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Rondônia: A Educação e a Mediação Tecnológica… Por Francisco Xavier Gomes

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A Audiência Pública realizada esta semana, na Assembleia Legislativa, para discutir o modelo educacional implantado pelo estado de Rondônia em dezenas de escolas da Rede Estadual certamente foi um marco na história do estado. Há muitos anos não se via em nosso estado um evento para debater um tema de tamanha importância. Claro que nem tudo andou bem no evento, porque faltou aos defensores do projeto a argumentação técnica necessária para empurrar a tal Mediação tecnológica, goela abaixo, nas pessoas que se opõem ao polêmico projeto.

Os professores de nosso estado deveriam acessar o portal da Assembleia Legislativa, para conferir o debate. Foram 3 horas e 46 minutos muito interessantes e que, na minha opinião, revelaram muitos fatos sobre os quais devemos fazer uma profunda reflexão. Particularmente, fiquei muito decepcionado com a opinião do Desembargador Isaias Fonseca, quando usou a palavra no evento, porque ficou muito evidente que ele desconhece completamente a realidade do estado onde atua na magistratura. Certamente, como magistrado, ele deve ter uma atuação brilhante, mas fiquei muito triste de saber o que ele pensa a respeito da educação. Três fatores, porém, deixaram-me feliz, quanto às declarações do eminente magistrado: ele informou que deixou a carreira de professor; informou que ficou sabendo da audiência por acaso e informou que, caso o Tribunal de Justiça de Rondônia tenha que decidir, algum dia, sobre o projeto em debate, ele se declararia suspeito de decidir sobre a matéria. Ainda bem!!

O desembargador Isaias Fonseca disse na audiência que não estava ali para defender projeto de ninguém e que passou em seu gabinete por acaso. Segundo ele, ficou sabendo do convite apenas em cima da hora. Pode ser. Mas no dia 19 de maio o governador do estado esteve junto com Isaias Fonseca nos estúdios onde são gravadas as aulas e ele se mostrou muito entusiasmado com a mediação tecnológica. Basta acessar o portal do governo e verificar que nesta data ele defendeu o projeto, sim. Sinceramente, não vejo crime nenhum no fato de um Desembargador defender uma ideia, mas esse projeto é um retrocesso sem precedentes. Em sua fala, ele disse que não adianta exigir professores nas escolas, porque o professor não quer ir. Certamente o fato de ter nascido no mesmo estado onde Confúcio nasceu nada tem a ver com a defesa que o magistrado faz do projeto. Sem comentários!! Se a Diretora do Sintero, Claudir Matta, não tivesse usado a palavra, o Dr. Isaias teria sido a pessoa mais desinformada da audiência, sobre o projeto. Claudir parecia ter vindo de outro planeta. Não sabia de nada!!

Conforme ficou evidenciado por todas as pessoas que defenderam a Mediação Tecnológica, incluindo-se a fala da Secretária de Estado da Educação, o modelo de ensino a distância implantado em nosso estado foi copiado do estado do Amazonas, que, aliás, possui características muito diferentes de Rondônia. Isso sem falar que o Amazonas encontra-se quase dez posições atrás de Rondônia nas avaliações do Ministério da Educação que examinam a qualidade do ensino médio no país. Isso quer dizer que nosso estado é muito melhor que o Amazonas, fato que não há como discutir. Além disso, nenhum dos estados que estão à frente do nosso adotou a Mediação Tecnológica. Na Audiência Pública foram divulgados dados que mostram que no Amazonas cerca de 51.000 estudantes estão matriculados na mediação tecnológica; enquanto este número é de 2.000 em Rondônia. Os números mostram por que estamos à frente do Amazonas.

A professora Angélica Aires, que coincidentemente tem o sobrenome do governador de Rondônia, falando em nome da SEDUC, disse que nenhum outro governo fez tanto pela educação do estado. Sou obrigado a concordar com ela. Depois da Mediação tecnológica, com certeza, em pouco tempo empataremos com o Amazonas. Em diálogo que tive pouco tempo atrás com a Secretária Fátima Gavioli, perguntei a ela por que o estado não copiava o modelo de um estado que está melhor que o nosso. Ela disse que entendia a minha posição contrária. Confesso que por muitos meses acreditei que eu ficaria sozinho argumentando contra esse modelo confuciano de educação, mas a audiência deixou claro que estou enganado. Muito enganado!! Minha colega Leila, do NPA, argumentou muito melhor que eu…

Uma coisa que ficou bem clara na fala dos representantes do governo é que não precisa ser professor para acompanhar os alunos na sala de TV. Basta ser formado em uma área somente, que pode tirar dúvidas sobre todas as ciências. Então, não tem sentido a existência dos Cursos de Licenciatura no estado. Estou na educação há quase 30 anos, tenho formação em Letras e História e não me sinto preparado para tirar dúvidas sobre Biologia, Química, Física… Se algum colega disser que entende de todas as ciências, quero ser demitido por incapacidade de ministrar aulas aos alunos, sem direito a nada. Mas duvido que alguém consiga fazer isso!

Entre as pessoas que usaram a palavra estava o presidente do Sintero, Manezinho Rodrigues. Ele disse, na ocasião, que o sindicato é totalmente contra colocar aulas de TV no lugar do professor. Com certeza, Manezinho não sabe que dois integrantes da Executiva do Sintero estão entre os maiores defensores da mediação tecnológica: João Ramão foi relator do projeto no Conselho Estadual de Educação e fez de tudo para aprovar. E Alex de Souza é Diretor do Sintero e um dos professores que gravam as aulas. Não dá para entender a posição do presidente, se os diretores do sindicato defendem a ideia. Ou então Manezinho não está sabendo. Ou essa história está muito mal contada. Falando em Sintero,a fala da Claudir revelou que ela não sabe de nada sobre a educação e não conhece o projeto em discussão. Ela falou de muitas coisas na audiência, menos de mediação tecnológica. Melhor teria sido ficar em Brasília, naqueles cursos sem fim da CUT… Tenho dito!!

FRANCISCO XAVIER GOMES

Professor da Rede Estadual

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