De ‘Bella ciao’ a ‘Só quer vrau’: como hino antifascista italiano foi de ‘La casa de papel’ a funk em 1º lugar no Brasil

‘Bella ciao’ foi hino contra Mussolini, tema de protestos de esquerda e trilha da série espanhola ‘La casa de papel’. Agora, paródia funk chegou ao 1º lugar no Spotify no Brasil.

“Só quer vrau”, paródia funk da música italiana “Bella ciao”, chegou neste domingo (29) ao primeiro lugar do serviço de streaming Spotify no Brasil.

Veja como o hino contra o fascismo italiano virou, no Brasil, uma ode às “malandras assanhadinhas”:

1 – “Bella Ciao” era uma canção popular entre trabalhadores italianos, adaptada como hino da resistência contra o nazismo e o fascismo de Hitler e Mussolini. A autoria é desconhecida.

2 – Depois da 2ª Guerra Mundial, a música virou marca dos de cerimônias que até hoje celebram o fim da ocupação nazista e de manifestações de comunistas na Itália.

3 – A canção se espalhou e foi também adotada por protestos de esquerda na Europa e em outros países.

4 – A faixa entrou em cenas marcantes da série espanhola “La casa de papel”, que mostra um grande assalto à Casa da Moeda da Espanha.

5 – Por causa do sucesso da série no Brasil, o funkeiro MC MM lançou sua paródia funk. MM é alcunha de Márcio Rezende de Lellis. O cantor veio de Jaçanã, Zona Norte de SP. Sua versão troca a letra de protesto por termos sexuais.

Veja abaixo um vídeo de italianos cantando “Bella Ciao” no último dia 25 de abril, data em que o país comemora 73 anos do fim da ocupação nazifascista.

Em seguida, ouça a paródia brasileira “Só quer vrau”.

“Só quer vrau” desbancou do 1º lugar no Spotify no Brasil o funk romântico “Amor de verdade”, de MC Kekel e MC Rita, que estava na liderança nos últimos dias.

No YouTube, a música mais tocada no Brasil nos últimos dias ainda é “Amor de verdade”. As duas músicas foram produzidas pelo DJ RD, Rodolfo Marcial, carioca radicado em SP.

Funk criado em meia hora

O MC MM conta ao G1 que a ideia de fazer a paródia veio do DJ, há cerca de um mês. “Ele propôs e eu achei ‘daora’, porque está todo mundo vendo a série, e a gente começou a produzir ali mesmo. Durou uma meia hora”, conta MM.

A produção adota em parte a batida em 150 BPM, versão acelerada do funk que nasceu no Rio de Janeiro. “Pouca gente aqui em SP toca o funk 150. Mas como o RD veio do Rio, fizemos as duas versões, uma normal e outra mais rápida. Aí eu tive a ideia de misturar. Ninguém botou fé, mas no final deu certo”, conta MM.

“Eu não sabia o significado da música quando a gente fez o funk. Depois eu tive a curiosidade de procurar e conheci a história revolucionária, muito importante. Eu não trouxe esse teor, só quis fazer um entretenimento. Na série, uma das partes com a música é uma cena de alegria dos personagens. Quis trazer para essa coisa da festa”, conta MM.

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