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Usinas do Madeira pagaram propina e doações de campanha com dinheiro público

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Alan Alex / da reportagem de Painel Político – Em 2011, uma série de reportagens de Painel Político revelou um golpe milionário aplicado por um consórcio chinês chamado Sustainable Forest Holdings Limited (Susfor) que teria contado com a suposta participação do ex-deputado Tiziu Jidalias, além de outros parlamentares que na época participaram da chamada “CPI das Usinas”. O empresário paraense Luiz Carlos Tremonte, que representava o consórcio chinês, alegou que os deputados haviam recebido propina para “amenizar” o relatório final, que realmente não chegou a lugar algum.

Tremonte também revelou que o então diretor da Santo Antônio Energia, José Bonifácio Sobrinho, o Boni, havia sido o responsável pelas articulações políticas, e era ele o responsável pelo pagamento de propinas. Logo após as revelações de Tremonte por Painel Político, Boni “se aposentou” de Rondônia e ganhou um cargo fora do Estado. Vale lembrar que o dinheiro utilizado pelos consórcios tanto de Jirau quanto Santo Antônio é público, financiado pelo BNDES.

No mês passado, o ex-presidente da Assembleia Legislativa, em depoimento ao procurador federal Reginaldo Trindade, revelou que um grupo de parlamentares iria receber R$ 1 milhão, cada, em troca de voto pela isenção fiscal às usinas do Madeira, um golpe que renderia cerca de R$ 1 bilhão aos consórcios. Graças a rápida atuação do Ministério Público do Estado que ingressou com ações civis públicas, a sangria foi estancada. Mesmo assim, segundo o depoimento de Valter, os deputados chegaram a receber 50% do valor combinado. O caso está sendo investigado e muita gente ainda deve ser ouvida nos próximos meses.

Em março deste ano, investigações da Polícia Federal que investiga a compra de uma refinaria de petróleo no Texas (EUA) pela estatal Petrobrás, foi descoberto que a GDF Suez, empresa líder do consórcio para construção da Usina Hidrelétrica de Jirau, em Rondônia, uma das maiores obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), tem como acionista o bilionário empresário belga Albert Frère, que controla a empresa Astra Oil por meio da Transcor Astra Group, aparece como membro do conselho e diretor independente. De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a empresa nacional Tractebel, que vende energia no Brasil doou R$ 1 milhão, em duas parcelas de R$ 500 mil, diretamente ao comitê financeiro nacional da campanha de Dilma Rousseff. O restante, em três parcelas de R$ 250 mil, R$ 200 mil e R$ 100 mil, foi repassado ao comitê financeiro único do PT de Rondônia e de Santa Catarina e, ainda, à direção nacional do partido.

Quatro anos antes, Dilma deu aval para a Petrobras comprar a refinaria de Pasadena, no Texas, até então pertencente à empresa belga Astra Oil, ocasionando um prejuízo bilionário ao Brasil. A Tractebel, uma companhia com sede em Florianópolis, é controlada pela francesa do setor de energia GDF Suez. O bilionário empresário belga Alfred Frére, que controla a Astra Oil por meio da Transcor Astra Group, é também um dos acionistas da gigante mundial da França.

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No último fim de semana, o jornal Folha de São Paulo revelou que as construtoras Odebrecht e Camargo Corrêa, responsáveis pelo canteiro de obras nos dois empreendimentos, doaram ao Partido dos Trabalhadores (PT) R$ 18.300.000,00. A transferência de dinheiro para partidos políticos não é proibida, mas a grande maioria das empresas que doa mantém contratos com o poder público. A Odebrecht, que venceu o leilão em consórcio para construir a usina de Santo Antônio, doou R$ 6 milhões aos petistas em 2013. Dos R$ 16 bilhões utilizados na construção do empreendimento de Santo Antônio, a mesma Odebrecht pegou 75% no BNDES com aval do Governo Federal. A Camargo Corrêa mandou outros R$ 12,3 milhões para a conta do PT no ano passado. A mesma Camargo Corrêa recebeu do BNDES R$ 7,2 bilhões em 2009 e outro crédito suplementar no valor de R$ 2,32 bilhões para financiar 60% da usina de Jirau.

Vale lembrar que o dinheiro “doado” pertence ao BNDES, ou seja, é dinheiro público.

Enchente histórica

Os lagos das usinas de Jirau e Santo Antônio podem ter sido os responsáveis pela maior enchente da história do Rio Madeira, que afetou a Bolívia e isolou o Estado do Acre e as cidades rondonienses de Guajará-Mirim e Nova Mamoré. Com a cheia do rio, a presidente Dilma Roussef fez um sobrevôo sobre as áreas alagadas e afirmou que “a culpa não é das usinas” e empurrou o problema para os Andes bolivianos. Em fevereiro deste ano, antes da visita de Dilma, o ministro do Desenvolvimento da Bolívia, Ruan Ramón Quintana, braço direito do presidente Evo Morales afirmou em entrevista que o presidente, Evo Morales pretendia entrar com uma ação contra o Brasil e acusá-lo da tragédia no país boliviano. Em abril, dias antes de sua visita a Rondônia, o governo brasileiro autorizou por medida provisória, a liberação R$ 60 milhões do Orçamento para contratar, sem licitação, uma estatal para prestar serviços de recuperação e transporte de equipamentos de geração de energia elétrica. Os equipamentos serão cedidos à Bolívia, em um programa de cooperação energética entre os dois países. Morales mudou o discurso sobre as usinas e passou a responsabilidade, também, pelas chuvas nos Andes.

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O mesmo aconteceu com o governo do Acre, que antes da visita de Dilma, afirmava que “as usinas eram responsáveis”. Após a passagem da comitiva presidencial, o discurso mudou. Ainda não foi derrubada a liminar da Justiça Federal que responsabiliza os consórcios pelos prejuízos causados pela enchente, mas, pelo visto, isso é uma questão de tempo. E dinheiro público.

 

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