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Uso de drogas ilícitas é rotina para 142 mil belo-horizontinos

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Pela primeira vez, Belo Horizonte vai ter mapeado o perfil de seus usuários de drogas. Dados de pesquisa da UFMG mostram que 356.272 pessoas (15% da população) já experimentaram drogas ilícitas. Quase metade deste total, 142.509 (6%), faz uso constante. Os números são do estudo Conhecer e Cuidar 2015, realizado, a pedido da prefeitura, pelo Centro Regional de Referência em Drogas da universidade. O levantamento será divulgado em agosto.

A maconha é o entorpecente mais consumido: são 99.588 usuários (4,2% da população). Segundo o coordenador do centro de referência, o psiquiatra Frederico Garcia, a região Centro-Sul da capital é onde mais se consome a droga. Venda Nova é que apresenta menor índice – ele não repassou percentuais. No primeiro caso, a disponibilidade de dinheiro e a oferta do entorpecente são os facilitadores do consumo. No segundo, a religião contribui para afastar os moradores da maconha. “Na região Centro-Sul, há mais acesso à internet e se fala mais em liberar a maconha. Há uma aceitação maior da droga. Em Venda Nova, por sua vez, a população é mais religiosa”, justifica. O médico afirma ainda que a faixa etária entre 18 e 34 anos é a que mais usa a droga.

Permitido. No caso das drogas lícitas, o álcool aparece em primeiro lugar, com 51% dos belo-horizontinos (1.211.327 pessoas) fazendo uso regular. Desses, 4% (95.006 moradores) são dependentes.

As regionais Centro-Sul e Leste, com grande concentração de bares, têm os maiores índices de dependência. No primeiro caso, 5,1% dos moradores são viciados. No segundo, o índice é 5,7%. Na outra ponta, a região Norte tem o menor índice, com 2,3% da população dependente.

Em muitos casos, segundo Frederico Garcia, os usuários de maconha começam com álcool – no caso das outras drogas ilícitas, o médico afirma não haver uma relação clara. Mas foi assim com o desempregado Luiz Henrique Santos, 30. Ele começou com a bebida, aos 12 anos, e depois experimentou a maconha, até passar para a cocaína e o crack. “Comecei a roubar, a vender coisas da minha mãe para comprar drogas, a brigar em casa e cheguei a pesar 50 kg. É uma vida que não desejo a ninguém”, contou. Santos se livrou das drogas após passar nove meses em uma casa de recuperação. “Perdi muito tempo com a droga, e agora estou reconquistando tudo aos poucos”.

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