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Resenha – Proximidade de cassolistas e petistas é “síndrome de Estocolmo”

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Carnaval

Enquanto os desabrigados pelas cheias do Rio Madeira aguardam na capital uma solução para os problemas atuais e futuros que lhes afetam, Confúcio Moura era aclamado em Ji-Paraná pré-candidato ao Governo de Rondônia. O carnaval montado pelos partidários do governador lotou o velho clube Vera Cruz com a convocação de comitivas de vários municípios. Os organizadores anunciaram a presença de quatro mil pessoas, mas nas contas dos colegas presentes não passavam de dois mil, incluídos aí os comissionados.

Distância

Geralmente os partidos políticos escolhem a capital – principal colégio eleitoral – para lançarem as pré-candidaturas, assim como nas convenções, para dar mais visibilidade ao evento junto aos veículos de comunicação. Confúcio Moura optou levar a festa para o centro do estado com receio das críticas dos sindicatos, dos desabrigados e dos servidores públicos. Aliás, residem no eleitorado da capital as críticas mais acerbas à atual administração estadual. Razão pela qual optou em manter distância.

Dificuldades

Mesmo contando com a estrutura da máquina estadual em favor da campanha (de forma dissimulada) é a própria administração que vai ser avaliada pelo eleitor. Não há como prometer fazer o que deixou de realizar nesses três anos e meio. Nas eleições passadas, o então candidato Confúcio se apresentou como uma pessoa capaz de solucionar os problemas e modernizar a administração pública. Vendeu esperança e colheu confiança.

Frustração

Na reeleição, há uma desconfiança imensa do eleitor em relação ao pré-candidato peemedebista e pouca esperança de melhora na administração estadual. Os avanços registrados são tímidos e muitos específicos. Foram alcançados graças ao desempenho isolado dos auxiliares, a exemplo das áreas de saúde e estradas. Cotejando o que foi executado com o que deixou de ser feito, o passivo é enorme e a frustração com o governo é imenso.

Pesquisa

Um dia após os tambores governistas rufarem anunciando a pré-candidatura de reeleição, uma pesquisa divulgada ecoava com o mesmo barulho Confúcio Moura em segundo lugar com um percentual infinitamente abaixo dos cinquenta mais um da percentagem exigida para quem almeja vencer o pleito.

Limite

Pelos percentuais tabulados e divulgados no respeitável site Tudorondonia.com é possível deduzir que a aprovação da administração estadual está aquém do limite mínimo de trinta por cento que o pré-candidato Confúcio Moura estabeleceu para entrar na disputa.

Enganação

Não são conhecidos publicamente os números internos colhidos pelo staff de Confúcio Moura que foram capazes de mudá-lo de posição para assumir a pré-candidatura e tentar o segundo mandato, ou mesmo se estes dados foram manipulados.

Prova

Na dúvida, para segurança do pré-candidato e dos asseclas, seria apropriado tirar a prova dos nove e verificar se os percentuais que lhe foram repassados não foram modificados para enganá-lo e empurrá-lo ao cadafalso. Outra hipótese, como é um afeito às mídias sociais, deveria ler as manifestações nada lisonjeiras feitas pelo Facebook após o carnavalesco anúncio.

Algoz

Embora a maioria dos aliados de Confúcio Moura seja obrigada publicamente a colaborar na reeleição e declarar juras de amor, em privado muitos o demonizam, e o fazem com razão, pois durante todos esses meses governando Rondônia tratou os correligionários no tacape e com desdém.

Entourage

Moura despachou e-mails aos auxiliares com ordens específicas para que os correligionários não fossem tratados a pão-de-ló. Chegou a chamar peemedebistas que sonhavam integrar o governo de entourage. A mesma entourage que agora vai ser convocada para ir às ruas pedir votos. É possível que alguém aceite a humilhação, mas vai por grana ou simples bajulação.

Descartando

Já o Partido dos Trabalhadores descartou qualquer possibilidade de se aliar à reeleição de Confúcio Moura e lançou a pré-candidatura a governador do deputado federal Padre Ton. Na mesma reunião em que Ton foi indicado, os petistas deixaram a vaga senatorial em aberto para negociar com as legendas aliadas. O fato mais relevante da reunião petista foi a visita do senador Ivo K-Sol (PP), recebido com aplausos efusivos.

Em família

O PP do senador K-Sol ainda não se decidiu em relação à candidatura própria ao Governo de Rondônia, mas nos bastidores bateu o martelo em relação à pré-candidatura de Ivone Cassol ao Senado Federal. Caso se confirme, é uma jogada política de mestre, visto que os nomes disponíveis para a vaga atualmente são fracos.

Desdobramentos

Ao optar pela esposa para disputar o Senado, K-Sol inviabilizou qualquer pretensão do irmão Cesar Cassol à vaga majoritária nas eleições de outubro. Após ser rifado, Cesar decidiu permanecer como prefeito de Rolim de Moura. Uma solução caseira com desdobramentos familiares.

Síndrome

Pode parecer a “Síndrome de Estocolmo” a aproximação entre K-Sol e os petistas depois de anos trocando farpas e cotoveladas. O rapapé petista com K-Sol não surpreende mais o petismo. A síndrome acima mencionada é uma referência ao assalto de Norrmalmstorg, onde as vítimas continuavam a defender seus raptores mesmo após findos seis dias de prisão física e apresentaram um comportamento reservado nos processos judiciais. O termo foi cunhado pelo criminólogo Nils Bejerot. Não será absurdo, portanto, Ton sair na defesa de K-Sol seja qual for a acusação.

Casório

Com a vaga senatorial disponível aos partidos que quiserem unir força ao Padre Ton, os pepistas podem definir se coligarem com os amados petistas. K-Sol já deu o primeiro passo nessa direção ao declarar que o PT de Rondônia amadureceu. Uma relação que conta com os noivos e um vigário, além do ‘Coroné’ para garantir que a noiva diga sim.

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