Tirar a Dilma para quê? – Professor Nazareno*

A última manifestação teve a participação pífia de menos de meio por cento dos brasileiros

O atual governo de Dilma Rousseff do PT tem se mostrado como um dos piores que o Brasil já teve nestes trinta anos de democracia. Com apenas sete por cento de aprovação popular, praticamente a única coisa que tem feito é lutar desesperadamente para se manter no poder. Só neste ano, pelo menos três manifestações aconteceram no país não só para protestar contra a corrupção e os desmandos do governo petista, mas principalmente para tirar a presidente do cargo por meio de um impeachment. Ingênuos e praticamente dominados por [su_frame align=”right”] [/su_frame]interesses escusos, muitos brasileiros acreditam piamente que a saída da atual mandatária fará jorrar mel e leite das ruas. Talvez por isso mesmo, a última manifestação teve a participação pífia de menos de meio por cento dos brasileiros. Isso mesmo: apenas 0,4% foram às ruas para mudar a situação do país.

Comandados por parte da direita golpista, os brasileiros que se atreveram a sair do conforto de suas casas protagonizaram uma das mais patéticas manifestações de que se tem notícia. Eu não fui a nenhuma passeata. Não quis trocar a cerveja gelada num dia quente para ir fazer papel de otário no meio da rua, já que as cenas que se espalharam por várias capitais do país foram lamentáveis. Vários cartazes e faixas, geralmente escritos em língua portuguesa errada, pediam abertamente a volta da Ditadura Militar assim como muitos outros com pedidos toscos e verdadeiras aberrações. Essa ação de muitos manifestantes envergonhou não só o país, mas também alguns turistas estrangeiros. Depois dos 7 X 1 na última Copa do Mundo, mais outra vergonha para nós. Que bom: evitei estar ao lado de Jair Bolsonaro, Silas Malafaia e Aécio Neves.

Recentemente, o prestigiado jornal londrino Financial Times falando sobre as atuais “manifestações carnavalescas” do Brasil afirmou que a presidente brasileira deveria permanecer no cargo, apesar dos pedidos por impeachment. Segundo o texto, se Dilma for afastada, será provavelmente substituída por outro “político medíocre” que tentaria implementar as mesmas medidas de estabilidade econômica dela. Seria, no jargão popular, trocar seis por meia dúzia. E já que mais de 54 milhões de brasileiros decidiram pelo PT e pela Dilma nas últimas eleições, é melhor deixar tudo como está.

“Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”. Não é comodismo, é realidade mesmo. Estamos acostumados a ser roubados e enganados pelos políticos e nunca fazemos nada.
Parece que a nossa sina não mudará: quando o político não é incompetente, é ladrão. Se a Dilma sair, quem assumirá o seu lugar será o vice-presidente, Michel Temer do PMDB. Não daria certo: esse partido governa e envergonha o Brasil desde o fim da ditadura militar em 1985 e nada mudou, pelo menos para nós, até hoje. Em caso da chapa inteira ser escorraçada do poder, assumiria o Aécio Neves e o seu PSDB da privataria tucana, do escândalo no metrô de São Paulo e do Mensalão mineiro. Teriam chances também o Eduardo Cunha, atual presidente da Câmara dos Deputados e ainda o Renan Calheiros, presidente do Senado, que dispensam quaisquer comentários. Não!

Melhor eu ter ficado em casa mesmo tomando uma Heineken gelada e torcendo pelo pior: para que a Dilma não saia do poder agora, somente em 2018. Já incorporamos a síndrome da galinha: “levamos no traseiro e cantamos alegres”. Não há saída, por enquanto. Ou aprendemos a votar ou pagaremos caro pelas nossas estúpidas escolhas.

*É Professor em Porto Velho.

Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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