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Resenha Política – Robson Oliveira

Coerência

Desde o dia 30 do mês passado, cinco dias antes do primeiro turno das eleições, esta coluna ficou sem atualização por escolha deste cabeça chata que optou por resguardar a coerência com que pauta os temas abordados aqui. Como assumimos publicamente e escancaradamente a coordenação de imprensa da campanha de Expedito Junior, optamos por aguardar o encerramento do pleito para voltar a atualizar em respeito aos nossos leitores, visto que coluna e campanha poderiam se contaminar. Apuradas as urnas e com o veredicto soberano do eleitor, estamos aqui de volta para encher a paciência de alguns leitores e papear com outros.

Avaliação

Há um ditado popular sobre o dia seguinte das eleições que diz: “Quem ganha eleição comemora. O que perde faz avaliação”. Como nos enquadramos na segunda hipótese é hora de uma rápida avaliação sobre este segundo turno e alguns episódios que confirmaram a reeleição de Confúcio Moura de forma induvidosa. Embora sejamos obrigados a ressaltar que é uma opinião ainda contaminada pelo resultado expressivo alcançado pelo peemedebista no final do dia de ontem (26).

Máquina

É bom relembrar que desde a volta a democracia quando os brasileiros conseguiram restabelecer as eleições diretas para todos os níveis, em Rondônia foram eleitos oito governadores. Jerônimo Santana, Osvaldo Piana, Valdir Raupp, José Bianco, Ivo Cassol e Confúcio Moura. Das oito eleições para governador o PMDB venceu quatro. Portanto, é uma máquina partidária quando azeitada capaz de vencer os obstáculos e devastar os adversários. Por coincidência, em todas as vitórias derrotou candidatos inicialmente fortes. Domingo não foi diferente.

Despudorado

O PMDB rondoniense azeitou a máquina partidária e aparelhou de forma despudorada a máquina estatal para vencer as eleições de forma arrasadora. Mas não foi apenas isto, as votações obtidas nos principais colégios eleitorais do estado revelam a força individual de lideranças como Valdir Raupp, Acir Gurgacz e o prefeito de Ji-Paraná, Jesualdo Pires. Expedito Junior enfrentou as máquinas poderosíssimas e os principais caciques solitariamente, mas com muita obstinação, coragem e valentia.

Lorota

A utilização apenas da máquina governamental com a pressão feita sobre os doze mil servidores de cargos comissionados, além dos indiretos terceirizados, embora tenha contribuído para anabolizar a campanha, não seria por si capaz de consagrar um resultado tão incontestável. É lorota achar que este fator foi o preponderante para a reeleição de Confúcio Moura. São inúmeros fatores que juntos contribuem para vencer ou perder uma campanha. Nos dois principais colégios eleitorais, Ji-Paraná e Porto Velho, os votos somados por Moura impuseram a derrota a Junior. Foram cinquenta mil votos a diferença, apenas nesses dois colégios.

Experiência

Nunca antes na história se gastou tanto numa campanha eleitoral. Até distribuição de camisetas, vedada por lei, ocorreu desavergonhadamente. Em algumas cidades parecia o tempo do ouro quando o metal vil emergia reluzindo do fundo dos rios. No entanto, apenas a grana em si também não ganha eleição. A escassez dela, sim. Que o diga Junior. Mas é honesto reconhecer que a estratégia montada pelo governista conseguiu alavancar uma candidatura pesada, lenta e dissimulada. A avaliação final mais correta é que a experiência venceu a dúvida. Um binômio de assimilação rápida e usado por Confúcio Moura com profissionalismo e competência. Venceu o pleito com folga por méritos pessoais: experiente no trato com urnas!

Recibo

Nem as revelações do conteúdo dos depoimentos das delações feitas na Polícia Federal por José Batista e Rômulo, ambos sujeitos com relações íntimas do governador, foram capazes de corroer os percentuais positivos do candidato. Quando foram divulgadas, embora verdadeiras, o comitê de campanha do peemedebista ignorou e não passou recibo. Foi uma estratégia perigosa, mas deu certo e as denúncias não causaram o impacto esperada na campanha de Confúcio Moura.

