Painel Político
A maior agência de notícias em seu Whatsapp do Brasil

Saiba quem é José Bonifácio, delatado por executivo da Odebrecht que pagava propina em RO

0

Ex-diretor de contratos da Santo Antônio mantinha estreitas relações com políticos rondonienses e entra na mira da Lava-Jato após delação de Henrique Valadares

Brasília – O ex-diretor de contratos da Santo Antônio Energia, José Bonifácio Pinto Júnior, também conhecido como “Boni”, transitou em Rondônia durante a construção das usinas e era o queridinho da classe política. Sempre que tinha um tempo de sobra, visitava a fazenda do então governador Ivo Cassol e era figurinha fácil em reuniões com deputados, prefeito, sindicalistas e assessores. Pudera, era o homem responsável pelas ordens de pagamentos. Era ele quem dizia a Odebrecht quem deveria receber e quanto e qual a importância de cada um no cenário.

Revelações feitas pelo executivo Henrique Valadares, que era superior de Boni, à Lavas-Jato, detalha a relação espúria da classe política rondoniense com o setor de operações estruturadas da Odebrecht, responsável pelo pagamento de propinas.

Quem acompanha PAINEL POLÍTICO já sabe quem é Boni e de seu papel no propinoduto que se instalou em Rondônia em função da construção das usinas. Inclusive sua atuação no golpe que ficou conhecido como “Dossiê China”, uma maracutaia internacional que envolveu Ivo Casso e um grupo chinês além do próprio Boni, que garantiu o contrato. PARA SABER MAIS SOBRE O CASO, CLIQUE AQUI.

Na mesma época que o caso veio à tona, Boni, alegando “desgaste na relação” com Henrique Valadares, saiu da Odebrecht. Bonifácio tinha em suas mãos a liderança de um dos maiores projetos de energia na história da construtora Odebrecht. A usina também foi o primeiro grande empreendimento da empresa como investidora do setor., com sua saída, as duas atividades, de construção e investimentos em energia, ficaram sob o guarda-chuva de Henrique Valladares, que na hierarquia de comando era seguido por Bonifácio e Antônio Roque.

Odebrecht pagava propina a Cassol, Valter Araújo, Roberto Sobrinho e a CUT, diz delator

Bonifácio também conseguiu, graças ao pagamento de propinas, conter rebeliões na usina de Santo Antônio. E também foi ele quem interferiu diretamente na CPI das Usinas, que, à pretexto de “avaliar de que forma estavam sendo usados os recursos das compensações” virou uma enorme moeda de troca para que deputados estaduais recebessem propina das usinas. No total foram 18 os agraciados, alguns com dinheiro outros com contratos de prestação de serviços. Um ex-deputado chegou a vender mosquiteiros para Santo Antônio.

Isenção para as usinas

Conforme noticiado pela coluna PAINEL POLÍTICO, foi Ivo Cassol o autor do projeto de isenção fiscal às usinas do Madeira, que lesaria os cofres do Estado em mais de R$ 1 bilhão. O caso foi revelado com exclusividade em 2011 pelo site Rondoniaovivo, baseado em uma denúncia feita pela pelo auditor fiscal do Estado Francisco Barroso. Após uma série de reportagens, Boni, que já não estava mais na Odebrecht, reapareceu para tentar articular a manutenção das isenções, e chegou a procurar a Arom, associação rondoniense de municípios para buscar apoio. MAIS DETALHES SOBRE ISSO, AQUI.

“Amigo da imprensa”

Bonifácio também circulava com desenvoltura entre a imprensa local de Rondônia. Estava sempre sendo entrevistado na TV Candelária, onde mantinha forte relação com o proprietário, o ex-deputado estadual Éverton Leoni e o apresentador Léo Ladeia, que chegou a entrevista-lo logo após as denúncias do golpe com a Susfor e depois em relação à isenção fiscal para as usinas. Quem também encontrava amplo apoio na emissora de Leoni era o ex-prefeito de Porto Velho, que estava sempre concedendo entrevistas e se defendendo de denúncias que pipocavam contra ele e a emissora solenemente ignorava ou tentava desqualificar os denunciantes (normalmente os sites de notícias e mais especificamente PAINEL POLÍTICO). Também não era para menos. Devido ao perfil de audiência da TV Candelária e pelo fato dela ter forte penetração principalmente na periferia, a emissora era agraciada com contratos publicitários da Santo Antônio em toda sua grade.

A Santo Antônio também destinava para a TV Rondônia, afiliada da Globo no Estado, uma gorda fatia publicitária e as demais emissoras tiravam uma casquinha.

Amizade com italiano

Mas foi em Ivo Cassol que Bonifácio encontrou um amigo. Sempre que Boni podia, passava um tempo na fazenda de Cassol, em Rolim de Moura. O governador era um forte entusiasta das usinas em Rondônia e chegou a ser apontado pelo delator Henrique Valadares como o “garoto propaganda das usinas”. Também pudera, empresário do setor energético, Cassol tem faro apurado para oportunidades financeiras. Mesmo sendo um dos homens mais ricos do país, não gosta de gastar dinheiro. Prova disso é que até a viagem de férias com toda a família foi custeada, segundo Valadares, com dinheiro da Odebrecht.

Cassol também foi um dos mais ferrenhos críticos de Marina Silva, então ministra do meio ambiente de Lula que colocou uma série de exigências para liberar as licenças para o início das obras em Rondônia. Mas Cassol poupava Lula. Nunca atacou o presidente petista e sempre que podia, defendia. Isso é mais um indício que sua relação com a Odebrecht era uma via de mão dupla, ele cumpria ordens, já que Cassol nunca simpatizou com nada do PT, exceto é claro, se estivesse lucrando com isso.

Com a delação de Henrique Valadares, cujo dedo apontou diretamente para Boni, o ex-todo poderoso da Santo Antônio entrou no radar da Lava Jato e deve ser um dos próximos a ter que prestar esclarecimentos em Curitiba. E não vai demorar. Fontes de PAINEL POLÍTICO informaram que esta semana deve ser deflagrada uma nova fase da Lava Jato e os citados vão ter muito à explicar.

 

 

Comentários
Carregando