Subtenente que matou sargento dentro de quartel da PM é considerado “inimputável”

A família do sargento Paulo Andrade, morto no dia 24 de novembro dentro do Comando Geral da Polícia Militar do Acre (PM-AC), diz estar sem palavras após saber do resultado do julgamento do ex-subtenente José Adelmo dos Santos, acusado do crime. No julgamento, que durou cerca de três horas, a Justiça do Acre acatou a tese da defesa e considerou o réu inimputável, que é quando a pessoa não pode responder por si judicialmente. Com isso, Santos vai cumprir três anos de internação e passar por tratamento psicológico como medida de segurança.

Santos foi ouvido no último dia 9 em uma audiência de custódia. Ele foi expulso da corporação conforme a portaria publicada no Diário Oficial do Estado (DOE) no dia 3 de maio. A exclusão passou a contar desde o dia 26 de abril.

“Não tenho nem palavras para descrever isso. Se ele passasse o resto da vida preso ainda não pagava o que fez. Se ele é inimputável, então, quem colocou ele lá tem que pagar. Alguém tem que pagar. Não sei ainda o que vamos fazer. Estamos tentando digerir isso”, disse Eliete Andrade.

Ainda segundo Eliete, a família vai se reunir e decidir se vai ou não entrar com um processo contra o estado. “A vida dele não era importante para ninguém. Não era importante para o estado, apenas para gente. É muito fácil colocar uma pessoa dessa lá e acabar com a vida de uma família inteira”, lamentou.

O advogado de defesa Tibiriçá Thompson disse que Santos vai permenecer internado no Batalhão de Operações Especiais (Bope) e receber mensalmente a visita de um psiquiatra. O ex-subtenente, segundo ele, sofre de transtorno bipolar e é depende químico há mais de 20 anos, segundo o advogado.

“Pode ficar três anos ou 30. Depende do que o perito vai dizer. É no mínimo três anos, após isso o perito psiquiatra vai avaliar. Não é uma prisão, não é uma pena, ele precisa ser tratado. Ele poderia pegar dez anos, mas sair com o mesmo problema. O correto é tratar a doença dele”, disse.

Sargento foi morto dentro do Comando Geral da PM-AC, em Rio Branco (Foto: Aline Nascimento/G1)

O caso

O segundo sargento Paulo Andrade, de 44 anos, foi morto, na noite do dia 24 de novembro de 2016, pelo subtenente da Polícia Militar do Acre, José Adelmo Alves dos Santos, de 49 anos, dentro do Comando Geral da corporação, em Rio Branco.

A vítima foi atingida por um tiro de pistola ponto 40.

O capitão Felipe Russo disse que o motivo da morte teria sido uma briga entre os colegas de profissão. “Uma discussão banal e sem motivo. Surgiu do nada e acabou nisso aí”, confirmou.

Paulo Andrade foi morto com tiro de pistola (Foto: Arquivo Pessoal)

O comandante da PM-AC, coronel Júlio César também se pronunciou sobre o caso. “Infelizmente o subtenente Adelmo foi admoestado por alguma falta ao serviço e reagiu de forma inesperada, desproporcional, sacando sua arma e fazendo um disparo contra o sargento. Todas as providências foram tomadas, o local foi isolado, o subtenente foi detido, encontra-se em uma unidade militar”, afirmou.

Após o crime, o subtenente foi levado para o quartel do Batalhão de Operações Especiais (Bope). De acordo com a PM-AC, o subtenente trabalhou durante aproximadamente 30 anos na polícia e há quatro estava na reserva. Ele foi convocado há quatro meses para reforçar a segurança na capital após a onda de ataques que ocorreu no segundo semestre de 2016 ano em cidades do estado.

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Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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