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Sequestrada e estuprada diz que perdeu chances de escapar para proteger família

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Vítima de sequestro e estupro durante nove meses, a norte-americana Elizabeth Smart, 25, disse em entrevista à canal CNN que perdeu chances de escapar do criminosos por medo de colocar sua família em risco.

Novos detalhes sobre o pesadelo que a jovem viveu foram revelados na segunda parte da conversa com o apresentador Anderson Cooper na noite de terça-feira (8).

Smart foi raptada de seu quarto por Brian David Mitchell em Salt Lake City, no Estado de Utah, em junho de 2002. Na época tinha 14 anos. A mulher de Mitchell, Wanda Barzee, foi cúmplice no crime.

No livro “My Story” (“Minha História”), lançado na segunda-feira (7), ela retrata o período que passou em cativeiro, quando era rotineiramente estuprada. A primeira parte da entrevista à CNN trouxe relatos sobre os momentos iniciais do sequestro.

Elizabeth-SmartEnquanto esteve sob o poder de seus sequestradores, Smart utilizava um véu cobrindo o rosto para andar nas ruas. Uma das oportunidades de fuga que perdeu ocorreu quando estava com Mitchell e Barzee em uma biblioteca de Salt Lake City.

No episódio, um policial à paisana se aproximou para investigar o trio. “Assim que ele mostrou o distintivo, ela [Barzee] imediatamente colocou a mão sobre a minha perna. Na minha cabeça de menina de 14 anos de idade, sabia que se fizesse algo ou dissesse qualquer coisa iria ser morta e eles iriam atrás da minha família”, conta Smart.

“Eu permaneci apenas orando, esperando desesperada que o policial me reconhecesse, que de alguma forma ele me salvasse”. Mitchell se recusou a deixar o investigador ver sob o véu que protegia o rosto da menina, dizendo que isso violaria suas crenças religiosas.

“Quando o policial se virou e foi embora, 100% convencido de que não era eu, parecia que estava sendo sequestrada mais uma vez, que estava sendo levada de minha família novamente”.

Smart conta na entrevista que conseguiu convencer seus raptores a não seguirem viagem para outro Estado e voltarem para Salt Lake. “Lembro-me de ter dito que estava com um sentimento, que Deus nunca falaria comigo, mas que poderia falar com eles e que eles poderiam perguntar-lhe se não deveríamos voltar para Salt Lake. Assim, eles decidiram voltar”.

Coragem para revelar identidade levou ao fim do sequestro
A menina foi resgatada numa barreira policial em março de 2003, depois que as autoridades receberam a denúncia de que havia suspeitos na localidade de Sandy, a 24 quilômetros de Salt Lake City, Estado de Utah.

Mitchell havia preparado uma história para ser contada em casos de abordagem. Na ação derradeira, os policiais cercaram o carro em que estava do lado de fora de um supermercado e começaram a fazer perguntas para ela e seus algozes. “Comecei a dar essas respostas ensaiadas porque eles [os sequestradores] estavam sentados ao meu lado. Estava amedrontada, aterrorizada”, conta Smart.

Em dado momento a polícia a separou de Mitchell e Barzee. “Ainda estava com muito medo. Dava as respostas que tinham sido combinadas. Até que um dos policiais perguntou: ‘se você é Elizabeth Smart, saiba que a sua família sente muito a sua falta e te ama muito'”, conta na entrevista.

“Você não quer voltar para casa, para sua família?”, teria perguntado a autoridade, segundo Smart. “Foi nesse momento que eu senti que não importava quais seriam as consequências, que eu queria ir para casa. Disse que era, sim, Elizabeth Smart”.

 

Fonte: Uol

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