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Vídeo mostra tenente da PM lutando e sendo morto por bandidos no trânsito

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Oficial do Batalhão de Choque teve a moto roubada e foi agredido por pelo menos três assaltantes antes de ser executado

São pouco mais de um minuto e dez segundos de agonia. O tenente do Batalhão de Choque, Márcio Ávila Rocha, de 30 anos, foi interceptado quando passava com sua moto, uma BMW, pela Rua Engenheiro Otacílio Negrão de Lima, esquina com Rua Gonzaga Bastos, em Vila Isabel, Zona Norte do Rio de Janeiro. Bandidos em outras duas motos pararam o trânsito e o renderam. Uma van e um outro carro ficaram parados a menos de cinco metros. O oficial começou, então, a luta por sua vida. As motos caíram no chão e, a socos e pontapés, conseguiu dominar um dos bandidos, mas em seguida foi atacado por outros dois, um deles com outra moto, atropelou o policial duas vezes. Caído, acabou executado com sete tiros. Apavorados, os motoristas que testemunharam o crime vão embora sem prestar socorro. Em três minutos, 36 carros e dois ônibus passam. Ninguém para para ajudar.

O vídeo obtido pela revista Veja está nas mãos da Divisão de Homicídios, que tenta identificar os assassinos. Enterrado na tarde desta quarta-feira, no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, o tenente tornou-se mais uma vítima da caçada que agentes de segurança vem sofrendo pelas ruas. Somente neste primeiro semestre de 2016, 46 já foram mortos e mais de 200 foram baleados, de acordo com a contagem do blog da jornalista Roberta Trindade, que compila esses dados desde 2008. O colapso da segurança faz vítimas inocentes diariamente. E no atual momento, em que bandidos atiram sem piedade e tiram a vida de qualquer cidadão por motivos cada vez mais banais, os policiais são alvos constantes, especialmente nos momentos em que estão de folga ou a caminho do trabalho.

“Um policial não tem a opção de não reagir. Ele sabe que se tiver sua identidade descoberta será morto. Então, ele tenta alguma coisa”, diz um delegado, que optou por uma tática diferente: de folga ou com a família, não anda mais armado nem com a carteira funcional.

Um retrato trágico desse Rio que sangra às vésperas dos Jogos Olímpicos está no recorte das últimas 24 horas. Além do tenente Márcio Rocha, outro PM morreu e quatro ficaram feridos em diferentes regiões. O sargento Eduardo Araújo de Souza, de 37 anos, lotado no Grupamento Aeromóvel (GAM), acabou morrendo na manhã desta quarta-feira, em uma tentativa de assalto na altura da Cidade Alta, em Cordovil, próximo à Avenida Brasil. Ele seguia para o trabalho junto com o soldado Pedro Ambrosini Monteiro Coelho, quando foram abordados por criminosos. O sargento foi atingido e levado para o Hospital Getúlio Vargas, mas não resistiu.

Ainda na terça-feira, o subtenente reformado Arnaldo Silva de Oliveira, de 59 anos, foi baleado em Campos. O também subtenente reformado Valdir Nobre da Silva, de 51 anos, foi baleado ao tentar impedir um assalto a um mercadinho no bairro Vila Canaã, em Duque de Caxias, Baixada Fluminense. Outras duas pessoas que estavam no estabelecimento e foram vítimas de balas perdidas também foram socorridas.

Na Pavuna, o subtenente Jorge Luiz Martins de Souza, lotado no 39º BPM (Belford Roxo), foi ferido na perna numa tentativa de assalto quando saía da casa da sogra. Já o soldado Gilmar de Souza Silva, da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) Arará-Mandela, foi atingido na perna e no ombro durante um confronto na localidade do Pontilhão. Em São Gonçalo, na região metropolitana, um sargento da Marinha foi atacado por quatro homens em um carro. Depois de dois levarem sua moto, ele reagiu e matou dois bandidos. Ele não se feriu.

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