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Para além do tradicional: adeptos do poliamor falam sobre Dia dos Namorados

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Segundo a pesquisadora do grupo de pesquisa Cultura e Sexualidade (CUS) da Ufba, Mônica Barbosa, existem duas características principais no poliamor: a liberdade e a individualidade das pessoas implicadas. Porém, a especialista alerta que na prática, nem sempre se consegue atingir um ponto ideal

Amor com liberdade e chance de escolhas. Essa é a proposta dos relacionamentos livres, onde, diferentemente das relações monogâmicas, o casal vive a experiência de poder se relacionar com outras pessoas. Denomina-se “Poliamor”, a possibilidade de estabelecer consensualmente vínculos amorosos e ou/sexuais com mais de uma pessoa, simultaneamente.

Assim, o casal pode até mesmo amar a outros que não sejam seus parceiros. Porém, quando o envolvimento com terceiros fica apenas no campo do sexo, mantendo o amor só para si, o casal vive então, um relacionamento aberto. Neste Dia dos Namorados, o A TARDE, conversou com quatro casais baianos que vivem relações livres, para entender um pouco mais dos seus sentimentos e intimidade.

Adeptos do Poliamorismo, o cantor e compositor Jonga Lima de 49 anos, e a professora de Educação Física, Mônica Jurberg de 50, nunca tiveram um relacionamento monogâmico. Casados há 27 anos, Jonga e Mônica já conviveram com outras pessoas paralelamente, o que resultou, inclusive, na gravidez de um dos filhos do casal. Porém, hoje em dia, os dois estão se relacionando apenas entre eles. “Ao longo da nossa relação, nós namoramos outras pessoas. Atualmente só namoro com Mônica, não por imposição ou regra. Mas se eu ou ela tivermos vontade e acontecer outro relacionamento, não seria traição, pois escolhemos amar assim”, explica Jonga.

A família de Mônica e Jonga conta com quatro os filhos: uma menina de 13 anos, e três homens de 27, 19 e 22 anos. Sobre os impactos que a adoção deste tipo de relacionamento causou nos filhos, o músico diz que o casal não opina nos relacionamentos amorosos deles. “Eles vivem o dia a dia conosco para tirar suas próprias conclusões. Já aconteceu de um deles falar que não tem obrigação de seguir nosso exemplo e eu concordo, pois para a gente, isso não é uma regra, é uma escolha. Falo apenas para que nas suas escolhas amorosas, eles sejam sinceros, verdadeiros e intensos. Essa é a receita da felicidade”, comenta Jonga.

O músico Jonga Lima e a professora Mônica Jurberg mantém um casamento com poliamor há 27 anos

Segundo a pesquisadora do grupo de pesquisa Cultura e Sexualidade (CUS) da Ufba, Mônica Barbosa, existem duas características principais no poliamor: a liberdade e a individualidade das pessoas implicadas. Porém, a especialista alerta que na prática, nem sempre se consegue atingir um ponto ideal.

“Às vezes, as pessoas carregam vícios da monogamia, como querer controlar as relações do outro. É importante ter em mente que quase ninguém chega pronto e acabado ao poliamor e que o equilíbrio é uma conquista conjunta e muito dialogada”, afirma. Mônica é também autora do livro “Poliamor e Relações Livres: do amor à militância contra a monogamia compulsória”, que fala sobre as particularidades do poliamor e discute a monogamia.

Foi o que aconteceu com a estudante de 22 anos, Monalisa Oliveira. Ela e o namorado, o administrador Leandro Rios, 27 anos, mantém um relacionamento aberto. Ela conta que no início foi difícil se adaptar a uma união livre. “No começo do namoro, não era claro para mim as expectativas quanto ao nosso relacionamento, pois eu ainda estava vinculada a questão de apego. Em um certo momento, cheguei a pensar que queria um namoro padrão, mas isso só durou uma semana. Gosto de ser livre, de seguir meus desejos sem culpas, mas com respeito, claro”, diz.

O comportamento sexual e amoroso depende de diversos fatores como época, sociedade e região. A relação monogâmica está fortemente ligada a narrativa de amor romântico, onde se convenciona a existência de uma única pessoa “certa”. Para o sociólogo e pesquisador, Fábio Baldaia, as músicas sertanejas, o rock, o pagode romântico, e outras manifestações sociais, contribuem para reforçar o amor romântico.

“Tudo gira em torno dessa ideia de monogamia. Logo, o que vier fora disso, é considerado algo que foge do normal. O grande marco para a transição desse pensamento se dá a partir da década de 60, com o surgimento da pílula anticoncepcional e do feminismo, onde a partir desses movimentos, se começa a questionar a monogamia como padrão”, explica.

LEIA A MATÉRIA COMPLETA NO “A TARDE”

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