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Rondônia, as rodovias federais e as campanhas política

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A população de Rondônia é muito generosa mesmo, principalmente para aceitar mentiras de políticos, ainda que sejam as mentiras mais surradas do contexto político. O que mais impressiona é que são mentiras antigas e sempre usadas em campanhas por políticos do estado, alguns deles estão há vários mandatos no poder e a situação continua precária…

Para citar um exemplo simples, recentemente foi publicada uma informação sobre atos do casal Raupp, dizendo que estão trabalhando para recuperar as rodovias 364, 429 e 425. Difícil acreditar que isso seja verdade, porque as informações apresentam muitas falhas. Dizer que vai recuperar “alguns trechos” da BR 425 demonstra muita desinformação, pois a única coisa que resta da citada rodovia são os restos de duas pontes construídas no início do século XX, mesmo período da construção da ferrovia Madeira – Mamoré. A ferrovia foi construída entre os anos de 1907 e 1912. As pontes também. Quem passa por aquelas pontes tem que descer do carro para colocar as tábuas no local correto, isso qualquer pessoa que anda ali sabe. E faz tempo que é assim… As pontes têm tábuas onde os veículos passam!

Nos lugares onde havia asfalto hoje existe apenas lama. A rodovia possui em todo o seu trajeto 130 km. Nas condições atuais, é possível fazer esse trecho em cerca de 3 horas. Por aí, vê-se que não existe estrada. E em todos os períodos eleitorais a BR 425 faz parte dos discursos inflamados de candidatos. O casal Raupp está entre os políticos que usam a rodovia. Claro que usam apenas em discursos, porque a rodovia não é usada por deputados e senadores para chegar a Guajará – Mirim. Quando eles vão lá, usam aviões. De avião, a viagem dura cerca de uma hora, saindo de Porto – Velho. De ônibus, transporte usado por quem trabalha e não tem tempo para ficar rico, a viagem dura mais de 8 horas. De carro, dura cerca de cinco ou seis e, depois, tem o prejuízo que o veículo sofre nos milhares de buracos.

Uma curiosidade sobre a BR 425 é que o Governo Federal nunca asfaltou a rodovia. O asfalto que tinha na estrada, até a grave enchente do ano passado, foi feito pelo ex-prefeito Isaac Bennesby, na década de 80, com recursos próprios do município de Guajará-Mirim. Isaac morreu pagando a pena por ter feito o asfalto. Isso mesmo! Ele foi denunciado pelo Ministério Público, na época, porque pavimentou a rodovia que é federal. E foi condenado! Caso o ex- prefeito não tivesse feito isso, até hoje as pessoas trafegariam na estrada, sem nunca ser pavimentada. E a rodovia seria objeto eleitoral de muita gente. Duvido que alguma coisa vai mudar! Essa conversa de que vai arrumar é porque no ano que vem teremos eleições e os políticos que estão no poder terão candidatos apoiados por eles em Guajará-Mirim.

Outra coisa que precisa ser destacada aqui: todos os deputados estaduais tiveram votos em Guajará-Mirim; os três senadores do estado tiveram votos em na cidade; todos os deputados federais tiveram votos em Guajará-Mirim; o governador cassado Confúcio Moura teve mais de 70% dos votos do município, na primeira eleição, e quase 60% em sua reeleição. Para demonstrar esse zelo que eles têm, poderiam os 8 deputados federais e os 3 senadores destinarem tudo que têm de emendas para rodovias em benefício das sofridas rodovias 425, 429 e 364. Tudo mesmo! Sem essa história de 10%, de 20%, de 30% que muitos deputados brasileiros pedem para propor emendas. Quero crer que não seja o caso de Rondônia, porque todos os nossos representantes são fichas-limpas. Isso poderia ser uma demonstração de boa vontade.

Caso os parlamentares fizessem isso, poderiam trabalhar juntos com o DNIT e DER, fazendo uma programação de elaboração de projetos e de execução de obras. Isto feito desde agora, garantiria o tempo hábil para fazer os trabalhos necessários quando o período chuvoso passar. Sem projetos não há obras, sem planejamento não há êxito nas obras, sem bancada não há estado, nem rodovias. Caso não façam isso, a única coisa que estará garantida é o voto dos fiéis e incautos eleitores das regiões isoladas do estado pela má conservação das rodovias. Outra sugestão que os deputados federais e senadores eleitos por Rondônia poderiam acatar é tirar pelo menos um dia do mandato para participar da aventura de viajar de carro de Porto – Velho até Guajará – Mirim, pela rodovia 425. Como eles não conhecem, sugiro que levem comida, água, biscoito e aparelhos de celular via-satélite, pois deputados e senadores gostam de celular. Levem também seus chefes de gabinetes, porque depois de atravessar esse trecho vocês não terão condições de lembrar de nada. A exaustão é total. É preciso que algum assecla lembre do que irão propor. Depois de fazer essa aventura, duvido que nossos parlamentares continuarão falando que Guajará- Mirim tem muito potencial para o turismo. O básico do básico para fazer turismo é infraestrutura. Sem isso, não haverá turismo, somente campanhas eleitorais feitas de avião… Tenho dito!!!

FRANCISCO XAVIER GOMES

Professor da Rede Estadual

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