Sérgio Moro em Rondônia – Professor Nazareno*

É óbvio que ninguém em sã consciência trocaria hoje a florida, desenvolvida e civilizada Curitiba, capital do Paraná, por Porto Velho, a fedorenta, quente, feia e atrasada capital de Rondônia. O juiz Sérgio Moro muito menos. Mas como sonhar não é proibido, imagine-se que, de uma hora para outra, o eminente magistrado resolvesse dar expediente nas “terras dos destemidos pioneiros”.

Trabalho não iria lhe faltar, com toda a certeza. Seus assessores não parariam um minuto sequer tentando resolver as muitas coisas que talvez só aconteçam por aqui mesmo. Incompetência, corrupção, desvios de verbas, nepotismo, tráfico de influências e toda a sorte de desgraças nos meios políticos e sociais seriam alvo das investigações da equipe que conduz a operação Lava-Jato.

Muitos rondonienses, desacostumados com tanta eficiência, ficariam encantados. Os trabalhos, claro, começariam por Porto Velho, a imunda e suja “capital das sentinelas avançadas”. Por que as carcaças dos viadutos, por exemplo, estão enfeitando a cidade durante tanto tempo? Quem teve a infeliz ideia de construir aquelas porcarias? Quanto de dinheiro Brasília mandou para aqueles dejetos? Quanto foi empregado de fato na geringonça? Quanto foi desviado? Quem se beneficiou? Quantos políticos já se elegeram prometendo concluir aquela desgraça? Quem já foi preso por causa da obra?

Quando, enfim, os matutos de Porto Velho verão um viaduto de verdade? São muitas as perguntas que “a equipe de ouro” do magistrado faria no decorrer do longo processo investigatório. Com relação à ponte escura, a pergunta seria: para que uma ponte, se não existe uma estrada? Por que ela ainda está escura? Por que a receberam inacabada? O precário sistema de saúde do Estado seria também objeto de investigação.

Como pode o “açougue” João Paulo Segundo continuar a ser um campo de extermínio de pobres depois de tantos anos? Por que a Unir, Universidade Federal de Rondônia, tem um curso de Medicina e não tem um Hospital Universitário? Onde já se viu tamanho absurdo? O prédio do INSS, por exemplo, nunca foi concluído, depois de estar em obras há quase um século. A cidade, uma capital de Estado, por incrível que pareça não tem rede de esgotos nem de água tratada. Será que nunca veio dinheiro para isto? É claro que o juiz Moro gostaria de saber por que o preço das escassas passagens aéreas para Porto Velho e região está cada vez mais caro. Por que ninguém ainda não tomou providências? Outro fato: nem em Porto Velho nem no Estado existe oposição. Por quê?

Sérgio Moro teria que mandar construir umas cinco cadeias do tamanho do Urso Branco para prender tanto malfeitor. O Espaço Alternativo da cidade, quantos políticos ele já elegeu? Por que “aquilo” ainda está parado? Por que a mídia local está repleta de propagandas de políticos incompetentes e desonestos? Claro que o magistrado gostaria de saber disto. E quem não gostaria? A EFMM, por que deixaram as águas do rio Madeira invadi-la e destruí-la? Quem são os responsáveis? Cadeia em todos eles. Por que ser prefeito de Porto Velho não dá lucro, queima a reputação de qualquer um e tem uma penca enorme de políticos querendo concorrer ao cargo? Que mandinga miserável é essa? O juiz descobriria logo o porquê de tudo isto e puniria todos na forma da lei.

O juiz paranaense só não visitaria a Assembleia Legislativa do Estado nem a Câmara de Vereadores de Porto Velho. Nestes dois locais não há nada que contrarie as leis do país.

*É Professor em Porto Velho.

Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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