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Vinhos rosé são a nova febre nos EUA

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Bebidas já são vendidas em latas e até para o mercado Kosher. Cervejas artesanais perdem espaço

Esqueça as cervejas artesanais. O vinho rosé é o “novo grito” no verão dos Estados Unidos — e a moda deve chegar por aqui na próxima temporada. Segundo estimativas da consultoria Nielsen, o volume de vendas globais do vinho rosé (espumante e convencional) chegou a US$ 389 milhões por ano. Foi uma expansão de 57% nos últimos 12 meses, bem mais do que a alta de 2% registrada pelo mercado de vinhos em geral. Enquanto isso, as cervejas artesanais, até então as queridinhas do mercado de bebidas, estão com as vendas estáveis.

A onda rosé vem em vários formatos. Esses vinhos já são vendidos em latas, ideias para uma roda de amigos na praia ou num churrasco. Mas também em caixinhas e até em garrafas de um litro. E ganham um marketing voltado para nova geração de millenials.

— O rosé está se separando dos demais vinhos e começando a surgir como uma nova categoria de bebida alcoólica — afirmou Rodolphe Boulanger, vice-presidente de Cerveja, Vinho e Desilados da FreshDirect, uma varejista online americana com vendas em torno de US$ 1 bilhão por ano.

A febre é global. Se a Provença, na França, responde por 42% da produção mundial de rosés, com a Espanha na vice-liderança e os EUA em terceiro, há rótulos rosados vindo de locais tão insuspeitos como Japão e Marrocos. Segundo o Conselho Interprofessional dos Vinhos da Provença (CIVP), o consumo de rosé cresceu 20% desde 2002.

— Adegas sérias estão usando suas uvas mais valiosas para vinhos rosés — disse Belinda Chang, uma premiada sommelier da famosa escola americana James Beard.

Até as marcas mais famosas já não podem ignorar a febre rosa. Depois de a categoria ter crescido cinco vezes mais em vendas do que sua média geral de vinhos, a Moët incrementou sua lista de rosés com mais dois rótulos do tipo seco, Cape Mentelle da Australia e Smoke Tree de Sonoma.

E, como não poderia deixar de ser, o consumo do rosé também vem cercado de “marketing de experiência”. A 90+Cellars, uma empresa e clube de vinhos de Boston, aumentou seu portfólio de rosés em 70% no último ano. Para divulgar os rótulos, criou cruzeiros em Boston, Chicago e Nova York nos quais só se serve rosé. Kevin Mehra, presidente da empresa, afirma que a popularidade dos rosados é graças a seu estilo despretensioso:

— O rosé não é elitista. Nós bebemos rosé como uma Bud Light (cerveja típica dos EUA).

Até o mercado Kosher já se rendeu aos rosés. Em 2015, a Royal Wine Corporation, líder em vinhos e bebidas Kosher, tinha nove rótulos de rosé no portfólio. Hoje, são 25. E as vendas triplicaram nos últimos dois anos.

Mas a fatia de mercado dos rosés, no total das bebidas, ainda é minúscula. As cervejas movimentam US$ 37 bilhões por ano. O negócio dos rosés representa 1% disso. Mesmo os vinhos tinto e branco têm volumes muito maiores de vendas — US$ 5,8 bilhões e US$ 7,1 bilhões, respectivamente.

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