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Veneza opta por se separar da Itália

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A mais nova região separatista do mundo não é uma cidade desconhecida, sim um dos maiores pontos turísticos da Itália e da Europa.
Nessa semana, 2,1 milhões de italianos votantes que moram em Veneza e em cidades da província de Veneto – como Treviso, Vicenza e Verona – votaram por ganhar a independência de Roma.

A consulta popular aconteceu online, entre os dias 16 e 21 de março. 89% dos votantes optaram pela separação. Mais do que o esperado: as pesquisas iniciais indicavam 65% de apoio. Apenas 257 mil votaram pelo “não”. A maioria também apoiou que o novo país, quando criado, permaneça na zona do euro, na União Europeia e na Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte).

O referendo, entretanto, não tem poder constitucional imediato. E Roma já disse que considera a consulta ilegal. Agora que o “sim” ganhou, as autoridades locais vão escrever uma declaração formal de independência, que será enviada ao governo. Entretanto, eles já avisaram que passarão a reter os impostos locais em vez de mandá-los para o governo central romano.

Desde os anos 1970, existe um grupo separatista chamado Liga Veneta que luta pela independência.

Ao jornal britânico The Independent, um dos organizadores da campanha pelo “sim”, Paolo Bernardini, disse: “Apesar da história nunca se repetir, estamos vivenciando agora um forte retorno das pequenas nações. Países pequenos e prósperos, que interagem um com o outro no mundo globalizado. O mundo inteiro está se encaminhando para uma fragmentação. Uma fragmentação positiva”.

Motivos da separação

O espírito separatista tem base no passado de glórias e prosperidade da cidade, que acabou com a tomada da região por Napoleão em 1797. Depois, a cidade ficou décadas sob o império austríaco e, em seguida, sob a nova república italiana. Os motivos são, também, econômicos. Veneza enviou 71 bilhões de euros em impostos para Roma. Em troca, recebeu do governo federal investimentos e serviços que, somados, deram apenas 50 bilhões de euros. Para a região, próspera, se manter ligada ao sul, mais pobre, e ao país em crise econômica é aceitar um prejuízo.

Segundo Nicola Gardin, coordenador da campanha, ao Yahoo: “Nós não queremos mais ser parte de um país que está contra a parede. Nada funciona mais. A Itália está decaindo com uma enorme dívida pública. Milhares de negócios fecharam, já até perdemos a conta de quantas pessoas cometeram suicídio na região de Veneto”, completou Gardin.

Desde 2007, 85 mil moradores de Veneto perderam seus empregos e oito mil negócios locais fecharam as portas.

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