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Território livre, redes sociais podem projetar ou enterrar candidaturas

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Diferente do rádio e da TV, a internet é uma zona livre para políticos em busca de projeção entre milhões de brasileiros, de uma forma barata e rápida, e com a vantagem de receber retorno imediato das impressões do público. Em ano eleitoral, centenas de políticos se dedicam a marcar território e criar páginas em redes sociais, ávidos por fãs, seguidores, curtidas e compartilhamentos. “A lógica do político é servir o eleitorado dele e até então não existia um canal direto, com a possibilidade de escala tão grande de diálogo com esse eleitor, a não ser um comício”, explica Pedro Waengertner, coordenador do núcleo de estudos e negócios em marketing digital da ESPM.

A empolgação do momento, entretanto, pode reservar armadilhas para os desavisados e iniciantes no mundo virtual e transformar o que serviria em um trampolim para a popularidade de um candidato em motivo de piada e de antipatia. Erros comuns como posts longos demais, fotos inconvenientes, assuntos inapropriados, excesso de formalidade ou o oposto, conhecido como “oversharing” na rede (superexposição da vida íntima) podem destruir trabalhos de equipes inteiras de consultoria de imagem.

Apesar de não existir certo ou errado, é sempre bom quem está do outro lado da tela ter cuidado antes de publicar qualquer coisa. Além de saber quais são as exigências da lei, importa o bom senso. Nas redes, o objetivo do político é estabelecer uma relação próxima, quase pessoal com seus eleitores, de duas mãos. A maioria dos políticos tem a mentalidade de falar para os eleitores.

Uma unanimidade nas dicas de especialistas é usar o tom pessoal na administração das contas, usando como medida a personalidade do político e o perfil do seu eleitorado, se ele aceita ou não a troca de intimidades.

Para manter um público fiel, é preciso dedicação e não abandonar perfis. Para isso, é bom escolher entre a infinidade de redes as que mais agradam e se encaixam no perfil do político e seguir as suas convenções. Twitter, Facebook, Google Plus e Youtube são as mais populares. Ações como chat coletivo e hang outs também são estratégias válidas, se enquadrarem com o perfil do candidato. E importante: é preciso ficar online também depois da vitória ou derrota.

Autenticidade também é a dica oficial do Facebook aos políticos que compartilham o dia-a-dia em suas páginas. A rede, que se orgulha de ter uma penetração de 80% dos usuários da internet no Brasil, sugere que os perfis públicos usem suas iniciais, por exemplo, para identificar quando o post foi feito pela própria personalidade, e não por assessoria. Entre as dicas da rede social de Mark Zuckerberg também está a busca por engajamento dos fãs, por meio da promoção de chats, encontros virtuais e interação com fotos, vídeos e momentos dos bastidores. No Facebook, há a possibilidade de comprar a divulgação de sua conta, com anúncios segmentados para conquistar novas curtidas, ou até mesmo comprar fãs. O que é oficial no Face, é feito por baixo dos panos no Twitter, onde pode-se inflar o número de seguidores artificialmente.

As redes sociais podem dar uma mão extra para candidatos com grande base popular mas com menos dinheiro que seus adversários. Ana lembra a projeção dada a Marina Silva, então candidata pelo PV, e a Plínio de Arruda Sampaio (PSOL), por ações criativas e espontâneas pensadas especificamente para os internautas que os acompanhavam. “Neste ano, com mais gente conectada e consciente de que as redes são um espaço de diálogo, de aproximação com o candidato, não aproveitar adequadamente as possibilidades desses canais pode trazer prejuízos não só nas urnas, mas à imagem da figura pública”, avalia.

Os candidatos podem explorar as ferramentas virtuais com mais segurança após a decisão da Justiça Eleitoral, em setembro do ano passado. Por maioria de votos, os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiram que manifestações políticas feitas por meio do Twitter não serão passíveis de serem denunciadas como propaganda eleitoral antecipada. E a minirreforma eleitoral, aprovada pelo Congresso e sancionada em dezembro passado, libera manifestações partidárias o ano inteiro.

Apesar de liberar o uso, a nova lei também penaliza a chamada “guerra suja” na rede. Agora é crime contratar “direta ou indiretamente um grupo de pessoas com a finalidade específica de emitir mensagens ou comentários na internet para ofender a honra ou denegrir a imagem de candidato, partido ou coligação”. A pena para o candidato ou responsável pode variar de dois a quatro anos de prisão, além de multa entre R$ 15 mil e R$ 50 mil. Para quem for contratado e postar conteúdo apócrifo pode enfrentar de 6 meses a 1 ano de prisão e multa de R$ 5 a R$ 30 mil.

As eleições de 2014 serão as primeiras com as novas regras e, com o crescimento do acesso à internet no Brasil, a atenção a coisas boas e ruins irá crescer. “A gente ainda vai ver muitos perfis denegrindo, blogs sujos. Quem usa essas práticas não éticas durante a campanha deveria refletir se vale à pena. Está cada vez mais fácil identificar de onde vem isso, e o tiro pode sair pela culatra”, diz Waengertner.

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