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Em Colniza, índio morre em tiroteio após invasão a sede da Funai

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Uma invasão de indígenas na sede da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Colniza, a 1.065 km de Cuiabá, resultou na morte de um índio. Segundo o comando da Polícia Militar em Colniza, funcionários da Funai revidaram a agressão e um dos indígenas morreu no local.

A unidade atende os índios isolados da terra indígena Kawahiva do Rio Pardo.

A situação ocorreu na quarta-feira (10) e foi divulgada pelo Ministério Público Federal (MPF) nessa quinta-feira (11). A Polícia Federal de Mato Grosso faz perícia no local nesta sexta-feira (12).

De acordo com a PM, índios invadiram a base da Funai atirando e quebraram cadeados da unidade. O motivo do conflito seria a reivindicação de uma área na região. A sede da Funai está localizada próximo a terra indígena Kawahiva.

Em nota, o MPF declarou que abriu investigação para apurar o suposto conflito envolvendo indígenas.

Segundo as informações que chegaram até o MPF/MT, um grupo de homens, entre eles indígenas e madeireiros teriam ido até a base da Funai.

Em seguida, teria ocorrido um tiroteio, resultando na morte de uma pessoa.

Quatro policiais militares e onze servidores da Funai estão vigiando a base. A Polícia Federal informou à Funai que vai enviar à região policiais para começar a investigação sobre o crime. As armas usadas pelo pessoal da Funai no momento do ataque foram recolhidas e passarão por perícia da PF.

Isolados

Referências sobre os Kawahiva no noroeste de Mato Grosso existem desde 1750. Desde então, diz-se que tiveram contato com eles desbravadores como Marechal Cândido Rondon e o antropólogo francês Claude Lévi-Strauss.

A área foi delimitada em portaria da Funai publicada pelo Diário Oficial da União (DOU) somente em 2007, medida que automaticamente restringiu o direito de locomoção de não-índios pelo local.

Violência em terras indígenas

Em 2017, Mato Grosso registrou oito casos de violência contra o patrimônio em terras indígenas. Os dados são de um levantamento realizado e divulgado pelo Conselho Indigenista e Missionário (Cimi).

Em Mato Grosso, os casos foram denunciados nas terras indígenas Capoto, Sangradouro, Nambikwara, Panará do Arauató, Apiaká-Kayabi, Parque indígena do Xingu, Kawahiva do Rio Pardo e Kanela, sendo um em cada uma delas.

Região complicada

Em 2017 foi registrada no município de Colniza a chacina na Gleba Taquaraçu. Ao todo, foram confirmadas nove mortes, sendo três pessoas de Rondônia e três do distrito de Guariba.

Na época, foram Izaul Brito dos Santos, de 50 anos, Ezequias Santos de Oliveira, 26 anos, Samuel Antônio da Cunha, 23 anos, Francisco Chaves da Silva, 56 anos, Aldo Aparecido Carlini, de 50 anos, Edson Alves Antunes, 32 anos, Valmir Rangeu do Nascimento, 55 anos e Sebastião Ferreira de Souza, 57 anos, que era pastor da Assembleia de Deus.

No fim do ano passado, o prefeito de Colniza, Vando Colnizatur (PSB), foi executado dentro do próprio carro, na cidade. O homicídio aconteceu na região central da cidade, à luz do dia. Os criminosos se aproximaram em um carro e fizeram uma série de disparos.

Com informações do G1/Folha/Olhar Direto

Alan Alex
Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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