Sobrevivente de naufrágio diz ter sido ignorado por barcos

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O trabalho dos mergulhadores que buscam corpos entre os restos da embarcação que naufragou ontem próximo da ilha de Lampedusa, na Itália, com cerca de 500 imigrantes a bordo, foi suspenso nesta sexta-feira (4) devido às condições ruins do mar, informou a Guarda Litorânea.
Os mergulhadores permanecem na zona do naufrágio para recomeçar as buscas assim que o tempo permitir.

Segundo o ministro do Interior, Angelino Alfano, 111 corpos foram recuperados. No entanto, muitos corpos foram localizados ontem pelas equipes de resgate presos nos restos da embarcação e no casco, a maioria mulheres e crianças. Segundo a agência de notícias Reuters, mais de 200 pessoas estão desaparecidas.
Nesta sexta-feira também foram divulgadas imagens de um vídeo feito pela Guarda Costeira da Itália mostrando o resgate de alguns sobreviventes do naufrágio.

O barco se encontra a 47 metros e de profundidade e próximo do litoral de Lampedusa. Às 18h locais (13h de Brasília) será realizada uma missa em uma igreja da ilha pela alma dos mortos na tragédia.
Um hangar da força aérea italiana em Lampedusa se transformou em um improvisado cemitério, para onde são levadas a maioria dos corpos resgatados do mar, entre eles o de quatro crianças.
O número de sobreviventes do naufrágio é 155, segundo anunciou nesta sexta o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur).
Segundo o testemunho de alguns dos sobreviventes, a embarcação, que iniciou a travessia no litoral da Líbia, pegou fogo e acabou virando, por isso os imigrantes africanos caíram ao mar e alguns ficando presos na estrutura do barco.
Um dos sobreviventes disse ao jornal “Corriere della Sera” que três embarcações avistaram o barco e que nada fizeram.

O fogo pôde ter se originado por um curto-circuito, mas é possível também que os próprios imigrantes tenha acendido uma chama para serem localizados, já que não puderam entrar em contato com os serviços de resgate.
A Itália declarou um dia de luto nesta sexta-feira, e escolas farão um minuto de silêncio em memória das vítimas, mortas um dia depois de outras 13 pessoas terem se afogado em um incidente separado também em frente à costa da Sicília.
O ministro do Interior da Itália, Angelino Alfano, disse nesta sexta-feira que o naufrágio de ontem na costa de Lampedusa provavelmente não será a última tragédia envolvendo embarcações com imigrantes ilegais que tentam chegar na Europa.
Alfano falou que sentia “vergonha” pelo terrível episódio e disse que foram os pescadores e os praticantes de esporte aquáticos de Lampedusa que alertaram, por volta das 7h locais, sobre o acidente.
Com a nova tragédia, pela qual a Itália vive atualmente uma jornada de luto nacional, Lampedusa, que é considerada uma das portas de acesso da Europa, voltou a ser testemunha de uma travessia frustrada para aqueles que buscam no velho continente um futuro melhor fugindo dos conflitos e da crises na África.

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