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Uma década de sofrimento: Ele foi ao estádio pela 1ª vez. Voltou sem andar, sem falar e preso à cama

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Há dez anos, Veronaldo Silvino da Silva levou uma pedrada no Arruda e até hoje o culpado nunca foi identificado

Há dez anos Veronaldo Silvino da Silva saiu de casa para ir ver o Sport jogar contra o Santa Cruz, no Arruda. Não voltou com as próprias pernas. Há dez anos vive preso em uma cama. Não fala. Não anda. Não teve culpa. Apenas caminhava em direção à bilheteria do estádio quando foi atingido por uma pedra arremessada por tricolores da arquibancada. Teve afundamento do crânio e ficou tetraplégico.

Um crime bárbaro que até hoje, exatamente uma década depois, permanece impune, enquanto a família do torcedor sofre quase sem ajuda para lutar por uma vida. Que resiste. Que insiste em ser vida.

Onze de abril de 2007. Em uma humilde casa, em Peixinhos, Olinda, o rubro-negro Veronaldo se preparava para ir a um estádio pela primeira vez. O entregador de água mineral, então com 21 anos, só acompanhava jogos pelo rádio e TV, com medo da violência. Com o casamento marcado para exatamente um mês depois, ele se despediu por telefone da noiva com quem estava junto há três anos e disse para ela não se preocupar pois voltaria logo.

Saiu com dois amigos na expectativa de assistir de perto o time do coração. Nem chegou a ver o time em campo. Como também nem viu a pedra lançada do anel superior do Arruda. Sangue. Correria. Socorro. A mãe de Veronaldo, Hozineide Gomes Xavier, estava trabalhando em uma floricultura na Holanda e só conseguiu voltar ao Brasil três dias depois. Encontrou o filho no Hospital da Restauração em coma, desenganado pelos médicos. “Eles pediram para eu ter calma e me conformar. Mas eu falei que Deus estava com meu filho e ele ia voltar pra casa. Passei oito meses com meu filho no hospital até ele ser liberado. Desde então minha vida é meu filho. Passei a vegetar como ele”, disse.

Dez anos depois, a mãe continua cuidando dele com amor e dedicação, contrastando com o descaso das autoridades. “Até hoje meu filho está preso em uma cama inocentemente pagando por um crime que não cometeu. Enquanto isso os monstros das arquibancadas estão aí soltos, fazendo mais vítimas, fazendo mais família sofrerem como a minha. Nesses dez anos, a polícia nunca achou os culpados. O Santa Cruz nunca deu nada. O Governo de Pernambuco nunca fez nada. Para eles, é como se meu filho não existisse. Como se já tivesse perdido a vida”, contou Hozineide.

As únicas ajudas financeiras vem da aposentadoria de Veronaldo e da Federação Pernambucana de Futebol (apenas um salário mínimo que em alguns momentos deixou de ser pago). Os gastos são enormes. A alimentação tem que ser especial e é feita só por sonda. Ainda tem custos com remédios, fraldas, tratamento. Sem contar no aluguel da casa e na conta de energia elétrica (a casa só tem um ventilador e fica 24 horas ligado para Veronaldo).

Hozineide teve que largar o emprego para cuidar integralmente do filho e ganha alguns trocados vendendo “Pernambuco da Sorte” nas poucas horas vagas na vizinhança. “De vez em quando aparecem algumas pessoas de bom coração e fazem doações. Ainda que pouco, agradeço a Deus pois tudo que chega para meu lho para mim é grandioso”, armou a mãe que recebe doações por meio de uma poupança (Nome: Hozineide Gomes Xavier / Banco: Itaú/ agência: 7376 / conta: 09585-2 / CPF: 754244604-53).

Uma década após o crime, Hozineide, assim como o filho, se mostra uma guerreira. Mantém a esperança e a disposição para lutar. “Eu só queria que as autoridades, o Governo de Pernambuco, ouvisse esse clamor de uma mãe sofrida que não tem mais a quem recorrer. Apesar desses dez anos de esquecimento, eu luto com muita fé que Deus tem um propósito imenso para mim e meu filho. Acredito que um dia toda essa tristeza se transfomará em vitória”, garantiu.

as informações são do JC/UOL

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