Vaza depoimento de Emílio Odebrecht: “Sempre existiu caixa 2”, assista

Emílio Odebrecht foi convocado pelo próprio filho, Marcelo Odebrecht, preso desde 2015 em Curitiba, e réu neste processo ao lado do ex-ministro Antônio Palocci

O dono do grupo Odebrecht, Emílio Odebrecht, e do ex-executivo Marcio Faria que prestaram depoimento ao juiz federal Sérgio Moro na manhã desta segunda-feira (13). Os advogados dos delatores solicitaram que os depoimentos fossem mantidos sob sigilo. O Ministério Público Federal (MPF) chegou a solicitar a publicidade dos depoimentos, mas o juiz decretou o sigilo das oitivas por entender que ele é um dos 78 delatores da empreiteira na Procuradoria-Geral da República (PGR) e as delações estão sob sigilo no Supremo Tribunal Federal (STF).

Emílio Odebrecht foi convocado pelo próprio filho, Marcelo Odebrecht, preso desde 2015 em Curitiba, e réu neste processo ao lado do ex-ministro Antônio Palocci. Durante o depoimento, Emílio Odebrecht, afirma que o sistema de pagamento de propinas descoberto pela Operação Lava Jato existia desde o tempo dele e do pai dele, Norberto Odebrecht – fundador do grupo. O patriarca contou que essa forma criminosa de obter contratos do Governo Federal, por meio de repasses ilícitos, só foi encerrada a partir de 2014, com as investigações em andamento.

Questionado pelo advogado do filho, Emílio Odebrecht afirma que o modelo de pagamentos de propinas para agentes públicos e políticos funcionava desde a época do pai dele, que deu início às atividades da empreiteira na década de 40. Durante o depoimento, Emílio afirma que se desligou das atividades administrativas entre os anos de 2001 e 2002.

Sobre a relação com o ex-ministro Antônio Palocci, principal alvo da Operação Omertà, o patriarca do Grupo Odebrecht afirma que mantinham contato frequentemente, mas que não discutiram propinas ou doações a campanhas eleitorais. “Existem muitos apelidos na organização e eu seria leviano e irresponsável em dizer que ‘italiano’ é também, e pode ser também, Antônio Palocci. Todo mundo que tinha descendência italiana, de uma forma ou de outra, na organização poderia estar [com o nome ‘italiano’]. Com certeza, ele também era identificado como ‘italiano’”, declarou o delator.

“Conheço Palocci desde o final da década de 1990, sempre conversei com ele sobre política, nunca tratei de contratos com o governo ou com a Petrobras. Troquei muitas ideiais com ele sobre aquilo que era importante para o Brasil”, declarou o empreiteiro. “Nunca foi explícito, mas a gente percebia que as empresas que tinham potencial e capacidade de fazer coisas diferentes para alavancar o Brasil lá fora tinha um apoio maior, no sentido de estar sempre sendo dado prioridade para que ela pudesse estar exercendo à plenitude seu potencial”.

Moro questionou se o empreiteiro tinha informações sobre o pagamento de propina pelo departamento de operações estruturadas da Odebrecht – setor destinado exclusivamente ao pagamento de propinas, de acordo com os investigadores, para o ex-ministro e para o Partido dos Trabalhadores (PT). Em resposta, Emílio afirma que o departamento de propinas da empreiteira não existe, mas que “com certeza” todos os partidos receberam valores da empreiteira. “Eu tenho certeza, quer dizer, desconfio seriamente, que, sem dúvida nenhuma sempre houve a parte de doação de campanha oficial e a parte não oficial, de recursos não contabilizados. Não vejo porque isso não ter continuado mesmo quando eu não estava na liderança da empresa”.

O Paraná Portal teve acesso ao conteúdo sigiloso minutos antes da decretação de sigilo. Veja abaixo:

Depoimento de Emílio Odebrecht a Moro por painelpolitico

Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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