Tratamento inédito permite que mãe transgênero amamente o filho

NOVA YORK — Uma mulher transgênero de 30 anos conseguiu realizar um sonho. Após um tratamento que durou três meses e meio, incluindo hormônios, uma droga para náuseas e estimulação nos seios, ela foi capaz de amamentar seu filho, num caso inédito na medicina. De acordo com o relato dos médicos, a produção de leite foi “modesta”, mas o suficiente para ser a única fonte de nutrição nas primeiras seis semanas do bebê.

— Este é o primeiro passo em direção a um tratamento padrão para mães transgênero construírem famílias felizes e saudáveis — disse Tamar Reisman, uma das médicas envolvidas no tratamento, em entrevista ao “Sun”. — Esse caso mostra que, sob certas circunstâncias, a lactação pode ser induzida em mulheres transgênero.

A paciente, que não teve o nome divulgado, procurou o Hospital Monte Sinai, em Nova York, em busca de uma solução para o seu problema. Ela contou que estava prestes a se tornar mãe, mas a sua parceira, grávida de cinco meses e meio, não estava interessada em amamentar o bebê. Então, ela pretendia assumir essa importante função para o desenvolvimento da criança.

Seu histórico médico mostrava que ela estava num regime terapia hormonal para transexuais desde 2011, mas não havia passado por nenhum procedimento cirúrgico, como aumento dos seios ou mudança de sexo. Por causa da terapia hormonal, a paciente já possuía seios aparentemente femininos.

Aumento das doses de estradiol e progesterona

Tamar e Zil Goldstein aceitaram o desafio, receitando o aumento das doses dos hormônios estradiol e progesterona, para simular o crescimento dos níveis vistos durante a gravidez; o uso da domperidona, um medicamento usado para controlar as náuseas, mas que tem como efeito o aumento dos níveis de prolactina; e de uma bomba para estimular os seios.

Após o primeiro mês, um exame detectou a produção de gotas de leite. Aos três meses, ela estava produzindo 237 mililitros de leite. A criança nasceu três meses e meio após o início do tratamento, e a paciente foi capaz de amamentar o bebê exclusivamente com seu leite nas primeiras seis semanas. Durante esse período, a pediatra relatou que o crescimento, a alimentação e os hábitos intestinais estavam se desenvolvendo normalmente.

“Com seis semanas, a paciente começou complementar a amamentação com fórmula diariamente, devido a preocupações sobre o volume insuficiente de leite”, escreveram as autoras do artigo. “No momento da submissão deste artigo, o bebê se aproxima dos seis meses de idade. A paciente continua amamentando com o complemento da fórmula”.

— É um grande feito — avaliou Joshua Safer, do Boston Medical Center, em entrevista à “New Scientist”. — Muitas mulheres transgênero desejam ter o máximo de experiências de mulheres não-transgênero que puderem ter, então prevejo que isso será extremamente popular.

Primeiro caso descrito na literatura médica

De acordo com o médico, não envolvido no estudo, existem relatos anteriores em fóruns de internet, mas este tratamento alcançado no Monte Sinai é o primeiro caso descrito na literatura médica. Safer se disse impressionado, mas não surpreso com essa possibilidade.

— Quando eu trato mulheres transgênero, nós percebemos um bom desenvolvimento dos seios — comentou, acrescentando que não existe razão para essas células não produzirem leite como em uma mulher não-transgênero. — Caso o método se prove seguro e eficaz, ele pode beneficiar não apenas as mulheres transgêneros, mas também as mães adotivas ou as que enfrentam dificuldades para amamentar.

É preciso avaliar os impactos de longo prazo no bebê, diz pesquisadora

Madeline Deutsch, pesquisadora da Universidade da Califórnia, alerta que antes que o tratamento seja recomendado, é preciso avaliar se os componentes do leite produzido pela mãe transgênero é o mesmo do presente no leite de mães gestacionais. Também é preciso avaliar os impactos de longo prazo desse leite no bebê. Deutsch também é uma mulher transgênero, com uma filha de seis meses que é amamentada pela sua esposa, a mãe gestacional da criança.

— Eu fico muito triste por não ser capaz de amamentá-la, mas ao mesmo tempo eu não considero fazer isso por estas razões — comentou.

Fonte: OGLOBO

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