagações que deixaram parte da cidade de Porto Velho submersa é que pudemos constatar os colaboradores do prefeito Mauro Nazif (PSB) trabalhando. Embora os principais telejornais tenham dado destaque em seus noticiários para a situação de emergência do município, Dr. Mauro sequer utilizou os espaços para tranquilizar os munícipes. Em qualquer outro lugar do mundo os líderes políticos chamam para si a responsabilidade para mobilizar a população quando são acometidos por desastres naturais. Nem assim Dr. Mauro deu as caras. A liderança do prefeito submergiu com as ruas.

Rolezinho

Foi preciso o Presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia (TRE), desembargador Péricles Moreira Chagas, viajar a Brasília e alertar às autoridades que a corte estava na iminência de ser alagada, provocando danos irreparáveis às urnas eletrônicas e ao servidor que armazena os dados eleitorais dos inscritos em Porto Velho, para que nossas autoridades adotassem as medidas que o problema exigia. Somente então decretaram estado de emergência e o Governo Federal enviou um ministro para dar um ‘rolezinho’ por aqui.

Bobo

A situação das ruas da capital está tão ruim que os alagamentos fizeram o trabalho que a prefeitura municipal não consegue fazer: os buracos foram tapados pelas águas. As oficinas mecânicas agradecem a colaboração (digo, omissão) oficial. Enquanto a água avançava sobre as casas, Nazif coroava um ‘Rei Momo’ num baile municipal. E os munícipes viraram o bobo da corte. Por isto e por outras que tudo termina em carnaval.

Chacota

Depois de ficar inabilitado para disputar as eleições, após a condenação no STF, Ivo K-Sol voltou ao velho estilo agressivo e baixou o pau em quase todos os seus desafetos. Acusou o uso indevido – sem apontar uma prova – da estrutura de segurança pública estadual em perseguir os adversários do governador. Foi até ao Poder Legislativo sugerir uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar a cúpula da Secretaria de Segurança. A proposta soou como chacota, haja vista que as acusações feitas são as mesmas que lhes pesam exatamente por supostamente usar criminosamente a estrutura policial contra os adversários em seu governo.

CPI

Rondônia é o único local do mundo onde investigados criam comissões para investigar os investigadores. Parece piada, mas não é.

Lembrança

Casou polêmica entre os profissionais de imprensa um prêmio instituído pelo Governo de Rondônia com o nome do jornalista Paulo Queiroz. Provavelmente este cabeça-chata tenha sido, entre os colegas de profissão, o mais próximo do saudoso jornalista Paulo Queiroz. Quase todos os dias ele ligava para saber das novidades ou desabafar sobre algum problema cotidiano. Éramos amigos há mais de duas décadas. Nos próximos dias mais um ano completa que o amigo subiu ao andar de cima, tão precocemente.

Apelo

Foi por intercessão minha que Paulo Queiroz aceitou compor a equipe de jornalistas que o PMDB estava formando para ajudar na campanha do então pré-candidato Confúcio Moura ao Governo de Rondônia e de Valdir Raupp ao Senado Federal. Ele havia se comprometido com a campanha do PT, atendendo a um convite do também saudoso Odair Cordeiro. Desistiu dos petistas para ceder a minha pressão e passou a compor a equipe de repórteres contratados pela coordenação da campanha do senador Valdir Raupp. No primeiro turno, todos os acordos assumidos por mim e firmados com o senador foram cumpridos regularmente com o amigo. Além dos demais colegas contratados. Ele ficou satisfeito.

Trabalho

Embora as coordenações das campanhas de Raupp e Confúcio fossem distintas, as assessorias de imprensa funcionavam de forma complementar. No segundo turno, convidados para permanecer trabalhando na campanha de Confúcio Moura, alertei a Paulo Queiroz que deveria tratar diretamente com o candidato, ou alguém da sua confiança, sobre os honorários. Avisei ainda que minha contribuição se daria de forma espontânea e sem muito envolvimento. E dispensei a remuneração. Assim ocorreu.

Humilhação

Para minha surpresa, além de profunda indignação, assim que as urnas foram apuradas e Confúcio Moura proclamado eleito, começaram as hostilizações das pessoas íntimas ao então candidato eleito contra parte da equipe de jornalistas que ajudaram a levar o ex-prefeito de Ariquemes ao Palácio Vargas. Não contentes com as hostilizações, deixaram de quitar na data avençada os honorários de Paulo Queiroz. Nunca havia visto o “cabo” (era assim que nos tratávamos) tão deprimido, humilhado e revoltado com o cano que queriam passar.

Artigo

Para receber o que lhe era de direito, Paulo Queiroz foi obrigado a escrever um artigo contando suas agruras, visto que havia comprometido os honorários com contas futuras. Somente após o humilhante artigo, onde expôs à situação falimentar que passava, o comitê eleitoral de Confúcio Moura mandou que quitassem o débito com o jornalista.

Acinte

Entretanto, antes de morrer, em desabafo a este cabeça-chata, Paulo Queiroz revelou o quadro depressivo que lhe acometeu pela humilhação a que foi submetido para receber o que lhe era de direito. Disse cobras e lagartos dos responsáveis pela canalhice sofrida. Não tenho dúvida que, um prêmio instituído por alguém responsável por aquela dor, Paulo Queiroz desprezaria e não emprestaria o nome. Razão pela qual considero uma hipocrisia e um acinte à memória do melhor escriba que ajudou a escrever a história de Rondônia. Lá de cima ele deve estar repetindo os mesmos palavrões que verbalizou aqui em baixo.

Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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