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Venezuela ordena ocupação de multinacional

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No último sábado (9), a Kimberly-Clark anunciou a paralisação das suas operações falando sobre uma “carência de divisas” para adquirir matéria-prima e “o rápido aumento da inflação”

O governo venezuelano ordenou a ocupação da empresa multinacional de origem norte-americana Kimberly-Clark, que encerrou sua produção de artigos de higiene pessoal alegando uma piora das condições econômicas.

“Vamos assinar a solicitação que nos foi feita pelos trabalhadores, onde apresentaremos (…) a ocupação imediata da entidade de trabalho Kimberly-Clark da Venezuela (…) por parte dos trabalhadores”, disse o ministro do Trabalho, Oswaldo Vera, na segunda-feira (11) no prédio da companhia na cidade de Maracay, que produz especialmente papel higiênico.

Ao assinar o documento, em meio a aplausos dos funcionários, Vera ordenou que as máquinas fossem ligadas.

Ocupações

“A partir de hoje, a Kimberly-Clark volta a abrir suas portas, sua produção”, afirmou o funcionário, que reiterou a advertência do presidente Nicolás Maduro de intervir nas companhias que paralisarem suas atividades.

“O setor empresarial que quer acompanhar o governo será bem-vindo, mas empresa que é fechada é empresa que será ocupada e aberta pelos trabalhadores e pelo governo revolucionário”, sustentou.

No último sábado (9), a Kimberly-Clark anunciou a paralisação das suas operações falando sobre uma “carência de divisas” para adquirir matéria-prima e “o rápido aumento da inflação”.

Segundo um comunicado da multinacional, esse fatores tornam “impossível operar”. A lei venezuelana autoriza a ocupação de fábrica no caso de “fechamento ilegal ou fraudulento” de uma empresa ou de locaute.

De acordo com a Fedecámaras -principal associação empresarial venezuelana- mais de 85% da indústria estava paralisada em maio passado por falta de matéria-prima.

Boicote financeiro

O presidente Nicolás Maduro revelou também na segunda-feira que o Citibank encerrará em um mês a conta utilizada pelo Banco Central da Venezuela (BCV) para seus pagamentos internacionais, o que atribuiu a um boicote financeiro.

“O Citibank, sem aviso, disse que em 30 dias vai encerrar a conta do Banco Central e do Banco da Venezuela. Isto se chama boicote financeiro”, declarou Maduro em rede nacional de TV.

Segundo Maduro, através desta conta a Venezuela paga “em 24 horas todos os débitos (…) nos Estados Unidos e no mundo”.Maduro denunciou que por trás deste complô está o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

“Vocês acreditam que conseguirão nos deter ativando um boicote financeiro? Não, senhores, a Venezuela não será detida por ninguém. Com ou sem Citibank, vamos seguir adiante. Com ou sem Kimberly, a Venezuela vai”.

“O triste é que todos estes ataques são produto de um apelo da direita para a intervenção na Venezuela”, declarou Maduro, apontando para a oposição, que promove um referendo revogatório do mandato do presidente.

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