“Sou mulher trans e realizei meu sonho de ser mãe com a minha melhor amiga”

Luiza Valentim, 27, estava no meio de sua transição de gênero quando descobriu que ficaria estéril e decidiu ter um filho com sua amiga Gisele. Em seu depoimento ao UOL, ela conta como foi todo o processo de se entender mulher e mãe ao mesmo tempo. “Entender que sou uma mulher trans trouxe muitas questões e angústias à minha vida. Mas uma das maiores surgiu quando dei início à transição com hormônios e descobri que isso me deixaria infértil. Então surgiu a ideia que mudaria mais ainda a minha vida. Decidi propor para minha grande amiga Graziele, com quem eu dividia uma casa na época, que tivéssemos um filho juntas.

Apesar de nosso relacionamento ser pura amizade, ela nem hesitou, na hora gostou da ideia e embarcarmos nisso juntas. Assim, pude viver ao mesmo tempo a experiência de me descobrir mulher e mãe. “Só entendi que era trans quando tentei me matar” Até os 22 anos, eu achava que era um homem e não entendia o que eu sentia, porque eu não me reconhecia no meu corpo. Tinha muito pouca informação e conhecimento sobre a questão da transexualidade. Só sabia que desde criança as pessoas me corrigiam. ‘Anda direito.’ ‘Fala mais grosso.’ Eram coisas comuns de ouvir e que foram me forçando a viver o tempo todo num personagem masculino, criando uma casca. Isso me causava tanto sofrimento, que comecei a desenvolver síndrome do pânico e cheguei a tentar me matar. Eu estava completamente perdida quando encontrei uma médica que, depois de conversar comigo, me explicou direito o que era ser uma pessoa trans, contou como essas pessoas se sentiam e, conforme ela falava, eu ia me enxergando em suas palavras.

Saí dessa consulta sabendo que era uma mulher, mas ainda precisei passar por um longo processo de transição. Primeiro foram terapias, para então ir começando a assumir minha identidade e as mudanças no meu corpo vieram juntas. Grazi, minha amiga do peito, esteve ao meu lado o tempo todo. Ela me emprestava suas roupas e me apoiava nos momentos de dificuldade.

Meus pais também me deram todo o apoio do mundo. Como moramos em uma cidade pequena, eram muitos os estereótipos e paradigmas que eu precisava quebrar. Digo até que foi um processo de imposição da minha identidade, porque o tempo todo a sociedade ficava tentando me falar quem eu podia ser ou não. Era difícil. Mas apesar de ser difícil, era tranquilizador. Eu finalmente estava me identificando comigo mesma e comecei a ter perspectiva de vida. Antes da transição, eu não fazia planos, eu não pensava no futuro. O foco era em conseguir ser o que eu precisava ser a cada momento. A partir do momento em que me vi com mulher, isso mudou. Passei a imaginar minha vida dali para frente, sonhar e planejar. E um dos sonhos que se tornava mais forte era o de ser mãe.

LEIA A REPORTAGEM COMPLETA NO UOL

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Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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