Resenha Política – Robson Oliveira

INSULTOS

Ex-colaboradores na administração de Confúcio Moura foram às redes sociais para protestar depois que viralizaram os áudios do ex-governador insultando o senador Valdir Raupp e o presidente do MDB, Tomás Correia, por supostamente orientarem os convencionais do partido a escolher apenas um candidato ao Senado e barrar a pretensão do ex-governador em disputar pelo MDB uma das vagas ao senado.

TRAQUE

Os vazamentos dos áudios teriam sido premeditadamente combinados entre o ex-governador e uma secretária de educação de um município da região da Mata, conforme apurou a coluna, no intuito de provocar reações tão fortes que garantissem os votos na convenção do partido que Confúcio Moura necessita para compor a chapa majoritária do MDB. A repercussão foi enorme entre emedebistas e militantes engajados nas pré-campanhas, mas os insultos foram tão acerbos para quem ostenta uma caricatura de monge que ecoaram de forma negativa e provocaram efeitos menos estrondosos do que o esperado pelo ex-governador.

SOLIDARIEDADE

Não houve um único deputado federal, estadual, prefeito ou vereador do MDB que viesse a público se compadecer com os impropérios ditos por Confúcio Moura contra seus supostos traidores. Sequer aqueles alcaides de outros partidos que nas eleições passadas optaram em apoiar o então governador. E a razão é simples: quando governador, Moura reiteradamente relatava em seu BLOG queixas em relação aos pedidos de emprego feitos por correligionários e passava pito em cada aliado que insistisse com os pedidos. Nas redes sociais as poucas solidariedades partiram dos ex-colaboradores e de quem não é convencional no MDB.

TRAIÇÃO

Enquanto Moura diz que foi traído pela cúpula do MDB que havia prometido a vaga senatorial, internamente convencionais lembram que o mesmo Confúcio que agora cobra lealdade, é o mesmo que conspira contra Maurão de Carvalho, candidato pré-lançado pelo MDB à sucessão estadual. Confúcio nunca escondeu a preferência por um candidato a governador com perfil totalmente diferente do Maurão. Aliás, em entrevista recente, Maurão também se queixou da traição de Moura em não declarar apoio ao candidato do partido.

LOROTA

Como não existem candidaturas natas, é natural que os partidos, na medida que se aproximam as convenções, refaçam as contas para projetar as perspectivas eleitorais. O MDB percebeu que a entrada em cena da pré-candidatura de Marcos Rogério (DEM) ao Senado Federal diminuiria as chances de uma única legenda eleger os dois senadores, razão pela qual, candidato à reeleição, Valdir Raupp passou a ter a preferência dos convencionais. É lorota dizer que haja uma revolta generalizada no MDB, caso houvesse, os convencionais teriam declarado apoio a Confúcio e não ao Raupp. Portanto, a suposta traição a Confúcio Moura seria especialmente dos convencionais: esses sim, responsáveis por escolher os candidatos do MDB. A lorota tem tão somente o fim de provocar constrangimento à cúpula emedebista.

RECIPROCIDADE

Quando lançou a candidatura a governador ainda em 2010, Confúcio Moura foi obrigado a disputar as prévias do PMDB contra Suely Aragão, ex-prefeita de Cacoal. Na época o ex-governador se queixou muito da oposição interna da ex-prefeita e pediu ajuda exatamente ao Raupp para que garantisse a maioria dos convencionais em seu favor. Pelos menos duas vezes Moura chegou a pensar em desistir da disputa e não o fez por contar com a reciprocidade do apoio do senador. O mesmo que hoje ele chama de malfeitor.

INCENDIÁRIOS

Não há como desconhecer que Moura possui capilaridade para disputar uma vaga senatorial com chances reais de sucesso. Mas uma campanha tem começo, meio e fim e duas candidaturas em pé de guerra no mesmo palanque é a fórmula certeira denominada de “abraço de afogados”. Os pré-candidatos ao mesmo cargo adorariam concorrer com um palanque nestas condições adversas e por este motivo Moura tem recebido apoio mais dos adversários do MDB do que dos convencionais do partido. Todos querem ver o circo pegando fogo. E Raupp ao perceber as labaredas atua nas coxias para evitar virar cinzas já que seus detratores fazem campanha nas mídias sociais pela sua cremação.

CONSPIRAÇÃO

Em conversa com a coluna o senador Acir Gurgacz (PDT) garantiu que mantém a pré-candidatura ao Governo de Rondônia e informou que discorda de quem o julga inelegível. Acir lamentou a postura do chefe da Casa Civil do Governo, Eurípedes Miranda, que, segundo o senador, tenta desconstruir sua candidatura e força a barra para que o governador Daniel Pereira seja seu substituto nas eleições. A conspiração de Miranda, para Acir, é um ato isolado já que o governador tem reiterado o apoio a sua postulação.

ANÚNCIO

Com a presença do ex-governador de São Paulo, o PSDB rondoniense, o DEM e o PSD vão anunciar no próximo sábado, em Ji-Paraná, os nomes dos pré-candidatos a governador, senador, deputados federais e estaduais. É um evento que começa a definir o cenário dos grupos políticos que vão se enfrenta em outubro. Aliás, esta coluna, meses atrás, previu tal cenário. Embora nem todos tenham concordado.

LUTO

Embora este colunista não fosse eleitor de nenhum dos dois políticos que recentemente faleceram, Chagas Neto e Moreira Mendes, foram parlamentares federais, cada um a seu tempo, de maior grandeza ao defender seus postulados no Congresso Nacional. Eram duas pessoas afáveis e de refinado trato mesmo com quem divergiam. Rondônia fica mais pobre na seara política com a passagem de ambos. Esta coluna lamenta e compartilha do luto.

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