Saque da poupança em janeiro supera R$ 10,7 bilhões

No ano passado, porém, o rendimento da caderneta, de 8,3%, voltou a ganhar da inflação, que ficou em 6,3%.

A caderneta de poupança abriu 2017 com uma perda líquida de R$ 10,735 bilhões. O resultado é o segundo pior para o mês na série compilada pelo Banco Central (BC)
desde 1995. Em janeiro do ano passado os saques superaram os depósitos em R$ 12,031 bilhões, no pior resultado da série para o mês.

Em todo 2016, os saques líquidos somaram R$ 40,701 bilhões, após perda de R$ 53,567 bilhões em 2015. Em 2014, a poupança teve captação de R$ 24,034 bilhões, após o recorde de R$ 71,047 bilhões de 2013.

O resultado de janeiro não foi ainda pior graças ao ingresso de R$ 3,074 bilhões no último dia útil do mês. Até o dia 30, as saídas líquidas somavam R$ 13,809 bilhões. Em dezembro, foi registrada captação de R$ 10,668 bilhões, resultado impulsionado pelo pagamento da segunda parcela do 13º salário.

O menor crescimento da renda do trabalhador e o aumento do desemprego são questões que explicam a perda de recursos da poupança. Outros fatores que consumiam renda, como inflação e pagamento de tarifas, tiveram mudança de trajetória recentemente, mas não têm se mostrado suficientes para dar fôlego novo às captações.

Além disso, a taxa Selic, mesmo após a redução para 13% ao ano, ainda tira atratividade da caderneta, que perde em termos de rentabilidade para outros investimentos mesmo considerando a isenção de imposto de renda.

Como o saque líquido no mês foi maior que o rendimento de R$ 4,310 bilhões, o patrimônio total da poupança caiu de R$ 664,992 bilhões em dezembro para R$ 658,567 bilhões no mês passado. Em 2016, o patrimônio subiu R$ 8,4 bilhões, após ter caído R$ 6,137 bilhões em 2015.

Em janeiro, os bancos que aplicam recursos da caderneta em crédito imobiliário tiveram retirada líquida de R$ 8,715 bilhões (SBPE). As instituições que destinam os recursos para o crédito rural registram saída líquida de R$ 2,019 bilhões (SBPR).

A poupança é o principal instrumento para o financiamento do crédito imobiliário. A partir de 2015, BC e governo tomaram medidas para assegurar recursos ao segmento, como alteração nas regras de depósitos compulsórios e uso do FGTS para compra de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI). A última ação nesse sentido foi tomada no fim de janeiro, com o início das tratativas para regulamentar a Letra Imobiliária Garantida (LIG). O assunto está em audiência pública e a expectativa é que até o fim do semestre o novo instrumento de funding para o setor já esteja funcionando.

Desde o fim de agosto de 2013, a poupança voltou a ser remunerada pela “fórmula antiga” de 0,5% ao mês mais TR. Pela regra atual, se a Selic voltar a cair abaixo de 8,5% ao ano, o rendimento será equivalente a 70% da taxa básica de juros.

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