Painel Político
A maior agência de notícias em seu Whatsapp do Brasil

Vídeo mostra quando pistola Taurus, que foi proibida pela Justiça do Trabalho, dispara sozinha e atinge PM

Arma que disparou é do modelo PT 24/7 PRO D, da marca Taurus, que teve o uso proibido pelo Ministério do Trabalho após falhas provocarem 23 acidentes com policiais

0

Um vídeo registrou o momento em que a pistola de um policial militar dispara sozinha e o atinge na perna, em Goiânia. As imagens mostram quando PM desce do carro da corporação e é baleado. (veja acima). A arma é do modelo que teve o uso proibido pela Superintendência Ministério do Trabalho e Emprego em Goiás depois que uma investigação apontou falhas que provocaram mais de 20 acidentes em policiais.

O acidente foi em julho de 2016. As imagens mostram o carro do Batalhão de Choque chegando a um comércio em Goiânia. Quando um dos policiais desce do veículo, a arma, que estava na cintura dele, dispara sozinha. Foram dois tiros que atingiram a perna do policial. Ele passou por duas cirurgias, e precisou ficar três meses afastado do trabalho. Atualmente ele já voltou à ativa.

A pistola PT 24/7 PRO D, da marca Taurus, teve o uso proibido na terça-feira (31). Segundo o MTE, são 2,5 mil armas em uso pela Polícia Militar de Goiás, que deverão ser recolhidas e substituídas. Segundo auditoria do órgão, os exemplares são perigosos e, em quatro anos, já causaram 23 acidentes com integrantes da corporação.

“As armas são inseguras, perigosas para o uso policial e, para garantir a vida e a integridade física desses policiais e seus familiares, da sociedade goiana, decidimos proibir o uso das armas e o recolhimento das 2,5 mil pistolas”, disse a auditora Jacqueline Carrijo.

A Taurus informou, em nota, na terça-feira, que não foi notificada formalmente sobre a decisão do Ministério do Trabalho. Ainda segundo a fabricante, “simplesmente não existem as supostas evidências de que o armamento seria inseguro ou defeituoso”. O portal G1 entrou em contato, por telefone, com assessoria de comunicação da empresa, e foi informado que o posicionamento se mantém o mesmo. (veja a nota na íntegra ao fim do texto).

As armas foram compradas pelo Governo de Goiás em 2013 e custaram quase R$ 5 milhões. O comandante geral da PM, o coronel Divino Alves, disse que a corporação ainda não definiu quando vai começar a substituição, mas garantiu que o trabalho deve ser feito o quanto antes.

“Nós vamos cumprir a determinação, fazendo o recolhimento, de forma progressiva, de todas estas armas e a consequente substituição das mesmas”, afirmou.

O Ministério Público disse que vai intermediar a mediação entre a empresa e o governo, para que haja uma solução o mais rápido o possível. Promotor de Justiça Marcelo Celestino, “Não deveriam ter sido comercializadas estas armas. Ela coloca em risco a população, e a própria corporação da Polícia Militar e da Polícia Civil também”, disse.

Investigação

O estudo das armas foi feito entre agosto e outubro deste ano. Os principais problemas constatados pelo levantamento são:

Disparos em rajadas em regime automático [ deve ser em modo semiautomático];
Falha do retém do ferrolho [a pistola não fica aberta, não indicando que a munição acabou];
Carregador [ de munição] danificado com rachadura;
Arma que não para na ação simples [ a pistola não fica na posição que gera maior precisão do tiro];
Travamento do gatilho;
Arma dispara no coldre [equipamento que os policiais transportam a arma junto ao corpo quando fardados];
Disparo involuntário.

“É um absurdo que as armas apresentem estes defeitos, defeitos de construção, dos dispositivos de segurança, disparam sozinhas. Quantos PMs tiveram carreiras frustradas, aposentaria precoce ou que foram punidos por excesso de uma arma que disparou sem o acionamento do gatilho ou porque o gatilho travou? Há muitos defeitos que têm comprometido a segurança pública”, opina Jacqueline.

Dados

De acordo com o levantamento, a auditoria colheu informações, dados, denúncias de acidentes e incidentes com a PT 24/7 PRO D envolvendo policiais das forças de segurança de Goiás e até mesmo de outros estados. A análise também foi feita em parceria com peritos da PM-GO.

De acordo com o MTE, se comprovou o esforço administrativo da Polícia Militar de Goiás para corrigir o problema e substituir as armas. Porém, conforme a auditora, a Taurus não tomou nenhuma providência eficaz.
O ato de interdição foi acompanhado pela PM-GO e pelo Ministério Público Federal (MPF). O próximo passo é o recolhimento das armas em todos os municípios goianos.

Veja o que a Taurus diz:

“A Taurus não foi notificada formalmente dessa decisão do Ministério do Trabalho, tampouco teve acesso aos seus fundamentos ou aos resultados da suposta auditoria. Em nenhum momento o Ministério do Trabalho lhe abriu a oportunidade de se manifestar. A Taurus apenas foi convidada para estar presente em uma reunião nesta terça-feira (31) sem que tenha sido informado o que seria tratado e sem que tivesse tido acesso ao processo.
A solicitação de substituição das armas é objeto de ação judicial proposta pelo Estado de Goiás. Em sua defesa, a Taurus explicou de forma detalhada que essa pretensão carece de qualquer fundamento. Simplesmente não existem as supostas evidências de que o armamento seria inseguro ou defeituoso. Mesmo porque a PM-GO foi a responsável por elaborar a especificação do armamento e fazer o recebimento das pistolas, sobre as quais nunca havia apresentado objeções e que utilizou por cinco anos.”

Comentários
Carregando