Craca

Eleito de forma espetacular, Confúcio Moura e seus advogados sabem o que os aguarda pela frente. Quem conhece as coxias do poder e tem acesso privilegiado a informações reservadas tem a real dimensão dos problemas que o governador reeleito terá de encarar. Para evitar sobressaltos mais abruptos será obrigado e dispensar parte da craca que carcome o subterrâneo palaciano. Além de evitar a entrada de outra que se juntou à campanha. Astúcia e capacidade de sobrevivência política o peemedebista provou que possui de sobra. Portanto, muitos dos afoitos e exaltados “colaboradores” ficarão a ver navios. Quem viver verá!

Perdedor

O maior perdedor da campanha é sem dúvida o clã liderado por Ivo K-Sol. Perdeu tudo o que imaginava ganhar e ainda deu uma colaboração para a derrota de Expedito nos municípios mais densos eleitoralmente. Por muitos anos K-Sol ficará inabilitado para disputar um pleito, o que poderá corroborar para sua eliminação política. Foi o maior perdedor das urnas. Moreira Mendes é mais um cacique que sai do pleito menor do que entrou.

Força

Expedito Júnior, apesar da derrota, continuará sendo individualmente um dos maiores líderes rondonienses. Com uma capilaridade eleitoral calibrada por seguidores fiéis, conseguiu eleger o filho a deputado federal e lutou com bravura contra a máquina do PMDB, seus líderes, a máquina estatal, a maioria avassaladora das máquinas municipais, o poder econômico e a inércia de instituições que optaram por adiar suas ações sob a injustificável desculpa de evitar interferir no calendário eleitoral.

Ficha

Júnior sai das eleições do mesmo tamanho que entrou e deverá reunir em torno de si ao longo dos próximos quatro anos muitos partidos que hoje estiveram em trincheiras opostas combatendo o bom combate. É um sobrevivente que pagou caro por erros dos outros. Erros que lhe impuseram a pecha de ficha suja e que foram tão (ou mais) devastadores nesta campanha quanto a utilização despudorada da máquina pública. Contudo, é uma pecha que encerra um ciclo de dúvidas. Nas próximas disputas será apenas um tema requentado sem a força corrosiva que alcançou nestas eleições.

Vitória

Não é fácil assimilar a derrota, mas aceitar os fatos ainda é a melhor forma para seguir em frente, erguendo a cabeça. Para o bem de Rondônia e da população é melhor Expedito Junior e os correligionários torcerem para que a experiência prometida por Confúcio seja capaz de realizar um governo bom e bem melhor ao que realizou. O sentimento de dor e perda não podem servir de desculpas para torcer pelo o pior melhor. Em conversa hoje com este escriba Junior provou que acertei ao escolher votar nele quando disse que deseja sucesso na empreitada difícil que Confúcio irá encarar nos próximos quatro anos.

Estrela

Mariana Carvalho é a revelação das urnas. Os votos obtidos na capital pela filha de Aparício Carvalho (ex-vice-governador) credenciam a jovem parlamentar a desalojar da administração municipal o desastroso prefeito Mauro Nazif. É possível que os Nazifs (Mauro e Gilson) consigam concluir algumas obras até as eleições daqui a dois anos e recuperar fôlego. Confúcio é prova concreta de superação. Mas não terão a graça e o carisma da jovem Mariana. É uma estrela que tende a brilhar caso não suba ao salto alto nem alimente rancor que tanto arde as veias do papito.

Preconceito

Os insultos feitos contra os nordestinos por terem votado em massa em Dilma Rousseff revelam cada vez mais um preconceito arraigado de uma elite vulgar que engorda os barões da avenida Paulista e envenenam as mentes de gente frustrada. Como nordestino não posso ficar calado, como cidadão não posso me omitir e aprovar os impropérios.Como mais um eleitor que votou na Dilma digo apenas: “Vão ter que engolir”. Ora, democracia é antes de tudo respeitar a vontade popular. Ademais, em Minas Gerais, terra de Aécio, e no Rio de Janeiro, terra de todas as etnias, Dilma triunfou. Não vi as viúvas do fascismo relincharem com o mesmo ímpeto.

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